terça-feira, 9 de outubro de 2012

Agonia

O tempo que passa não é igual para mim. Vejo tudo depressa:
E as casa que passam com meu andar
São apenas borrões coloridos, como fotografias em movimento.
As pessoas não existem para mim
Só existe a luz deformada por meus olhos apressados.

O tempo que passa... e nem sei se passa, realmente,
É diferente dentro do poeta.
Tudo é rápido, tudo é perdido,
Como os detalhes, que os outros tempos perdem
Por viver ao léu, por não ter vivido.

O tempo passa, mas não sei se passo.
O caminho é vazio, eu sou vazio
E, a todo instante corrido,
Sinto frio! Sinto medo!
Estou sozinho, varrido, por minha agonia.

O tempo passa, entretanto, me passou.
Vejo tudo em fios brilhantes, embaçados...
Tudo vago, tudo vão...
Não existo para mim, pois, quando olho no espelho,
Nem mesmo eu escapo de minha intensa distorção.

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