quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fugas em Noites Quaisquer

Para escapar das multidões que me atormentam,
Refugio-me nas esferas que me orientam.
Esferas quaisquer, como pedras ou vidro,
Como as decorações na sala de uma mulher, compradas pelo marido,
Mas, para mim, não são esquecidas como simples adorno,
São parte de minha existência,
Que se alterna com a morte por pura carência.

Durante a fuga passo por campos de alecrim,
Todos acenam para a mística forma de um imenso jardim.
Mas nada o rodeia.
Nada o desafia e nada o norteia.
A vastidão do vazio que se estende por seus arredores é descomunal,
Assim como minhas esferas, as esferas da vida e das flores,
De tom cinzento, melancólico... e triunfal.

Sou um sonhador como outro qualquer,
Sozinho na escuridão que cala o próprio silêncio,
Sonho em acabar com a miséria e com todo o lamento
Que retira as bolinhas de meu corpo sem deixar uma sequer.

E o que são as esferas/bolas?!

São os sonhos.

Meus sonhos fogem comigo e são meu maior tesouro.
Valem mais que toda a prata do mais genuíno mouro,
Mas não são inteiramente meus, todavia.
São criados a partir do que vejo e escuto, do que presencio e muto.
Meus sonhos são a esperança construída por vários
E também sua perdição.
Portanto, meus sonhos são enigma, são imprevisíveis
E, ainda assim, são meus mais valiosos abrigos em meio à destruição.


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