quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Tempo Passou Sem Nós


Ninguém agradece o chão por nos sustentar,
Ninguém se lembra de que há um céu para termos o que alcançar.
Não vemos nossas sombras em meio a um dia de sol
E não percebemos a formação de um atol,
Excluindo cada vez mais o âmago de nosso humanismo.

Ninguém agradece a noite por todos os incansáveis sonos,
Ninguém se lembra de que, para existir inverno, é necessário outono.
Não vemos as estrelas que matamos com o que criamos,
E não percebemos que fizemos tudo, porque não valorizamos
As coisas que tanto fizeram por nós.

Ninguém agradece as pessoas que passam como simples visões, mas
Costurando nossas mentes com um sorriso, sem que haja dispersões
No entrelaçamento de suas relações sociais.
Não percebemos que o que amamos não são pessoas,
São os cinzentos borrões nos quais nos transformamos cada vez mais.

O tempo voa sem asas e sem freio
As pessoas se perdem com distrações
E não aproveitam o veraneio.

O tempo voa como sempre voou,
Mas inventamos desculpas
Para que não sintamos o sabor do devaneio.

Por isso não notamos os outros,
Por isso os detalhes nos escapam.
Por isso o céu desbota em nuvens
E por isso nos refratamos
Ao passar do mundo para nós mesmos.

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