sábado, 29 de dezembro de 2012

Vazio

Não sinto mais o mesmo de outrora.
O tempo passou e todos os meus sentidos foram afetados.
Pode ser o começo de um bloqueio,
Pode ser a morte criativa que um dia viria para me tornar Rimbaud,
O jovem poeta
Que foi poeta até falar tudo o que o vinha à mente.

Não sinto mais o amor que vinha me alegrar em todos os sonhos:
Dos menores - aqueles que sonhei por sonhar,
Como alguns poemas que fiz;
Aos maiores - como todas aquelas utopias que vivi...
Fossem políticas - como o jovem que iria mudar o mundo!
Fossem amorosas - como o maior amante, o Poetinha mais amoroso que qualquer um;
Fossem poéticas... fossem algo.

Caí no declínio por falta de imaginação,
O que significa que estou crescendo...
Ficando mais maduro e perdendo
Toda aquela criatividade infantil - perpétua! - até hoje.

Não sinto mais a morte ou a vida que sempre se opuseram a mim,
Fazendo um ziguezague, variando melancolia alegre e minha triste alegria.

Não sinto mais e jamais sinto desde que nada senti
Ao ver meu amor passar,
Ao ver minhas memórias no passado,
Ao ver meus amigos morrerem ao meu lado...

E agora escrevo novamente,
Mas escrevo por escrever...

Para ver se o vazio que me preenche
Vem o papel preencher.

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