domingo, 23 de setembro de 2012

Estupidez Moderna do Desejo à Fama


Quero ser lembrado,
Mesmo que, para isso,
Tenha que ser esquecido.

Quero que lembrem que fui bom,
Que sempre tentei ajudar os outros
Cedendo às autoestimas o melhor da minha.

Quero que vejam como fui voltado às artes,
Como me dediquei para ser considerado talentoso
E quanto lutei por tudo que pensei.

Quero ser lembrado,
Não somente por conhecidos,
Mas estranhos, de todo o mundo.

Quero que lamentem minha perda
E se sintam honrados, os que me conheceram,
Ao falarem de como eu era.

Quero que a história cuide de mim
E que eu seja estudado, que seja estado
E que ruas e museus me homenageiem.

Quero que poetas recitem e se inspirem com meus poemas
E que pessoas comuns se comovam
E compartilhem as soluções que achei para meus problemas.

Quero ser lembrado
Para ser esquecido,
Como um livro empoeirado, cheio de histórias para contar.

Quero ser lembrado
Como exemplo e com orgulho,
Sem que haja religião que se negue a me idolatrar.

Que não haja ideal ou pensamento de ódio
Em relação a tudo que produzi,
Mesmo sendo simples e defeituoso.

Quero que minha memória entrelace almas
Que um casal se apaixone todos os dias ao ler meus versos
E que todos chorem ao ler o que fiz.

Quero que parte de mim
Parta a parte de todo o resto
E que, dentro do todo, continue igual.

Quero que o tempo passe
E eu permaneça
Onde estou,

Hoje,
Vazio, querendo ser alguém,
Alguém ideal.

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