sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Enquanto Escrevo

Dois amigos,
Dois amores,
Duas distâncias:
De lá pra cá
E de lá pra algum outro lugar
Onde não estive presente.

Dois abrigos,
Duas dores,
Duas fragrâncias:
A dele e a minha juntas,
Mais a tua, que me treme a espinha
E faz de mim perdido e cego,
Sem qualquer esperança.

Dois trajetos,
Duas lembranças,
Dois rios de memórias vivas,
Tempestuosos,
Sem qualquer semelhança
Com o vazio que deixei
Nas bocas que beijei
Durante as viagens à minha terra,

Sem confiança

Sem qualquer alívio,

Apenas a solidão angustiante
De ser poeta,
De ser só eu
E ser o mundo ao mesmo tempo
Enquanto a chuva bate na janela,
Enquanto versos deixam meus dedos
Para se tornarem duas palavras apenas...
E nada mais...
E nada mais,
Enquanto escrevo.

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