sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Poema do Todo

O mundo todo amou antes de dizer adeus,
Antes de queimar seu jardim de esperanças
E fazer de suas nobres e doentias vinganças
Um objeto de ódio e repulsa, piores que os meus.

O mundo todo amou antes de partir
E carregar o frenesi  de seu coração cálido
Para um cemitério dentro dele mesmo.

O mundo todo amou antes de mim,
Antes de minha mulher (sem nome, devo dizer,
Pois seu cheiro de putrefação e seus lábios de carniça
Fazem com que seu beijo me faça querer morrer).

O mundo todo amou e se esqueceu
Dos traços infernais que o criaram
E dos túmulos que surgiram de seus pesadelos.

A vida monocromática me queima por dentro,
Tira-me os sentimentos e gera a agonia,
Proporciona-me a terrível loucura e melancolia,
Que fizeram o mundo amar antes de conhecer a amargura.

Um comentário:

  1. De todos os amaveis poemas de outrora esse veio forte.Danado de bom.

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