domingo, 23 de setembro de 2012

Filosofia da Ignorância


I

Quem é poeta,
O que reúne palavras e sentimentos?
Sendo assim, todos somos poetas,
Pois poetizamos nossas vidas durante profundos alentos,
Até que o último é realizado.

A ignorância reside em atribuir
Supostos talentos a um grupo
Quando todos dispõem dos mesmos,
Mas, ao passo que, em alguns, são desenvolvidos,
Em outros é algo a se construir.


II

Ignorância é ver o céu azul,
Apenas porque dizem que ele é assim.
Mas, com olhos analíticos,
Vemos, por exemplo, que o arco-íris
É uma extensão do (dito) celeste.

Ignorância é querer ser cego
Para ter uma vida facilitada e conformada,
Com cores imaginadas pela cegueira.

Ignorância é cair no Panis et Circenses moderno
E deixar tudo inflexível,
Perpetuar a manipulação, deixar tudo eterno.

Ignorância é a futilidade idolatrada,
A hipocrisia desenfreada
E a supremacia dos sem-ego.

Ignorância é preferir pífias reflexões superficiais
Em detrimento de valorizações artísticas,
De trabalhos de qualidade
E pensados profundamente,
Como deveriam ser todas as idéias (FREQUENTES!) que temos
- Diferente desta confusão.


III

Amar é loucura e o amor é ignorante.

Reciprocidade ou insanidade?
O amor tira o tino
E deixa a demência... o amor em si.

Ignorância e hipocrisia de minha parte, portanto,
Por amar sem fronteiras e poeticamente,
Como um (dito) poeta faz.


IV

Ignorância é ver televisão,
Não abrir um livro e não ter cultura
Ignorância é se negar a aprender
E fazer as coisas por obrigação.

Ignorância é ser como você
E como eu.
Ignorância é morrer por versos vãos

Ignorância é a negligência encarnada nos que não leem,
Ignorância está em tudo o que esses meros porcos vêem.

Ignorância é acabar sem conclusão.


V

A (dita) filosofia que escrevo tem como função
A reflexão que o leitor deve fazer.
A (dita) filosofia que escrevo é imparcial,
Elevando e rebaixando ateus e religiosos
Ao patamar de ignorantes;
Bem como esquerdistas e direitistas,
Fanáticos A e fanáticos B.

A (dita) filosofia que dito em poema
É a chave para o nada,
Porque não há esperança em relação à ignorância
E sim o repúdio.


Não se pode dizer que não tento ser um alarme,
Não se pode dizer que não sou um rebelde pacífico,
Contra grandes alardes, mas grandiosos, em relação
À ignorância que temos em todos os lados e cantos,
E que não se pode excluir por enquanto.

A (dita) filosofia não acaba em um conjunto de estrofes,
Mas segue se expandindo em cada indivíduo,
À maneira própria que cada poeta tem,
E discrimina os ignorantes do jeito que quem escreve ou idealiza analisa.


VI

Ignorância é saber que existem erros e não corrigi-los.
Ignorância é a teimosia poética (ou não).
Ignorância é todo o sermão
Ignorância sou eu,
Ignorante você.


VII

Apesar de criticar e repetir conceitos,
A sabedoria deveria ser destacada.
Pelo plantel aqui criticado,
Quem abre um livro publicamente,
Quem faz uma citação um pouco mais embelezada,
Quem faz uma simples abstração do que é o mundo
É CONSIDERADO O MAIOR GÊNIO!

Isso se deve à BURRICE
E à IGNORÂNCIA das pessoas.
Hipocrisia do poeta por não considerar sua primeira parte?
NÃO, apenas constatação de um fato.

As pessoas se dão ao luxo de se desvalorizarem, de serem fúteis,
De valorizarem o corpo e não seu fragmento – o intelecto -
De se matarem aos poucos em meio a seu conjunto estúpido de regras
E de sua moral arcaica e quase destruída, baseada na sobreposição de um
Ao outro. 

Esse poema tem valor crítico e não de perfeição,
Portanto, os que quiserem criticar devem abster-se de minha poesia,
Pois a ignorância ronda os que, com ignorantes, circulam
E a ignorância é tudo e todos nós,
Assim como eu,
Assim como esse poema
E, principalmente, a hipocrisia de quem está lendo no momento.

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