domingo, 23 de setembro de 2012

Meu Mundo


Todas as entradas para meu próprio mundo
Fecham-se ao se depararem com a agonia
E com a tragédia de ser apenas um poeta.
Todas as vias que poderiam levar à morada da criação
Encontram-se barradas, inibindo meu contato social.
Aos poucos, vou retirando as pedras que cobrem esse caminho,
Mas nada é suficiente.
Retiro uma e duas aparecem...
Todas as entradas para minha mente
Fecham-se ao se depararem com a realidade
E, quando dou conta, estou sozinho em minha casa,
Na qual viverei por toda a eternidade, escondendo os versos mais profundos
Que não podem ser revelados à alegre gente.
Todas as formas de felicidade se deturpam,
Encontram-se feridas por minha oclusão
E, se choro por meu mundo, meu mundo me nega
E me ataca, promovendo a falência de meu pobre coração.
Todas as estradas para meu próprio mundo...
Escancaradas de dor, de medo e, mais a fundo, de meu singelo amor,
Incapaz de me salvar da desgraça de viver
E da alegria que seria poder descansar sem ninguém,
Em meu túmulo distante, à espera que alguém
Descobrisse esse poema escondido
E o revelasse ao mundo.
Porém, todas as vias para essa única estrofe
Serão apagadas e esquecidas,
Assim como eu,
Assim que minha hora chegar.
Todas as estradas de meu sombrio e melancólico mundo,
Cheio de mágoas e decepções,
Fecham-se enquanto escrevo
E já me sinto sufocado,
Jazendo em minha pequena cova,
De onde escrevo esse poema,
De onde mostro o que tenho que suportar
E para onde minha loucura e insanidade me trouxeram.
Agora, deixe-me terminar, deixe-me escrever,
Deixe que eu durma o sono eterno e sofra com o tempo,
Até que meus mais longínquos pensamentos
Tenham o doce prazer de se perder.

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