sábado, 27 de outubro de 2012

Fluxo

Os anjos lúgubres me envolvem enquanto escrevo a poesia que consideram poesia.
Não estou sozinho em minha sala, cozinha ou quarto.
Sou apenas uma alma guiada por outras
E sou apenas mais um, seja quando vivo, seja quando parto
Em busca de alguma coisa que alimente minha melancolia.

Realmente, encontro o que preciso nesses anjos, que não são uma crença,
Encontro um abrigo e companhia... eles me suportam em meio à solidão.
Não temo e não há o que temer,
Apenas quando lhe fazem de bobo, enganam-lhe
E tudo o que prezam é ver-lhe sofrer.

Quando querem, fazem com que a agonia sufoque nossos corpos cheios de mágoas.
Eles querem nossas lágrimas e nossa dor! Querem que nossa depressão tome total controle
De tudo o que somos e tudo que desejamos.

A MORTE!
Sim, a morte é a vida disfarçada por asas!
Esses anjos nos observam enquanto comemos e cantamos,
Enquanto estamos usando o computador...
Mas ignoramos, sem perceber, a horrível presença deles!

Quando querem, fazem-nos sofrer, sem dúvida.
Queimam nossas memórias, nossos sentimentos mais bonitos
Para que se alimentem... para que vivam em nossos medos e ilusões.

Nunca estamos sozinhos, afinal.
Somos servos da diabólica e infernal companhia de nossos amigos mortos.
Eles estão por aqui sim! Eles querem derramar o sangue que tanto anseiam!
Eles querem a VIDA, coisa que não sabemos se usamos direito.
Não para eles... eles querem que nossos corpos ardam no fogo do inferno
E façam deles seres eternos - seres dignos.

Os anjos tortos, que me invadem em minhas horas de agonia, desfalecem-me
E corroem-me por dentro e já não sou como era antes...
Sou um deles...
Sou mais um que mata pela vida...
SOU MAIS UM LOUCO QUE PERMEIA O FLUXO DA MELANCOLIA.

E mesmo depois de tudo,

Continuo parte de um sonho.

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