sábado, 22 de dezembro de 2012

Ecce Ecce Homo

I

As fraquezas dos outros são motivo de minha grandeza,
Mas não se engane, posso não ser o melhor hoje, muito menos amanhã,
- Gigante é o que faz da miséria de sua existência
Um deleite para os outros.
Portanto, arrisco dizer que sou o que sou, pois me fiz assim,
Sem ajuda, solitário, sem precisar de qualquer apoio, até o momento,
E me criei como poucos o fizeram,
Como obra inigualável, um centro do universo,
Uma gama de talentos.

II

Desafio os grandes como eu, apenas, ou maiores,
Caso contrário, meu esforço não valeria a pena
E me cansaria por culpa dos menores.

Entrar em guerra e saber que já ganhou é a pior das vitórias.
Não suporto vanglória de quem vence o derrotado.

Desafio a me criticarem! E os ouvirei com prazer,
Para que, depois, possa acabar com seus argumentos
De forma a humilhá-los,
Mas não intencionalmente... minhas palavras os atordoariam
Por serem deveras poderosas e de suma relevância.

III

E não há mortal ou divino que se atreva a me espantar do arranha-céu de meu ego,
De minha intensa inteligência e lembrança
E também de minha perseverança e genialidade para tudo que me for requisitado.

Minhas fraquezas, muito poucas, são motivo de orgulho,
Pois são o que me mantém humano
Em meio à natureza divina que me foi dada
- Talvez por algum santo ou arcanjo que me venerasse.

Todavia,
Meu ego me abala algumas vezes.
Não entendo como não entendem que me enalteço, porque sou bom.
De forma alguma quero diminuir alguém,

Se não há maldade, não vejo razão para me privar do valor o qual mereço.

Fulano se diz melhor que eu,
Problema é dele.
Eu sou eu,
Sou poderoso, orgulhoso e firme
Como um monumento ou qualquer outra coisa
Que faça alusão a mim...


IV

E Ecce Homo!

                 O homem intrínseco ao homem,
                                 O homem ao avesso!
O homem associal, em seu mundo,
Em sua ampla bolha de profunda vaidade


- Homem que é melhor do que o homem em si.

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