domingo, 30 de setembro de 2012

Poética da Simplicidade

As fotografias sorriem de volta para
A música que ouve sua voz.
Os olhos das estátuas observam
O que tudo que não vemos forma:
Um pequeno mundo envolto por nós
Das cordas que,
Juntas,
Acabam
Em
Simples
Poesia.

Quem é Ela

Quem é a mulher que me observa enquanto corro pelas ruas?
Quem é a garota que me olha enquanto corro minhas mãos nuas
Pelo papel no qual escrevo... no qual escrevo os poemas dela...?
Quem é ela, quem é ela?

Quem é a mulher que me observa enquanto o tempo me orienta?
Quem é a garota que me olha enquanto meu ego alenta
Seus olhos de esfinge, misteriosos como toda a imagem dela?
Quem é ela?

Quem é a mulher que me observa enquanto penso em mim?
Quem é a garota que me olha enquanto penso, enfim,
Nos poemas que rimam com as palavras de ninguém
Quem é ela, quem é ela, alguém?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Tempo Passou Sem Nós


Ninguém agradece o chão por nos sustentar,
Ninguém se lembra de que há um céu para termos o que alcançar.
Não vemos nossas sombras em meio a um dia de sol
E não percebemos a formação de um atol,
Excluindo cada vez mais o âmago de nosso humanismo.

Ninguém agradece a noite por todos os incansáveis sonos,
Ninguém se lembra de que, para existir inverno, é necessário outono.
Não vemos as estrelas que matamos com o que criamos,
E não percebemos que fizemos tudo, porque não valorizamos
As coisas que tanto fizeram por nós.

Ninguém agradece as pessoas que passam como simples visões, mas
Costurando nossas mentes com um sorriso, sem que haja dispersões
No entrelaçamento de suas relações sociais.
Não percebemos que o que amamos não são pessoas,
São os cinzentos borrões nos quais nos transformamos cada vez mais.

O tempo voa sem asas e sem freio
As pessoas se perdem com distrações
E não aproveitam o veraneio.

O tempo voa como sempre voou,
Mas inventamos desculpas
Para que não sintamos o sabor do devaneio.

Por isso não notamos os outros,
Por isso os detalhes nos escapam.
Por isso o céu desbota em nuvens
E por isso nos refratamos
Ao passar do mundo para nós mesmos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Poemas Que Surgem Em Seu Umbral

Ao contrário do que pensam,
Minha contundência ao amar não é poética, ela é real.
Amo ao amanhecer, ao final da tarde e antes de dormir,
Mas, mais do que tudo, amo ao vê-la, amo ao vê-la sorrir.

Ao contrário do que pensam,
Meus versos semelhantes são diferentes - não em letras,
Mas em sentimentos que apenas eu consigo sentir
E, apesar de tudo, não sinto nada, apenas o amor que faço existir.

Não sou flor, sou um roseto;
Sou soneto no soneto
- Seu criador.

Não sou poeta, sou poesia;
Sou cheio de vazios e vazio por melancolia
- Sou repleto de amor.

Ao contrário do que pensa,
Ela está aqui do meu lado,
Sempre - para onde quer que eu vá.

Ao contrário do que penso,
Talvez não me ame,
Mas isso não me impede de amar.

Não sou tudo - confesso que poderia ser muito mais.
Poderia acabar com o simples lirismo
E agir, buscá-la, e simplesmente amá-la
No mundo real.

Não sou pouco - acho que sou muito, até demais,
Porque, mesmo sem que ela perceba, consigo fazê-la cantar
E sorrir, e amar, e faço dela a mais amada,
Somente com os poemas que surgem em seu umbral.


domingo, 23 de setembro de 2012

Domingo, o Engodo


Domingo é um dia ingrato.
Acordo para almoçar,
Vejo o Corinthians em campo...
Paro e fico a procrastinar
Até que não há nada para fazer
- a partir das seis horas da tarde -
Somente sentir o sono chegar
E a segunda também!
Para me salvar de minha inquieta alegria.

Reflexão


No reflexo do espelho vejo através de mim.
Vejo a parede, os quadros e a porta,
Mas não vejo a mim,
Apenas as linhas tortas que me rodeiam,
Apenas as sombras de outrem,
Que se move, que pensa e que vive pelo poeta,
Desenvolvendo uma figura a cada segundo,
Construindo o que meus olhos tanto anseiam:
O reflexo de alguém.

Mundo de Lamentos


Sinto-me sozinho,
Assim como um pequeno moinho,
Que adorna um campo deixado de lado
E seu único companheiro, o grandioso sol dourado.
Sinto que o mundo é um cenário vazio,
Movimentado por meus constantes calafrios
E tudo é muito vago, já não há amor,
Compaixão, e todo o fervor
Com que as pessoas vinham me encontrar
Quando estava triste, querendo alguém para me consolar.
O tempo vai passando como nuvens no céu,
Apenas para trazer chuva, ao léu.
Vivo à mercê do destino,
Sem afeto, desatino.
Tudo que prezo e desprezo vai sumindo,
Sonhos e pesadelos vão fugindo
E já não tenho controle sobre o que faço.
Com a carência de um beijo e um abraço,
Caminho pela estrada da vida,
Sem pessoas, sem saída.
Vivo meus longos tormentos
E sozinho, esqueço-me em um mundo de lamentos.

Máquina do Mundo


Como se ouvisse ruídos ao pensar, sozinho
Caminho procurando a verdade que envolve todos
E todos os sonhos sonhados por pura hiperatividade.

Nosso inconsciente trabalha como se fosse escravo da Máquina do Mundo
E esta, em nenhum momento, para para pensar que pode ser ameaçada.
Com a cabeça entrelaçada por longos fios que vão a lugar nenhum,
Nossa mente trabalha, tentando resolver esse impasse maquinário.

A Máquina do Mundo, se é que realmente existe, criou uma forma de absorver
Qualquer Pensamento que se voltasse contra seus princípios,
Mas esqueceu-se do consciente.

O consciente trabalha criticando, fazendo-nos pensar,
Diferente dos sonhos que o inconsciente nos faz sonhar.
Diferente de tudo que possa vir a ser uma solução
E diferente das coisas movidas por sua Paixão.

Ao final de tudo, os sonhos acabam,
A Máquina do Mundo perde o seu poder de fogo,
E vai se rendendo ao consciente intermitente.

Nostalgia


Quando perguntam o que eu sinto,
Sempre invento alguma explicação,
Sempre minto sobre minha solidão

Desde pequeno,
Sempre criei enigmas para minha vida 
E sempre mentia
À medida que sorria.

Nostalgia é algo interessante...
Faz-me pensar...
Há lindas coisas esquecidas
Que gostaria de lembrar

Por outro lado,
Há coisas terríveis
Em meu passado,
Que nunca vou contar

Nostalgia...
Nostalgia...

Partilha


A divisão do meu amor,
O amor de meu amor,
Minha dor
E a dor de seu amor.

Cada um indo para um lado,
Encontrando soluções
E se perdendo nos diversos amores e ilusões
De nosso mundo idealizado.

Neopoetismo-Mortense-Nonsense

Já não existo dentro de mim.
Pensei que esse dia demoraria,
Mas a hora de anunciar minha morte chegou.
Logo, devo me despedir assim, como poema,
Como parte de mim que agora parte em busca de algo...
Um novo vazio, talvez.

Já não existo no coração das pessoas.
Todos são palavras e todos são meus versos,
Meras letras que jogo no papel para ver se encontro rumo,
Ou se fumo minha existência: libertando-me dela,
Liberando meus problemas para outro alguém,
Um novo infeliz, talvez.

Acho que já estava morto antes de nascer...
Acho que vivo, mas estou morto...
Acho que não vivi,
Acho que não morrerei
E acho que nasci, mas não nascerei
Em meio a minha poesia.

O acaso me traz mais uma vez à porta da melancolia
E tudo que ela me diz é um simples obrigado,
Agradecendo-me por fazê-la existir...
Agradecendo-me por torná-la parte de mim,
E pedindo um pouco mais de minha alma-dor,
Um pouco mais do meu sangue incolor.

Já não existo em parte alguma
E minha mente é silêncio.
Jazo em mim mesmo,
Jazo em qualquer lugar...
Meus versos não se importam,
Eles só fazem se apagar.

Filosofia da Ignorância


I

Quem é poeta,
O que reúne palavras e sentimentos?
Sendo assim, todos somos poetas,
Pois poetizamos nossas vidas durante profundos alentos,
Até que o último é realizado.

A ignorância reside em atribuir
Supostos talentos a um grupo
Quando todos dispõem dos mesmos,
Mas, ao passo que, em alguns, são desenvolvidos,
Em outros é algo a se construir.


II

Ignorância é ver o céu azul,
Apenas porque dizem que ele é assim.
Mas, com olhos analíticos,
Vemos, por exemplo, que o arco-íris
É uma extensão do (dito) celeste.

Ignorância é querer ser cego
Para ter uma vida facilitada e conformada,
Com cores imaginadas pela cegueira.

Ignorância é cair no Panis et Circenses moderno
E deixar tudo inflexível,
Perpetuar a manipulação, deixar tudo eterno.

Ignorância é a futilidade idolatrada,
A hipocrisia desenfreada
E a supremacia dos sem-ego.

Ignorância é preferir pífias reflexões superficiais
Em detrimento de valorizações artísticas,
De trabalhos de qualidade
E pensados profundamente,
Como deveriam ser todas as idéias (FREQUENTES!) que temos
- Diferente desta confusão.


III

Amar é loucura e o amor é ignorante.

Reciprocidade ou insanidade?
O amor tira o tino
E deixa a demência... o amor em si.

Ignorância e hipocrisia de minha parte, portanto,
Por amar sem fronteiras e poeticamente,
Como um (dito) poeta faz.


IV

Ignorância é ver televisão,
Não abrir um livro e não ter cultura
Ignorância é se negar a aprender
E fazer as coisas por obrigação.

Ignorância é ser como você
E como eu.
Ignorância é morrer por versos vãos

Ignorância é a negligência encarnada nos que não leem,
Ignorância está em tudo o que esses meros porcos vêem.

Ignorância é acabar sem conclusão.


V

A (dita) filosofia que escrevo tem como função
A reflexão que o leitor deve fazer.
A (dita) filosofia que escrevo é imparcial,
Elevando e rebaixando ateus e religiosos
Ao patamar de ignorantes;
Bem como esquerdistas e direitistas,
Fanáticos A e fanáticos B.

A (dita) filosofia que dito em poema
É a chave para o nada,
Porque não há esperança em relação à ignorância
E sim o repúdio.


Não se pode dizer que não tento ser um alarme,
Não se pode dizer que não sou um rebelde pacífico,
Contra grandes alardes, mas grandiosos, em relação
À ignorância que temos em todos os lados e cantos,
E que não se pode excluir por enquanto.

A (dita) filosofia não acaba em um conjunto de estrofes,
Mas segue se expandindo em cada indivíduo,
À maneira própria que cada poeta tem,
E discrimina os ignorantes do jeito que quem escreve ou idealiza analisa.


VI

Ignorância é saber que existem erros e não corrigi-los.
Ignorância é a teimosia poética (ou não).
Ignorância é todo o sermão
Ignorância sou eu,
Ignorante você.


VII

Apesar de criticar e repetir conceitos,
A sabedoria deveria ser destacada.
Pelo plantel aqui criticado,
Quem abre um livro publicamente,
Quem faz uma citação um pouco mais embelezada,
Quem faz uma simples abstração do que é o mundo
É CONSIDERADO O MAIOR GÊNIO!

Isso se deve à BURRICE
E à IGNORÂNCIA das pessoas.
Hipocrisia do poeta por não considerar sua primeira parte?
NÃO, apenas constatação de um fato.

As pessoas se dão ao luxo de se desvalorizarem, de serem fúteis,
De valorizarem o corpo e não seu fragmento – o intelecto -
De se matarem aos poucos em meio a seu conjunto estúpido de regras
E de sua moral arcaica e quase destruída, baseada na sobreposição de um
Ao outro. 

Esse poema tem valor crítico e não de perfeição,
Portanto, os que quiserem criticar devem abster-se de minha poesia,
Pois a ignorância ronda os que, com ignorantes, circulam
E a ignorância é tudo e todos nós,
Assim como eu,
Assim como esse poema
E, principalmente, a hipocrisia de quem está lendo no momento.

Amor à Ilusão


Não consigo escrever sobre amor, pois estou envenenado,
Possuído e enfeitiçado por seu sorriso.
Tudo que relatei em poesia se transformou, exceto os olhos que amo tanto
E o amor que ainda sinto explodindo em seu canto.

Não consigo escrever algo de qualidade, pois não penso...
Penso apenas em seu rosto – perfeito, a meu ver.
O silêncio de todas as noites me ajuda a imaginar seu amor
E, por isso, me apaixono cada vez mais, até que não sei como lhe esquecer.

Imagino momentos que não vivi
E dias em que não sorri,
Só para ter um momento de felicidade ao seu lado,
Ao menos em pequenos instantes inventados.

Imagino um beijo incerto
Para nunca lhe perder.
Imagino você aqui perto...
Para realizar seus mais abstratos sonhos.

Não consigo descrever a beleza que penso, pois estou doente,
Preso à escuridão, livre do poente.
Tudo que escrevo vem do acaso e não tenho força poética para me auxiliar.
Sou miserável de tudo e não tenho mais do que reclamar.

Não consigo escrever tudo que sinto, pois estou confuso,
Apaixonado e ocluso por você.
Tudo o que vejo são seus traços e um doce encanto que não sei se existe
Por isso sou feliz, romântico, alegre e triste.

Imagino momentos que não vivi
E dias em que não sorri,
Apenas para ter você, meu amor, para idolatrar,
Sendo sua ilusão minha única forma possível de amar.

Crítica à Crítica Artística


Como poeta sou permitido dizer algumas coisas;
Posso matar e criar pessoas;
Posso viver sonhos de sonhos
E também questionar idéias.

Não – essa é minha palavra.
O que faço é o que a imaginação alcança.
Não preciso rimar, não quero beleza ou métrica, muito menos fazer versos limpos,
Apenas expor o que penso, poeticamente.

O que digo e quero dizer
Depende do conteúdo e da arte de escrever. Só.

Sou livre para falar de mim, de você e de tudo.
Posso calar ou me tornar mudo;
Posso escolher um número e contar estrofes,
Assim como posso me fechar e parar quando quiser.

Minha poesia não é perfeita e não precisa ser,
Tenho liberdade para criar,
Privando-me de explicar os pequenos detalhes e falta de organização

- Também, gosto de confundir pela confusão que causo,
Confundindo até a confusa confusão que decidi criar para confundir
E não ter sentido.

Não vou me adequar a padrões ou a sua crítica -
O passado nos ensinou que o que é, é
E, em minha poesia, é o que eu quiser que seja.

Estupidez Moderna do Desejo à Fama


Quero ser lembrado,
Mesmo que, para isso,
Tenha que ser esquecido.

Quero que lembrem que fui bom,
Que sempre tentei ajudar os outros
Cedendo às autoestimas o melhor da minha.

Quero que vejam como fui voltado às artes,
Como me dediquei para ser considerado talentoso
E quanto lutei por tudo que pensei.

Quero ser lembrado,
Não somente por conhecidos,
Mas estranhos, de todo o mundo.

Quero que lamentem minha perda
E se sintam honrados, os que me conheceram,
Ao falarem de como eu era.

Quero que a história cuide de mim
E que eu seja estudado, que seja estado
E que ruas e museus me homenageiem.

Quero que poetas recitem e se inspirem com meus poemas
E que pessoas comuns se comovam
E compartilhem as soluções que achei para meus problemas.

Quero ser lembrado
Para ser esquecido,
Como um livro empoeirado, cheio de histórias para contar.

Quero ser lembrado
Como exemplo e com orgulho,
Sem que haja religião que se negue a me idolatrar.

Que não haja ideal ou pensamento de ódio
Em relação a tudo que produzi,
Mesmo sendo simples e defeituoso.

Quero que minha memória entrelace almas
Que um casal se apaixone todos os dias ao ler meus versos
E que todos chorem ao ler o que fiz.

Quero que parte de mim
Parta a parte de todo o resto
E que, dentro do todo, continue igual.

Quero que o tempo passe
E eu permaneça
Onde estou,

Hoje,
Vazio, querendo ser alguém,
Alguém ideal.

Para a Amada Onírica


Às vezes fico imaginando...
Sonhando acordado.
Penso em suas belezas:
Interna – com sua inteligência, lealdade, simpatia,
Pureza e o som de seu coração batendo,
Efervescendo minha alma vazia, carente de seu amor;
E externa – com seu cabelo e olhos de noite,
Nos quais vejo o luar refletido, aos prantos, pois
Nunca alcançará a ternura e não terá tantos olhares apaixonados o admirando
Como os que seu encanto tem.
Em dias como esses, quando estou presente, mas distante,
Sua voz melódica vem a meu encontro
E faz com que eu me perca em meus pensamentos.
Todos os nossos poucos, mas lindos momentos, ressurgem
Para me alegrar e florescer um novo amor:
Mais bonito que o anterior, em meu coração solitário.
E esse jogo continua, tornando meu amor por você
Algo infindável e eternamente novo, eternamente lindo.
Às vezes fico imaginando se existe algo perfeito...
Mas, se não existisse, não haveria este você
E nem mesmo o lirismo deste poema.
Então, concluo que sua perfeição é algo inatingível,
Tão bela, tão tenra e tão sedutora...
Que me apaixono em todas as vezes que a contemplo.
Às vezes, à sua presença, fico bobo, confuso, desagradável,
Mas não faço por mal – é algo incontrolável.
Depois de tudo, de tanto amor que guardo especialmente para você,
Fico nervoso e me desespero, internamente,
Para que, no final, possa parar, me acalmar e admirá-la inteiramente.
Seus lábios e sorriso angelicais me acompanham
E ainda não sei o que fazer.
Não tenho escolha, não posso fugir.
Às vezes fico imaginando...
Sonhando estar ao seu lado
Em um sonho dourado,
Chamando-a de meu amor.

Neurose


Quando somos crianças somos tão despreocupados
Que não nos importamos nem com a distância,
Nem com a perda,
Nem com qualquer outra coisa se não não nos preocupar.

Conforme o tempo passa, sinais da neurose social são percebidos.
De alguma forma, os adultos passam esse problema para os menores,
Conquanto seja de forma involuntária, tudo que pensamos é inibido,
Porquanto somos tão pequenos e não nos defendemos do que acontece.

Quando crescemos, perdemos a utopia!
A qual só existe quando somos pequenos,
Pois não há problemas, tudo é perfeito!
Exceto o desejo que temos de adquirir a neurose.

Neurose! Ah, Neurose!
Queremos tanto tê-la e depois queremos aniquilá-la,
Assim como nossos sonhos são no momento em que
Adquirimos uma vida-padrão, repleta de igualdade e monotonia.

Neurose! Ah, Neurose!
Sem você não haveria poesia que explicasse a sociedade
E não haveria relevância ou verdade
Que supusesse a delinquência e ignorância que é crescer.

E esse é o único problema das pessoas crianças
E mais um das crianças adultas:
Somos ignorantes a ponto de ignorar
Que a infância é a chave para a velhice.

Sem uma infância bem formada; com neurose,
E com necrose de pensamento,
Somos apenas adultos, velhos, loucos, neuróticos,
Tentando matar a criança em cada um.


Deus-Monetário - Hino à Ironia


O deus que todos idolatram não é onisciente,
Não apela para o espiritual
E não é supostamente existente
Ou ideal.

O deus que idolatramos é objeto,
É frágil e injusto,
É o divino trajeto
Entre dívida e custo.

A divindade cedúla seu papel informal:
O caos, a podridão social
E a elitização dos meios culturais.

A divindade não nota seus colaterais:
A morte e fome comunitárias;
A avareza e carência, banais.

O deus é inteiro,
O deus não tem céu,
Hare Krishna,
Louve o dinheiro (ao léu).


Prostituição

As mulheres já foram mais puras e já mereceram mais respeito
E, ironicamente, lutam a favor de seus direitos!
As mulheres, símbolo da paixão, perderam seu significado
E também a castidade que lhes é atribuída comumente.

Impudicas! As mulheres são o objeto sexual que elas vendem!
São a favor da prostituição e são as defensoras e rainhas da escória,
Assim como da luxúria, razão de vida de muitas.

Os homens já foram mais dignos de serem cavalheiros...
A cortesia não existe e o respeito também foi abolido.
Esses prostitutos também se dão ao luxo do prazer
E ao suposto amor, agressivo, que insistem em fazer.

Lascivos! Os homens são o objeto sexual que eles vendem!
São a favor do corrompimento e da obscenidade, pois são seus reis,
Seus príncipes e duques...
A nobreza da impunidade.

A sociedade já foi mais equilibrada.
A grande maioria é devota do corpo e do desejo
Quando deveria apoiar o amor e o cortejo...
Nas mais diversas tempestades de emoções.

A sociedade é o bordel dessa geração sexual,
Que transborda e que mata todo o mundo
Com esse apetite inexorável,
Essa destruição da moral.

Os tempos mudaram e as pessoas também.
Homens e mulheres agora são seres amorfos,
Que se sujeitam à prostituição gratuita,
Interpretada por mim com o mais sincero desdém.

Soberba


Talvez o suposto soberbo
Só prefira a autovalorização
Ao invés de se preocupar
Com gente que o critica
E que é fiel defensora
Da autorresignação.

Elocução


Em todos os espaços de meu coração preenchido por você,
Não me encontro e não me perco;
Não sei, nada sei.

Meus dias, contados por mim mesmo
São todos em vão, pois não consigo enxergar,
Não consigo amar e, como sempre,
Não sei, nada sei.

Tudo o que tento ver é ofuscado,
Meus sentidos apagados
E a eterna luz da escuridão
Tomam conta de meus atos.

Tudo o que o vento trás para mim
É apenas o pensamento
E o intento que trago comigo,
Por um simples contato.

Todos os dias que vivi tiveram um único propósito:
Saber por que a amo e por que amo tanto...
Tanto que nada mais importa para mim.

Todos meus dias sozinho
Serviram apenas para perceber
Que nunca fui abandonado,
Sempre amei e sempre fui amado

Assim como quem eu sempre amei,
Você. Esteve sempre ao meu lado
E, mesmo sem ela a perceber,
Eu via sombras de meu anjo a me envolver.

Em todas as vias de meu coração preenchido por seu encanto,
Não há nada que eu não ame.
Bem como não há nada que eu ame mais
Do que simplesmente amar você.

NINGUÉM PRESTARIA ATENÇÃO SE NÃO FOSSE O TÍTULO


- Nada, apenas o vazio.

Carta de Morte do Mortífero

                Prepare-se para a depressão, pois não tenho mais nada a compartilhar, exceto minha melancolia e profunda decepção com tudo que é terreno. Prepare-se para uma guerra cotidiana, que luto todos os dias – contra mim mesmo, a todo instante – na qual minha felicidade é aniquilada pelos caminhos trilhados pelo futuro – relativo, naquele tempo, a ela. Como já disse em Meu Mundo, por meio dessa paráfrase me descrevo: Toda a alegria se deturpa...
                Não aguento mais. Não suporto meu dom para tornar a mais feliz das pessoas em um objeto melancólico, em minha cabeça, mesmo que não queria. Não aguento o sofrimento, que descrevo em Meu Mundo de Lamentos, e a loucura catatônica traduzida poeticamente, superficialmente e fielmente por mim.
                Prepare-se para minhas terríveis noites – nas quais enlouqueço, pensando na morte; nas quais me entrego ao choro e à solidão, para depois me acalmar, gerando um ciclo infindável e doentio, o qual não consigo mais suportar.

Temor da Loucura Poética

Temo ter que ocultar meu lado assombrado,
Meu olhar maligno e meu canto macabro.
Temo ter que dizer que o que digo é vazio
E, em meu lado negro, esconder o que sinto
Ser o que há de mais lúgubre e sombrio.
Temo a angústia e loucura que escrevo em poesia,
E, ainda assim,
Meus versos de tristeza se desmancham em melancolia
E saúdam a irresistível e inquieta maldição que tudo me causou.

Temo ter que voltar a viver para vê-los morrer.
Meus instintos frenéticos e o tempo estático
Consomem meus sonhos e todo meu ser,
Excluindo minha existência do mundo
E me dando um imenso repúdio e ódio
A tudo que, como eu, nunca deixará de sofrer.

Temo vagar pelas ruas da solidão e do medo
Enquanto vejo os rostos alegres de uma multidão
Corroendo o âmago do eu lírico de minha vida;
Fazendo-me esquecer das parábolas que tanto defendi
E fazendo-me odiar todos que estiveram em meu coração.

Temo o terror e o horror que passeiam por mim todos os dias.
Temo que não haja mais esperança para reanimar uma pobre alma,
Exilada, entristecida e vencida por tudo que se pode imaginar.
Além disso, temo não aproveitar o fim
E sorrir de todos que, nunca como eu,
Tiveram de se matar.

Meu Mundo


Todas as entradas para meu próprio mundo
Fecham-se ao se depararem com a agonia
E com a tragédia de ser apenas um poeta.
Todas as vias que poderiam levar à morada da criação
Encontram-se barradas, inibindo meu contato social.
Aos poucos, vou retirando as pedras que cobrem esse caminho,
Mas nada é suficiente.
Retiro uma e duas aparecem...
Todas as entradas para minha mente
Fecham-se ao se depararem com a realidade
E, quando dou conta, estou sozinho em minha casa,
Na qual viverei por toda a eternidade, escondendo os versos mais profundos
Que não podem ser revelados à alegre gente.
Todas as formas de felicidade se deturpam,
Encontram-se feridas por minha oclusão
E, se choro por meu mundo, meu mundo me nega
E me ataca, promovendo a falência de meu pobre coração.
Todas as estradas para meu próprio mundo...
Escancaradas de dor, de medo e, mais a fundo, de meu singelo amor,
Incapaz de me salvar da desgraça de viver
E da alegria que seria poder descansar sem ninguém,
Em meu túmulo distante, à espera que alguém
Descobrisse esse poema escondido
E o revelasse ao mundo.
Porém, todas as vias para essa única estrofe
Serão apagadas e esquecidas,
Assim como eu,
Assim que minha hora chegar.
Todas as estradas de meu sombrio e melancólico mundo,
Cheio de mágoas e decepções,
Fecham-se enquanto escrevo
E já me sinto sufocado,
Jazendo em minha pequena cova,
De onde escrevo esse poema,
De onde mostro o que tenho que suportar
E para onde minha loucura e insanidade me trouxeram.
Agora, deixe-me terminar, deixe-me escrever,
Deixe que eu durma o sono eterno e sofra com o tempo,
Até que meus mais longínquos pensamentos
Tenham o doce prazer de se perder.

Eu a Amo


Eu a amo.
Essa é a canção que canto todos os dias.
Eu amo e não posso negar
Que, em todas as vias de meu coração,
Ela é a única que quero amar.

Eu a amo e não importa por quê;
Não importa que ninguém se importe.
Eu a amo todos os dias
E todos os dias o amor que sinto
Se torna mais bonito e forte.

Eu a amo e não há dúvidas quanto a isso,
Mas deixe-me repetir:
Eu a amo, eu te amo,
E não deixe que o amor
Deixe de existir.

Eu a amo e não saberia viver
Se, de repente, todas as maravilhas que imagino
Sucumbissem e me fizessem lhe esquecer.
Eu a amo e tudo seria um vazio abstrato
Sem que seu esplendor viesse me entreter.

Eu a amo, eu te amo cada vez mais.
Mas não amo por amar,
E sim por amá-la e idolatrá-la;
Por seus olhos serem os únicos que os meus distraídos
Conseguem encontrar.

Você Sabe


Você sabe que tudo é para você,
Que tudo que faço é pensando em seu olhar.
E, nas mais terríveis noites,
Você é quem me ensina a sonhar.

Você sabe que o que escrevo é para você,
Que meus dias são construídos para lhe divertir.
E, quanto mais a amo,
Mais sinto prazer ao vê-la sorrir.

Você sabe de tudo, tenho certeza – você sabe.
E, mesmo não admitindo,
Nós sabemos que o mundo é nosso,
E que o amor, é nosso destino, nossa realidade.

Monte do Horror

Apague as luzes e vague pelo escuro.
Não haverá ninguém.
Não haverá alguém para lhe salvar.
Corra pela trilha de pedra e caia.
Caia na desgraça de ser apenas mais um
Em meio à multidão de ossos em todo lugar.
Acalme-se e olhe para os lados.
Não haverá ninguém... para lhe salvar...
Sua morte será indolor
Então trate-se de se apressar.
A putrefação demora
Estou com fome! Estou com sede de sangue...
Vejo seu corpo estirado,
Triste e revirado,
À luz da maledicente lua cheia
E meu apetite só aumenta,
Ainda tenho que me saciar.
Apague as luzes e vague por meu corpo.
Sua alma é minha
Sou seus pesadelos
E você é a presa.
Apague as luzes, apague a vida
E adentre meu reino de terror,
Até que seus pobres ossos estejam empilhados
Em meu monte do horror.

Maldição


Quem disse que o intelectual é importante?
Quem disse que o superficial é importante?
Malditos sejam os poetas e artistas que contaminam minha mente
Doente, por causa de suas obras.
Malditos sejam os que deturpam meus dias
E minhas noites sacras de solidão
Em prol de suas supostas virtudes.

Malditos sejam os que riram enquanto eu pensava
No dia em que salvaria suas almas da eloquência social;
No dia em que seríamos livres dessa terrível bolha de cristal.
E quem disse que o que pensam é importante?
Quem disse que valem mais do que os outros?
Malditos sejam seus problemas e pensamentos,
Que se danem e morram todos com seus incansáveis tormentos.

Que o mundo se parta e leve consigo o que digo.
Que encontrem significado em meio às linhas tortas que escrevo.
Que encontrem sentido nos versos manchados de lágrimas
Cristalinas, como os olhos que refletem o caos desse egocentrismo alheio.
Não é necessário. Não preciso dele. Não quero conviver com ele.
Maldito seja isso tudo. Malditas sejam essas pessoas. Maldita seja a solidão.
Malditos sejam os poetas e artistas. Malditos sejam meus amores.
Maldita seja a ilusão.

Poesia Para René Magritte

Não há nada que uma janela fechada possa esconder,
Não há nada que uma imagem surrealista não possa explicar
E, por fim, não há nada que o homem de Magritte não tenha lido
Em sua cozinha, em seu quarto, ou em seus pensamentos vedados.

Maçãs, chapéus e pessoas no céu,
Não há nada impossível,
Não há nada ao léu.

Montanhas e castelos flutuando,
Pontes e trens dissimulados,
Homens e mulheres se beijando
Por traz de máscaras e fantasias.

Não há nada que um homem surrealista não possa explicar.
Não há qualquer movimento sem motivo e motivação
E, felizmente, não há razão para privatizar seu talento para poetizar:
Em seus quadros, em rascunhos, ou em vidas alheias, ansiosas para criticar.

Carros, charutos e cavalos repletos de significado;
Mulheres, aves e nuvens;
Relógios, cadeiras, espelhos e um alado;

Ruas, dias e noites,
Gaiolas e quadros...
Nada é o que parece
E não há nada que não seja pensado.

Não há nada que esconda a reflexão, exceto a mente humana,
Condição a qual é cristalizada por simples ações mundanas.
Não há nada perdido a não ser o tempo
- Deixe a arte lhe guiar.

Não há nada que prive o prazer e olhares curiosos sobre seu trabalho,
E, seja dia ou noite, não há maçã ou pombo que esconda o que vemos
Devemos ver as coisas como são, sem enfeitarmos sua importância
Portanto, se o homem faz, o homem faz então.

Versos Eternos


Quando a procuro, não a vejo.
Apenas sua breve imagem parada,
Olhando para mim, refletindo meu anseio
Por seu doce e maravilhoso amor,
E tudo que nunca viera até meu coração desesperado,
Surge como se estivesse ali, todo aquele tempo,
Sutilmente, amenizando minha dor.

Quando digo que a quero, não quero.
Apenas desejo amá-la eternamente,
Sonhar com encontros, abraços e beijos
E descansar ao som de sua voz melódica e suave,
Ao passo que, a todo instante,
Tento tornar realidade
Até seus mais insignificantes e simples sonhos.

Nosso amor é como um poema, uma utopia;
Nosso amor é a vida, a alegria... e tudo mais...
Somos um para o outro e juntos somos um
E, mesmo quando nos distanciamos,
Como nosso amor, não há algum.

Nas noites frias as quais passamos cantando
E escrevendo nossos versos cotidianos,
Rimos de todas as coisas e, apesar de sermos velhos
E aparentar sermos o casal mais bonito,
Rimos de tudo. Rimos de não conhecer o amor.

Nos dias lindos que vivemos, parecemos jovens apaixonados.
E ainda somos. Envelhecemos com o tempo,
Mas ainda nos amamos como nos primeiros dias,
Quando a luz da aurora batia na janela fechada
E os pequenos raios que entravam no quarto
Revelavam o rosto da mulher mais linda do mundo – deitada, ao meu lado.

Quando a vejo, não vejo o resto.
Ela ainda sabe me enfeitiçar como no primeiro dia,
Quando me fez começar a pensar nela sem me ensinar a esquecê-la.
Acordo pensando, vivo pensando e durmo imaginando seu sorriso
E todos os momentos infindáveis que nosso amor nos proporcionou,
Fazendo minha vida, confesso, muito melhor e muito mais feliz.

Quando a procuro, não a vejo.
Quando a vejo, não vejo
Quando não vejo, a vejo.
E, ao som de aliterações,
Nos envolvemos em um longo beijo.

Meu amor é como um segredo traduzido em versos eternos.
Conto apenas para ela, e, confidente,
Meu amor não revela para mais ninguém,
Fazendo assim, com que nos amemos unicamente
E perfeitamente, como se o amor fosse nós dois.
                

Minha Anarquia


NÃO!
Não preciso de alguém para obedecer.
Não preciso que me digam o que é certo e errado,
Tudo está bem claro, por isso, NÃO!
Não vos quero. Talvez em outra época, mas agora não.
Não preciso de ordens, não preciso de vós,
Não preciso do Estado ineficiente que nos é apresentado
E nem de censuras inúteis – preciso de voz.

NÃO!
Chega de tanta burocracia,
De tanta conversa e pouca ação.
Tudo é mentira, tudo é desculpa
Para que não haja construção.
Portanto, NÃO!
Chega de futilidade, chega de burrice.
Por onde anda a crítica? Fala-se tanto e proíbem tanto,
Por que não proíbem a si mesmos e calam-se para o bem comum?

NÃO!
Não preciso saber de tantas coisas desnecessárias.
Quero aprender o essencial para ser o que eu quiser,
Não mais um projeto de uma sociedade que dizem ser feliz e harmônica.
NÃO!
Chega de tanta igualdade: somos diferentes, merecemos os mesmos direitos,
Não obrigações.
NÃO!

NÃO!
Vou repetir até que me matem por falta de respeito.
NÃO!
Quero viver para ver quantos lutarão por seus ideais.
Ainda há uma minoria, mas inteligente
Que, apesar de lutar contra uma tempestade de manipulados,
Vencem a cada dia que passa por seu esforço.
PELA LIBERDADE!

NÃO!
Não quero a Anarquia total,
Não quero o Caos...
Quero a construção a partir de um descontrole,
Quero o esforço mental!
Quero que todos trabalhem juntos para que o conhecimento
Seja compartilhado e torne-se universal.

NÃO!
Não quero acabar com instituições!
Quero que saiam do conservadorismo!
Que pensem no futuro e em inovações.
Quero que tenham consciência do que realmente querem
E que seu poder cognitivo possa ser algo de orgulho – o que não é.

NÃO! Volto a falar:
Não preciso obedecer!
Nós movemos o mundo,
Podemos fazer qualquer coisa,
Podemos inovar, pensar e criar
Sem que dependamos de quem está no poder.

Alusão à Morte Próspera

Nada é certo,
Apenas o futuro incerto
E a morte que nos envolverá.
Sonhos, agora ilusões,
Descansam em paz
E os sonhadores,
Poetas
E amantes
Que antes idealizavam,
Jazem em um túmulo tenaz,
Abocanhando suas mais perversas idéias
Em troca de um eterno pedaço de terra,
No qual todas as esperanças que tiveram
São depositadas e soterradas
Em nome da morte.
Os lúgubres gestos dos, em breve finados,
Ao se depararem com os corpos em sono profundo
Completam o ciclo da vida.
E, apesar das lágrimas derramadas,
Ninguém se dá conta de que, para existir vida,
Deve existir morte, e vice-versa.
Sem a segunda, a primeira seria apenas um intenso vazio;
Haveria um universo caótico,
Deplorável, doentio
E as pobres almas se perderiam na imensidão
E na podridão do mundo de cima,
Sem que suas vidas adquirissem significado.

Descansem em paz.

A Chuva Não Molha


A chuva não nos molha.
Tudo é desculpa para vender guarda-chuvas,
Sobre os quais as gotas imaginárias escorrem,
Deixando seu rastro apagado para trás.


Para Uma Amiga


Ao amanhecer, quando a brisa da manhã soprar,
Quando o sol e a neblina surgirem no céu,
Quando seus olhos abrirem e você acordar,
Verá que eu estarei lá, para dar um beijo em seu rosto e fazer você se acalmar.
Estarei esperando que, em algum momento eu possa lhe ajudar.
Estarei esperando a hora certa para lhe confortar
E darei todo o carinho que puder lhe dar.

Ao entardecer, quando as nuvens brancas estiverem carregadas,
Quando a chuva cair, e a melancolia vier à tona,
Quando seu coração estiver frágil e ninguém puder fazer nada,
Eu estarei lá para mostrar o quão importante você é para mim.
Estarei pensando em novas formas para lhe encorajar,
Estarei pensando em algum jeito de lhe fazer sonhar
E farei o impossível para vê-la se alegrar.

Ao anoitecer, quando tudo estiver escuro e, de um pesadelo, você se erguer,
Quando você estiver sozinha, sem conseguir lutar,
Quando estiver chorando, sem motivos para viver,
Eu irei até você e, juntos, acabaremos com nossos problemas.
Dar-lhe-ei todo o amor que um amigo pode ceder
E chorarei com sua tristeza, pois
Sem você não vivo e sem você não vou viver.

Desejos


O maior desejo de alguns é mudar o mundo.
Outros, porém, vivem apenas para morrer.

Poema do Lago Macabro


Onde havia vida já não há
E o que nos resta?
Entregar-nos a ela?

Talvez o melhor seja esperar
A morte lenta que se aproxima e
Que se forma a cada novo segundo,

Construindo assim,
Um eterno e vazio,
Devasto mundo.

As Noites do Mundo Cruel e do Onirismo Real


A noite cai e silencia o mundo.
As pessoas, solitárias, se retiram.
O céu azul veste seu manto negro
E escurece as almas alheias já vazias.

As nuvens sopram e a temperatura diminui.
As sombras dominam as ruas e praças
E tomam conta do consciente
Da pobre gente.

Os sonhos diários, do povo que descrevo,
Cobrem-se de prazer e de medo.
O tempo que elas têm é curto para imaginar
E, ainda assim, é suficiente para ser
O reflexo do mundo cruel e onírico que vivemos.

Rainha

A rainha me acorda todas as noites
Para que, em breves visões,
Eu sinta seu toque apaixonado
E não descanse até que a veja de novo.

A rainha vem até mim todas as noites:
Ela apenas se aproxima. Ela apenas me acompanha.
Ela simplesmente me surpreende com um beijo
E, de repente, ela se vai.

Acomodo a rainha em minha casa todos os dias,
Mas ela parece não notar.
Parece que apenas está ali, imóvel, com seu carinho insensível...
E, de repente, ela está em nenhum lugar...

A rainha se vai de minha casa...
A rainha sai de minha mente...
A rainha mente em meus sonhos
E se desliga do amor ardente
Que parecia eloquente
Em meus pensamentos.

A rainha me acorda todas as noites
Para que, em uma breve visão,
Eu sinta seu toque apaixonado
E não descanse até que ela me ame
Como a amo, sendo para mim
A única e insubstituível, rainha do meu coração.

Os Velhos Tempos da Melancolia Inerente ao Ser


Os velhos tempos, quando inventei minhas fantasias, sozinho,
Deixaram saudade dos sonhos, de meus amigos e da ausência de carinho.
O passado que me acompanha até hoje em pensamentos
É o culpado pelo remorso e medo de minha infância... perfeita, cheia de tormentos,
Dos quais não me vejo livre até hoje.
Acompanhado de minhas imaginações, repudiei todos que me corromperam
E, por isso, sou considerado ocluso, louco ou gênio, subordinado aos que me entristeceram.

Os velhos tempos deixaram marcas impossíveis de se apagar:
As memórias de gritarias incessantes, choros silenciosos e um intenso atacar
em meus sentimentos; o medo de ser descoberto despejando minhas lágrimas;
o terror de noites vazias, solitárias e doentias que vivi em paz, sozinho.
Sinto falta dos antigos eus que abandonei e que nunca voltarão...
Se pudesse, viveria cada um deles mais uma vez apenas para valorizar 
Cada momento de minha mais pura e profunda solidão.

Pensando em meus velhos tempos, quando inventei os sonhos,
Percebi que minha erudição me impede de rir – sou um ser anacrônico -
E, até nas mais felizes e bonitas estações, sou proibido de sorrir.
Penso muito, reflito sobre tudo e não aproveito as emoções.
Ao final de tudo, acabo esquecendo o que pensei,
Todo meu precioso tempo se torna perdido e, cada vez mais, 
Mais eus são jogados fora, como se eu nunca tivesse vivido.

Vozes Estranhas


As vozes estranhas que ecoam em mim
Desafiam toda a assombração que jaz
Em meu lúgubre coração de pedra.

As vozes que soam como morte
Enlouquecem minha mente deplorável
E tomam posse de meu reino pessoal.

O vazio ardente e o medo que sinto,
Que, constantemente, me seduzem,
Controlam minhas ações, meus sonhos
E todas as maneiras sobre as quais meu ódio
Assume forma para vingar-se de mim
E meus prazeres doentios. 

Longas Noites


Longas noites de pura reflexão me deixaram acordado pensando em minha vida solitária.
Não consegui reunir um conjunto de idéias que fizessem com que me sentisse valioso;
Não consegui encontrar um amor mais verdadeiro do que digo que sinto.
E, se minto, não encontrei verdade alguma por trás da máscara que visto
Em meus mais maravilhosos sonhos.

Longas noites de pura imaginação me deixaram à mercê de minha própria poesia
E não sei quanto tempo ainda aguentarei escrevendo tudo o que tenho passado.
Meu pobre coração, cansado de ser poema, desabrocha como uma flor
E já não sinto mais o mesmo pela dama dos olhos dourados,
Que me acompanharia, onde quer que eu fosse.

Longos pesadelos me fizeram criar a beleza em que nosso amor está baseado
E, apesar de sua grandiosidade, esqueci como amar.
O poeta esqueceu os caminhos para onde era guiado, com seu toque, apenas.
Os caminhos onde chorei por ter encontrado a magnificência de todo seu encanto.
E o caminho em que, juntos, cantamos nossa apaixonada canção do amor, agora silêncio.

Longos tormentos e longas horas de pura reflexão me incomodaram.
Não pensei, não consegui criar, não escrevi, não amei.
Apenas olhei o papel em branco, manchado de antigas lágrimas, sem qualquer esperança.
E, mesmo assim, sua imagem, em minha mente, me dizia para tentar,
Como se fosse um anjo, enviado a mim para me proteger.

Longas noites se passaram e ainda não amo.
Preciso de alguém para me ensinar a pensar, alguém que estará comigo para todo o amanhã.
Preciso ser guiado por novos caminhos, iguais, mas mais bonitos que os anteriores
E, finalmente, preciso de você sempre ao meu lado. Preciso que você me ame,
Preciso te amar, preciso que me ajude a traçar as linhas deste poema,
Caso contrário, o sol não nascerá pela manhã.

I Have Seen My Love


I have seen my love.
For a while I could softly run my fingers through her golden hair.
Could stop and look at her face, alone,
The most beautiful I had ever seen,
Yet, her ocean eyes could reflect how lovely she could be.
Her hands, so warm and small, touched mine
Just like our lips, in a slowly and tender kiss – out of space and out of time.
Her warmth, her laugh, her heart and our love,
So deep and quiet that she didn’t know we were already falling.
Her intelligence, flowing in her mind through innocent ways,
Makes (pure) all the things we see,
And I admire her smile, sublime, on sunny days.
Our chemical has many forms and transforms every different couple.
That’s why they fall in love. A love that would last forever,
If those reactions didn’t change.
Late at night, when I have visions of my angel, I come to her and watch her sleep.
I open my mind and make sweet dreams, the sweetest dreams to dream,
Just to be in love every morning.
In love with a lover so true,
A love which makes me happy,
A love so pure and beautiful,
That remains living,
Singing,
Being,
And loving,
Loving my love for you.

Dança das Nuvens


A dança das nuvens movimenta o mundo
E, por um momento, nos movemos ao admirá-la.
Olhe para cima, veja que lindos passos, relaxe
E se perca por um segundo.

A dança das nuvens passa com o dia
E segue até o final da noite
Num ciclo eterno sem volta
E ao vermos, nos inserimos,
Circulando nossas mentes em sua imensidão.

A dança das nuvens adquire formas
E forma imagens em nossas cabeças.
Olhe, contemple as viradas e voltas
E se iluda com a psicodélica sensação.

Catatonia



Dizem que tenho problemas
Os quais não são possíveis resolver.
Dizem que sou louco
E me ferem até me entristecer.
Dizem que meu mundo é paralelo
E que eu não vejo o amanhecer.
Dizem que o que vejo não existe
E que me matariam, se pudessem escolher.
Dizem que não penso
E que não vejo o que as pessoas vêem.
.................................
.................................
Dizem que paro por um instante e que depois volto a viver.
Dizem que meu corpo é pedra e que me enterrariam
Para que me vissem sofrer. Dizem que sou louco.
Dizem que não mereço estar em público.
Dizem que sou ocluso... e que não posso entender.
QUERO GRITAR! QUERO CHORAR! Mas a noite me cala...
O silêncio soa e eu me abstenho... me fecho em um canto para relaxar
E me tacham de louco! NÃO SOU LOUCO! Não posso ser...
Minha mente inquieta divaga e fico com raiva...
Não aguento essa pressão e só quero um pouco de carinho.
Não suporto isso tudo e me torno perigoso, agressivo.
Dizem que ... sou... louco... e que... paro...
Não... penso... me torno... lento... e caio.
.................................
.................................
Dizem que choro à noite e que de dia durmo um sono profundo
No qual meu mundo é uma superfície plana, cheias de árvores,
Como as que um dia sorriram para mim numa espécie de jogo.
Em minha mente vejo um reino cheio de pessoas paradas.
Crio casas e as dou lazer.
Crio felicidade a partir da minha e me entristeço por não as atender.
Em meu mundo penso, em meu mundo vou morrer.
Quando abro minha cabeça para as pessoas,
Dizem que sou louco, dizem que sou louco...
Sou louco? Não sou... mas
Da loucura vou viver.

Nada Rima Com Egocentrismo


Quando digo que meu passado me acompanha,
As pessoas insistem em compensá-lo com seus problemas.
Não estou reclamando, mas, se há algum tipo de dor,
A dor alheia não será a cura.

Além disso, não há preocupação contundente.
As pessoas não pensam nas outras - assim como eu,
Puramente egocêntrico nesse poema, onde as rimas, inexistentes
Dançam conforme a música da solidão e tristeza.

Cada comentário tem como base a vida da pessoa.
Caso contrário, ela insiste em falar que todos sentem o mesmo,
Fazendo assim com que eu sinta a invalidade dos meus problemas
E de mim mesmo.

Com o ápice do egocentrismo,
Cito alguns dos fatores que causam minha loucura e ira.
Não vejo como alguém pode suportar esses questionamentos
Sem que uma palavra sequer seja proferida.

Isolo-me a cada letra que sai de minha boca ou dedos
E me encontro num mundo pessoal,
Onde encaro os conselhos inúteis de conselheiros amadores,
Ou de pessoas que acham que estão fazendo o bem, quando estão fazendo o mal.

Os rostos antes tão frequentes e alegres,
Hoje sorriem isolados,
Observo todos com meu total desprezo.
Até os mais queridos já estão longe de mim

Apesar de me sentir sozinho e esquecido,
Agradeço por ser assim. Sem isso, tudo que crio e criei
Não existiria. Assim como esse poema,
O das rimas, supostamente, inexistentes.

Um Lugar Ao Sol


Não siga meus passos,
Não olhe de novo,
Siga em frente,
Não olhe para trás.

Não chore assim,
Não fique triste,
Continue caminhando,
Lembre-se de mim.

Não se isole,
Não desole,
Construa algo maior,
Algo melhor.

Escolha direito,
Escolha errado,
Viva em seu leito
Não morra cansado.

Apenas Ande, Ande, Ande até mim,
Chore, Chore, Chore,
Viva, Desole, Constrói
Um Lugar Ao Sol, enfim.

Psicose

Alucinações vêm a mim para ativar minha profunda psicose.
Minha mente, inquieta, pensa calmamente em minhas percepções,
Julgadas irreais e sem nexo.

Meus constantes delírios, causados por alguns distúrbios, como dizem,
Fazem com que minha mente adormeça e a loucura tome conta de minhas ações.
Assim, o mundo se torna sombrio e todos se voltam contra mim e minhas imaginações.

Minha psicose, acentuada em noites escuras, é o caminho para meu reino.
O reino do medo. Onde minha alma é fruto da realidade dos outros indivíduos
E onde minha melancolia é exaltada e repudiada, deixando-me em prantos,
Sem lembrar o que aconteceu.


Além disso, minha esquizofrenia, como dizem,
Faz com que meus transtornos venham à tona, ao léu, como digo,
E meu potencial intelectual é acionado.

Infelizmente, sou vítima da violência (e também seu causador)
Mato e agrido por prazer e, mesmo que a presa seja próxima,
Agrido sem que meu coração sinta qualquer dor.

Por fim, minhas alucinações vêm para ativar minha profunda psicose,
Minha mente, inquieta, pensa calmamente em minhas percepções,
E enlouqueço em total silêncio.

Alienação


Através da janela de vidro
Vejo o reino frenético
Das estátuas vivas.

Todas são jogadas pelas ruas, em silêncio,
Dentro de suas mentes fechadas,
Abraçando ideologias e se esquecendo
De como viver.

Ao olhar pela janela,
Vejo estátuas de vidro.
Inúmeras, consentindo,
Aceitando tudo, até morrer.

Rascunho


As páginas de minha vida, ainda rascunho,
Continuam vazias.
Não há inspiração e sentimentos,
Apenas minhas mãos frias.

Palavras que antes fluíam em minha mente,
Agora vagam por conta própria
E perdem seus significados para a indiferença imprudente.

As páginas de minha vida, ainda rascunho,
Permanecem em branco,
Sem traços de amor e meu amor,
Apenas minhas mãos, vazias e tristes.

Loucura


Palavras vêm à minha mente
E, toda vez que tento explicar,
Novas pessoas tentam fazer-me falar
O que elas significam.

Palavras não valem nada,
Não se pode trocá-las, vendê-las ou comprá-las,
Apenas proferi-las e julgá-las.
Palavras, portanto, são nada.
Elas servem para demonstrar sentimentos,
Tormentos e pensamentos,
Sonhos e momentos que revelam a imaginação do autor.

Nada mais nada menos,
Isso é apenas um desabafo do próprio entrando em agonia...
Um autor que pede para ser esquecido, mas amado
Um autor alegre, mas triste
Que vive da dor do passado
E que está conhece a loucura.

Sem Título


Escrevo palavras lindas,
Falo sobre o sentimento mais profundo,
Mas tudo é tão pouco...

Não há palavras suficientes para descrever o que sinto,
Garanto que, se houvessem, escrevê-las-ia para você.
Minto. Escreveria e depois mostraria todo meu amor

Até hoje, nunca havia demonstrado,
Mas está ficando tarde e seu coração está sendo domado.
Não por mim o que me entristece, e ao mesmo tempo me alegra,
Pois só quero vê-la feliz.

Se tivesse você ao meu lado,
Tenho certeza que o sentimento afloraria,
A pessoa mais triste sorriria
E até o mais cego nos veria,
Em meio ao amor.

É uma pena não a ter,
Pois lhe daria tudo o que posso dar
E amaria até não poder amar...
Mas não a tenho...
Só tenho palavras.

Surrealismo


O surrealismo das coisas me faz imaginar como o mundo foge de nossos olhos estáticos.
O surrealismo do mundo faz com que eu me sinta vivo e, ao mesmo tempo, perdido
Na imensidão do vazio abstrato, ou então, da arte surreal.

O surrealismo nativo dos tempos antigos, faz-me imaginar um passado distante,
Mas, conquanto imagine o passado já certo, desvendo o incerto a cada segundo
E só hei de parar, ao me dar conta de que minhas forças acabarão
E o surreal tomará conta de minha vida, fazendo assim com que me perca na ilusão
Criada por imagens sórdidas.

Preciso Estar Sozinho


Preciso estar sozinho para pensar.
Preciso estar sozinho para sorrir.
Preciso estar sozinho para viver.
Preciso estar sozinho para sonhar.

Preciso estar sozinho para ver o mundo.
Preciso estar sozinho para tudo.
Preciso estar sozinho para nada.
Preciso estar sozinho por um segundo.

Preciso estar sozinho para refletir.
Preciso estar sozinho para odiar.
Preciso estar sozinho para proteger.
Preciso estar sozinho para mentir.

Preciso estar sozinho para dizer
Que preciso estar sozinho para amar
E, se sozinho não estou, sozinha
Minha mente somente divagará.

Estás Linda Essa Noite


Não importa quantas vezes minhas palavras já foram ditas,
Não importa que não existam mais flores,
Que não haja mais canções ou sorrisos,
Que não existam amores.

Não importa quantas vezes minhas palavras são ditas,
Estás linda essa noite, e nada mais importa.
Repetirei meu amor, pois não nos veremos de novo.
Não importa... nada importa, apenas nós dois.

Não importa quantas vezes minhas palavras serão ditas,
Não importa que te canses, que não ligues...
Estás linda essa noite, mesmo sem poder vê-la
E, por isso mesmo a amo.

Sinto


Sinto frio,
Sinto a dor,
Sinto pena,
Sinto tudo,
Sinto o mundo,
Sinto o fundo,
Sinto coisas,
Sinto a música,
Sinto objetos,
Sinto vibrações,
Sinto calor,
Sinto o amor,
Sinto abraços,
Inspirações,
Sinto o mar,
Sinto o vento,
Sinto pensamentos,
Sinto sonhos,
Sinto momentos,
E minto.
............................
Não sinto tanto,
Sinto muito...