sábado, 8 de dezembro de 2012

Lembrança

Lembro-me de fatos que me marcaram até pouco tempo;
Que me tiraram noites de sono e me tornaram lento
Para o amor, para a alegria e para a  vida em si,
Sem qualquer motivação e poética que descrevesse
O sofrimento que senti sozinho.

Lembro-me das coisas que disseram, mesmo que pequenas,
Mesmo que fossem passageiras ou momentâneas,
Mesmo que fossem brincadeiras...
E incorporei tudo na tristeza e melancolia
Para que minha vida fosse o inferno
E o inferno minha realidade e sinfonia.

Como se os demônios do passado vivessem por mim,
Entreguei-me ao choro e descrença,
Entreguei-me às mágoas de uma vida sozinha
E infeliz, uma vida esquecida e culta,
Que não vale a pena,
Não vale, não.

Sinto toda a dor que me acompanhou
Em meus mais tênues sonhos,
Sinto das mais variadas formas
Sinto meu coração parando
E minha infância rondando
Todos os instantes em que, hesitante,
Larguei de mim...

Larguei de mim para lembrar
E somente lembro,
Somente lembro, sozinho,
Tudo que passou em minha mente ausente do corpo,
Minha mente doente e gritante,
Mente de morto,
Mente de morte,

Um profundo poço de lágrimas e ilusões,
Um profundo poço de melancolia e mágoas
Em meio a doces canções
Que cantei no onirismo cotidiano,
Que cantei para fugir
Das coisas que ainda lembro,

Ainda lembro,
Ainda lembro
Sem jamais conseguir sorrir.

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