quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Melancolia - O Reino que Criei

Descobri na noite algo que, de certa forma, alimenta minha solitude.
O silêncio que admiro tanto também é encontrado
E ele me acalma... ele me ilude,
Pois os espíritos que evacuam meu corpo gritam...
E minha própria alma repudia minha existência

                                                             - intensamente abalada.

Vejo sombras! Vejo a escuridão em tudo...
Não há luz, meu sol é negro...
Tudo que tenho são lágrimas e dor.
Sou enigma, sou criação do medo
Que eu mesmo criei.

                                                             -Não tenho nada, nem a mim.

Desejo encontrar a chave para todas as portas que me compõem.
Desejo viver normalmente e alegremente, como faz a maioria.
Desejo sair do labirinto que criei dentro de mim
E me libertar dos pesadelos que sempre me acompanharam.
Por fim, desejo estar livre do pior espírito... aquele que não me abandona:

                                                             - eu mesmo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Globalização

A globalização não cria uma linguagem universal.
Não da forma como alguns pregam.
É certo que a influência imposta por todos, seja na cultura,
Na política, religião, etc
É indispensável, inerente à forma como vivemos - em rede.
Mesmo assim, uma linguagem universal única é mito.
As linguagens regionais e nacionais se mantém,
O que muda é que, ao passo que há o resguardo de tradições,
É deixada de lado a visão da mesma.
Por exemplo, possuímos costumes,
- Somos os supostos donos do futebol.
Ao passo que outros países desenvolvem isso,
Vamos perdendo esse prestígio mundial, mas não o costume, a tradição.
Ainda somos os donos do futebol, mas as pessoas deixam de ter essa visão
Sobre nós.

A globalização não cria uma linguagem única.
Ela cria formas de se conectar.
Ela cria novos jeitos de se ambientar
Ao Novo Mundo - a era das redes.


Ponto de Vista

Nada existe
Tudo é símbolo
Para descrever conjuntos.

Se sou eu mesmo, sou por causa do que me compõe
E não sou, simplesmente, por ser algo.
Se sou algo, sou uma série de coisas,
Criando assim um infinito que nos apõe.



domingo, 28 de outubro de 2012

Estrada Vazia

Às vezes olho pela janela e penso: queria ter um amor.
Chego a imaginar e a sentir tudo o que é amar,
Mas não tenho alguém...
Estou sozinho.

Continuo divagando com meus olhos e não encontro outrem.
Não há pessoas na imensa estrada que chamo de coração.
E ainda assim, há espaço para todo o mundo.
Há espaço para amar, simplesmente, dentro do amor ardente
Que o amor guardou em mim.

Trovões Em Mim

Os trovões da noite ecoam em meus ouvidos
E não consigo escrever.
Se pelo menos pudesse me prevenir,
Se pelo menos pudesse me concentrar...

Os trovões são multidões,
São as palavras que jogamos pro alto
E nos esquecemos de buscar.

Trovões em minha mente...
Será que são trovões?
Será que o que ouço realmente soa?

Os trovões da noite ecoam em meus ouvidos
E não consigo escrever.
Se pelo menos pudesse pensar
Nas coisas belas que poderia criar...

Poética da Revolta

Política deve ser um tipo de brincadeira que, depois de feita,
É esquecida até a próxima vez de brincar.
Os seres que se tornam politizados em cada eleição
São subordinados aos líderes, que são os organizadores da diversão.

Todos riem no final
E todos estão muito bem,
Obrigado.

I

É muito fácil encontrar um amor.
Difícil é encontrar um verdadeiro,
Um que valha a pena.

É muito fácil livrar-se da dor.
Difícil é perder parte de si mesmo
E construir um novo eu depois.

É muito fácil encontrar-me.
Difícil é encontrar-me por dentro,
Em meio a tantas portas fechadas.

II

Escrevo poemas sem título
Para que alguém se identifique
E atribua o nome que desejar.

Escrevo versos vãos
Para que alguém os modifique
E ache algum significado.

Escrevo pouco
Para que acabe logo,
Antes que percebam
Que o que escrevo
Sou eu em palavras.

III

Não sei se amo de verdade.
Quando sinto que amo,
Tudo é uma mentira inventada por mim.
Sou um exemplo do Fingidor - o poeta Pessoa.
Sou um exemplo de indecisão e de enigma:
Não sei o que sou, nem se sou
E quando acho que sou,
Deixo de ser.

sábado, 27 de outubro de 2012

Anticonformismo

Luto pelas causas que causam tanta esperança em mim.
Muitos temem que eu tenha sucesso,
Outros torcem por meu esforço.

- Se um dia tudo der certo, que bom.
Se não, uma pena...

Prefiro a tentativa
- Refuto a abstenção.

Inutilidade do Rebuscado


Facínora, rubor, rudeza, libreto, limítrofe, purulento,
Mandinga, debutar, benquisto, mandamento.
et cetara.

É tudo a mesma coisa
E nada se aplica.

Fluxo

Os anjos lúgubres me envolvem enquanto escrevo a poesia que consideram poesia.
Não estou sozinho em minha sala, cozinha ou quarto.
Sou apenas uma alma guiada por outras
E sou apenas mais um, seja quando vivo, seja quando parto
Em busca de alguma coisa que alimente minha melancolia.

Realmente, encontro o que preciso nesses anjos, que não são uma crença,
Encontro um abrigo e companhia... eles me suportam em meio à solidão.
Não temo e não há o que temer,
Apenas quando lhe fazem de bobo, enganam-lhe
E tudo o que prezam é ver-lhe sofrer.

Quando querem, fazem com que a agonia sufoque nossos corpos cheios de mágoas.
Eles querem nossas lágrimas e nossa dor! Querem que nossa depressão tome total controle
De tudo o que somos e tudo que desejamos.

A MORTE!
Sim, a morte é a vida disfarçada por asas!
Esses anjos nos observam enquanto comemos e cantamos,
Enquanto estamos usando o computador...
Mas ignoramos, sem perceber, a horrível presença deles!

Quando querem, fazem-nos sofrer, sem dúvida.
Queimam nossas memórias, nossos sentimentos mais bonitos
Para que se alimentem... para que vivam em nossos medos e ilusões.

Nunca estamos sozinhos, afinal.
Somos servos da diabólica e infernal companhia de nossos amigos mortos.
Eles estão por aqui sim! Eles querem derramar o sangue que tanto anseiam!
Eles querem a VIDA, coisa que não sabemos se usamos direito.
Não para eles... eles querem que nossos corpos ardam no fogo do inferno
E façam deles seres eternos - seres dignos.

Os anjos tortos, que me invadem em minhas horas de agonia, desfalecem-me
E corroem-me por dentro e já não sou como era antes...
Sou um deles...
Sou mais um que mata pela vida...
SOU MAIS UM LOUCO QUE PERMEIA O FLUXO DA MELANCOLIA.

E mesmo depois de tudo,

Continuo parte de um sonho.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desimportância

O Homem não pensa
Não de todo
Não vê fora de si.
Quando pensa
Ou tenta pensar
O Homem não enxerga
Que só pensa
Para desconstruir
O que construiu.
Filósofos
Sociólogos
E demais pensadores
Investem suas vidas
Para tentar fazer
Com que
A sociedade
Invista em soluções
Para problemas
De caráter
Antropológico
Enquanto o resto desfruta
Da suposta
Desimportância,
Que é atribuída
Por eles
A tudo.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Poética do Mundo

A tecnologia roubou minha criatividade
E, sob seu efeito, passei a viver do ócio.
A música não mais ecoa pelas salas que guardo em mim
E a poesia já não é lida ou escrita por minha mente.

Não tenho tempo, pois tempo simplesmente não há.
Não encontro as pessoas, vivo ocupado
E quem sofre? Eu, em primeiro lugar,
Depois, vem minha imaginação.

O que tenho criado?
Como tenho criado?
Como fazer as pessoas refletirem?
Como fazê-las atribuir um poema a suas vidas?

Fiz-me político, fiz-me poeta e humanista,
Nada adiantou, todavia.
Não penso, não crio!
Sou um fantoche a serviço de qualquer um.

Sou a cara da negligência,
Sou fruto de minha impaciência e hiperatividade.
Levanto a bandeira dos pragmáticos
- Sou nossa moderna sociedade.

Poética das Cores

Será que as cores que vemos,
Se são iguais,
São iguais a todos?
Será que não é o nome,
A denominação,
O que as torna comuns?
Será que os bobos não vêem
Que cores
São cores,
Não pessoas?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Crítica ao Amor

Enganei-me.
O amor, que tanto defendi, não existe.
É apenas uma forma, uma representação poética
Para a esperança.

Ele é a solução, é a vida,
É a única forma de viver - aos olhos do poeta.
Eu estava errado, pois nem todos fazem poéticas,
Portanto, devo corrigir-me, aplicando um conceito universal.

O amor não existe e, talvez, nunca tenha existido.
É certo que há gestos amorosos, como o beijo,
Mas o amor em si é uma mentira.
É a forma mais bonita de dar um alento ao mundo
- só que é criada, todavia.

Talvez vejamos tudo como sempre foi
E nunca tenha havido uma revolução, uma mudança de comportamento.
Talvez eu esteja errado mais uma vez
E o fato do amor ser corriqueiro demais esteja causando um descontentamento.
- Mas não aceito críticas de enfeitiçados
                                                                 
                                                                   - antigos e novos amantes.

Profundeza

Não guardo-lhe em minha memória para não esquecê-la;
Guardo-lhe em meu coração,
Porque, dessa forma, seu amor infindável
Perdurará sem que se torne ilusão.

domingo, 21 de outubro de 2012

Se Ela Soubesse...

Criei o Amor, porque não sabia mais como sentir...
Mas falhei, pois o mesmo já é insuficiente para explicar todo meu amor.

Se ela soubesse que sonho todas as noites com seu sorriso...
Se ela soubesse que sempre escrevo para ela...

Minha mente já não se ocupa tanto...
Já não sei por onde andar...

Mas meu amor é o maior do mundo,
Então, que me deixe continuar a amar.




Se ela soubesse que, para mim, ela é todo amor do mundo...

sábado, 20 de outubro de 2012

Revolução

A escravidão ainda existe.
Todos estamos aprisionados em uma bolha
Que se chama mídia, e/ou capitalismo.
Somos escravos do dinheiro e da ostentação.
Somos escravos de nós mesmos,
Da ignorância, da abstenção
De qualquer forma de crítica e pensamento.

A escravidão existe e ninguém se preocupa.
É um regime silencioso, quase imperceptível,
Que, aos poucos, toma conta da mente, da cognição
Transformando-nos em marionetes do Poder.

ACORDE E LUTE.
O povo pode fazer justiça, mas prefere se calar.
VAMOS ÀS RUAS, LUTEMOS POR NÓS MESMOS!
LUTE, ACORDE, VIVA.

Volto ao Deus comum a todas as religiões: o dinheiro.
Louvem as pessoas, nãos os deuses, em especial o Monetário;
Louvem uma causa, não um programa, um divertimento.
O indivíduo prefere arrecadar a dividir; prefere roubar a trabalhar, o lazer a viver.
Não há algo a se conquistar, apenas o materialismo, que evolui cada vez mais.
A burguesia conquistou tudo e se acomodou!

Se as pessoas fossem o centro...
Se o dinheiro valesse menos...
Se o povo fosse dono de si...
Se a escravidão acabasse...
Se as pessoas deixassem suas paixões
E momentos de lazer, pelo menos uma vez na vida...

Se quiserem uma revolução, serei seu líder...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Poética do Mar

És a noite e o dia,
A aurora e o luar.
És, minha amada,
A beleza; és o mar.

És a imensa película que me envolve,
És essa torrente repleta de anseios e vida,
És o azul e a resplandecência que vejo,
És o mar do coração, divina querida.

És a rocha e o barco,
Horizonte, teu afagar.
És a estrada de água
Que insisto em navegar.

És meu abrigo em meio a tempestade,
És o suave ondular que me guia e ordena,
És o silêncio de meus medos
És a voz que a meus erros condena.

És o verão e o outono,
A primavera, minha flor,
És um mar vivo de alma,
És um alento a meu amor.

Labirinto

Divago pelo labirinto de minha existência,
Onde tudo é treva e tudo é luz.
Sou a amplidão do ser na vastidão do mundo,
No qual criei - a miséria flux.
No âmago de minha solidão errante,
Criei o amor com o qual tudo inundo
Sou poeta, a alma da vida num corpo morto
E se crio o que vêem distante
É para sentir-me em algum paraíso oriundo.

Nada é findo, exceto o luto alheio que anuncio
Para que minha morte seja adiada e meu viver tardio.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Poética do Amor

Quero escrever as histórias mais bonitas
Para descrever uma fração do que teu amor representa para mim.
És mulher, és meu amor
E, para meu coração, és todo o amor que existe no mundo.

Quero escrever todos os poemas, as mais lindas palavras
Para tentar traduzir o que vejo e o que sinto.
És tudo, és o amor
És tudo para mim, meu amor.

Poderia passar a vida inteira relatando sonhos,
Relatando instantes que imaginei
Amando-te e querendo-te,

Mas nada é como o que fiz e faço para ter-te,
Nada é como o amor que sinto com um simples olhar...
E, todas as noites, penso - penso em novas formas de te amar.

Poética da Percepção

Tudo pode ser inspiração para um poeta atento.
Pode-se criar coisas simples,
Coisas bobas, mas profundas e complexas em sentido.

Posso comparar-me a um estojo, que guarda objetos
Como meu coração sentimentos.
Ambos podem ser abertos,
Mas estão fechados para que não percam
O que neles está contido.

Posso comparar-me ao céu, que é repleto de nuvens,
Mas as nuvens não são o que são...
Mal percebemos suas formas, que criamos em nossa mente,
Assim como o céu, que nos ilude com sua cor e grandeza,
Impedindo o ego humano a ultrapassá-lo.

Tudo pode ser personificado para um poeta atento.
Pode-se caracterizar de qualquer forma
E formar poemas bobos, infantis - extremamente complexos em sentido e percepções.

Poética da Metamorfose

Não vi o que vi, Vivi.
Não cantei as letras conforme a sequência,
Não imaginei, vi a realidade como criei
E nela, ah, nela vivi.

Não assisti as coisas, mas suas metamorfoses.
Não pensei no que refleti
E, por minha mente aberta,
Não vi o que vi, apenas vivi.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Os Olhos Que Nos Vêem Estão Fechados

Os que passam por meus olhos não me enxergam mais.
Eles vêem, eles ouvem e eles sentem,
Mas apenas o que seus mundos pessoais reservam para si.

Poderia ter sido um mentor, um professor, um guia.
Poderia ter sido um amor, a felicidade, a melancolia.

Os que passaram por mim se foram e, ingratos,
Não olharam para trás - seguiram seus caminhos individuais,
Mas sem um abrigo, sem seu conselheiro, seu amigo.

Poderia reclamar disso, mas todos o fazem,
Todos somos malditos que não merecem compaixão.

Quem agradece um colega por estar presente em nossas vidas?
Quem agradece um conhecido por estar ali, naquele momento?
Salvo exceções, ninguém. Até que são tirados de nós,

Seja por morte, pela distância,
Ou apenas por reconhecer que nunca foi  valorizado.

Excluo-me, sem dúvida alguma.
Excluo-me e não me importo com a solidão momentânea.
Excluo-me para refletir sobre mim e escrever coisás-pessoas, complicadas, mas nem tanto.

Complicadas as relações dos indivíduos e das palavras:
Ou estão em perfeita sintonia, ou se perdem em caos.

Essa relação problemática é consequência de uma mente ideologicamente fragilizada
- Não por causa da pessoa, mas pela ideia,
Por causa da fragilidade do sistema no qual ela está inserida.

Ainda assim, a valorização do próximo deveria ser mais contundente, assim como o amor,
Que deveria existir no Ser, não sendo um sentimento qualquer, que pode ser substituído.

domingo, 14 de outubro de 2012

Falta

Os pássaros cantam desafinados
E o vento já não bate com tanta força.
As árvores caíram
A chuva cessou...
Nada é o mesmo, apenas nós dois,
E, ainda assim, mudamos.

Os carros passam vazios,
E os sinos tocam silenciosos.
As asas que inventei sumiram
A música acabou...
Deixei de ser em mim para ser eu mesmo
E meu coração agora bate sem amor.


sábado, 13 de outubro de 2012

Dia das Crianças

Não comemoro o dia das crianças, porque todo mundo tem seu lado infantil.
Porém, é um dia em que pessoas deixam de ser pessoas,
Para que se tornem, mais uma vez, crianças, de fato.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Schubert, Liszt & Bach

Toca a Toccata de J. S. Bach para calar os presentes na sala de estar.
Em seguida, todos prestam atenção no órgão que soa ao longe,
Esperando para expandir suas notas de agonia
Dentro da mente das pessoas.
F. P. Schubert toca sua música-poesia, esclarecida e traduzida por Franz Liszt
Como a mais poética e improvisada que existiu.
Soam os acordes, soa a melodia
E os presentes se deliciam com o sabor de sua música,
O encanto da espontaneidade e sonoridade
Que acariciam os ouvidos humanos
Com seus toques divinos - o  da Toccata,
O da Sinfonia Incompleta e também do fabuloso Liebestraum,
- E que invadem seus tímpanos de diferentes formas,
Todas com aroma de genialidade.

Campos de Concentração

Viajo para os campos de concentração de minha mente,
Onde uma memória substitui a outra
Em uma guerra travada por mim, contra mim,
Na qual os membros que sustentam a cabeça-mãe
São arrancados e jogados em um cesto de lixo,
Assim como eu para com o mundo:
Totalmente petrificado, totalmente indolente.

Viajo e me perco, torno-me apenas história,
Torno-me servo de meus pensamentos,
De minha profunda e intensa melancolia.
Sou um soldado, sou a arma e a barreira...
Sou o quartel, as fardas, a bandeira...
Sou tudo, mas tudo é nada,
Nada para mim.

Viajo para os campos, para minha maldição,
Onde meu corpo é estátua
E por causa de meu bronze, descubro a solidão.
Sou enigma, sou esfinge, sou mar, sou um rio.
Sou um morto que vive e um vivo que morreu
Para sempre, dentro de seu pessoal e eterno vazio.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Meu Aniversário


Meu aniversário chega para comprovar que somos livros.
Somos páginas que são viradas conforme lemos.
Somos histórias que contamos para seres que vemos,
Mas não conhecemos, não foram, por nós, lidos.
Amanhã um novo capítulo será escrito
E novas pessoas virão a lê-lo,
Todavia, como escritor do mesmo,
Só eu saberei quais foram as inspirações
E só eu virei a sê-lo,
Assim como fui (e serei muitos outros,
Que serão escritos em sequência).

Meu aniversário chega para comprovar que somos livros.
Somos páginas viradas conforme lemos.
Somos histórias que contamos para as pessoas que vemos,
Mas tudo é letra, podem ser criadas de novo, afinal,
Tudo é como escrevemos.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Agonia

O tempo que passa não é igual para mim. Vejo tudo depressa:
E as casa que passam com meu andar
São apenas borrões coloridos, como fotografias em movimento.
As pessoas não existem para mim
Só existe a luz deformada por meus olhos apressados.

O tempo que passa... e nem sei se passa, realmente,
É diferente dentro do poeta.
Tudo é rápido, tudo é perdido,
Como os detalhes, que os outros tempos perdem
Por viver ao léu, por não ter vivido.

O tempo passa, mas não sei se passo.
O caminho é vazio, eu sou vazio
E, a todo instante corrido,
Sinto frio! Sinto medo!
Estou sozinho, varrido, por minha agonia.

O tempo passa, entretanto, me passou.
Vejo tudo em fios brilhantes, embaçados...
Tudo vago, tudo vão...
Não existo para mim, pois, quando olho no espelho,
Nem mesmo eu escapo de minha intensa distorção.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Poética da Fase

Poetas são fases,
Assim como pessoas,
Assim como tudo.
A metamorfose constrói a vida
E impede que poetas morram,
Assim como poemas,
Assim como o mundo.

Poetas são faces
E a que me encontro é mais uma que assumo...
Sou breve, mas não sou mudo,
Sou lacônico, mas respondo...
Assim como poetas, que são fases!
Assim como minha atual poética.

O Travesseiro

O travesseiro que deixei no hotel me abandonou.
Em nossas longas noites, foi o único que me acompanhou
Mas, em breves segundos, despedi-me como se nunca estivesse estado ali.

O travesseiro, meu companheiro de sonhos e sonos
Escapou de mim e nada me resta,
Seria melhor matar, seria melhor morrer, mas NÃO!


- Vou comprar um novo.

O Violão

Anuncias o estrondoso dedilhado que tocas em meu coração,
Como se fosse música,
Como se fosse fruto de nossas mentes,
Ligadas pelo amor ardente
E não por um braço de madeira.
Teu braço, violão.

domingo, 7 de outubro de 2012

As Tristes Histórias da Senhora e do Menino

Em meus sonetos invertidos, encontro a criança que chorava ao atravessar a rua,
Pois um carro passou rápido demais e o pobre garoto teve que soltar a mão de sua mãe,
A qual pegou carona com o motorista... e nunca mais voltou.

Em meus versos assimétricos escondo a história de uma senhora
Que passeava com seu cachorro enquanto a manhã surgia,
Mas a noite chegou e com ela vieram as estrelas... mais uma naquela noite.

Escrevo as breves histórias da criança e da senhora, porque
As duas me deram bom dia na semana passada,
Mas passei reto, não tinha ouvido as vozes sem força...
Uma pena.

Talvez, se eu tivesse parado e dado atenção a elas,
O carro já teria passado e o cachorro perderia a vontade de passear.
Mas, naquela triste manhã, o céu ganhou dois pequenos brilhos
Para que, os que se foram, não deixassem de lhes guiar.

Arraste-se Para Seu Inferno Com Seus Padrões

Como odeio as formas padronizadas
Que as pessoas que tanto lutam seguir.
Como odeio a discriminação contra os que não as seguem
E como odeio os que impõem esse tipo de vida
Aos que querem ser o que são - um não-modelo.

Sou o que sou, não o que você é.
Quero ter o direito de sonhar
Não a obrigação de ser o que sonharam
E o que desejam para si mesmos,
Mas, muitas vezes, não conseguem realizar.

Quero que todos que não me acham bom o suficiente
- apenas por não ser esse projeto -
Sejam levados a seus infernos pessoais - o que entendem por esse lugar -
E que lá aprendam que não deveriam ter aprendido
Os métodos da arte preconceituosa de julgar.

Poética do Hoje

Hoje é hoje, pois existe Ontem e Amanhã.
Amanhã será Hoje, assim como Ontem foi o mesmo.
Portanto, Hoje é Ontem e Amanhã, bem como os outros são os outros
E todos são todos em todas as formas que forem pensadas.

Se Pudesse o Faria

Se pudesse, voaria para onde o vento me convida.
Viveria uma vida melhor e mais profunda,
Isenta de inteligência
E tomada pela pureza e ausência de pensamento,
Causas de minha petrificação.

Se pudesse, andaria por estradas vazias.
Encheria-nas de mim mesmo
E depois morreria ali,
Em meio ao asfalto quente, em meio ao nada,
Em meio a um buraco num mapa rasgado,
Como é meu coração.

Se pudesse, despedir-me-ia de minha melancolia.
Viveria fora de um corpo que vive, mas está morto,
Enterrado em si próprio,
Aguardando alguma coisa que, enfim,
O livre de sua eterna maldição.

sábado, 6 de outubro de 2012

Poética da Não-Simetria

Nunca escrevi sobre amor
- Digo isso, pois ele não existe nos versos da não-simetria.
São apenas palavras...
O amor é bem maior...
Bem maior em mim do que em meus poemas,
Em minha poesia.

Pode-se dizer que nunca falei nada,
Apenas escrevi...
Mas, como poeta,
Fiz as pessoas refletirem
Sobre o que é o amor,
O que é a simplicidade da poesia, etc.

Teu Sorriso

Teu sorriso inocente é apenas uma máscara que vestes
Para que seja proibido ver
As coisas que escondes em tua mente,
As coisas que farias e fizeste
Para que meus olhos poéticos
Não tivessem o que escrever.

Teu sorriso inocente é um vasto mundo,
No qual aprendo a amar todo dia
- As coisas que me tornam presente
Nas coisas que fazes e fizeste
Para que meus olhos apaixonados
Cantassem para teu amor, tua melodia.

Teu sorriso inocente é apenas uma máscara que aceito vestir,
Para que eu seja permitido a ver
As coisas que me fazem diferente,
E as coisas que me fazem te amar,
Assim como meus olhos, que, sozinhos,
Têm teu amor, para tentar encontrar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Limitação

Não ouço além dos meus ouvidos,
Não enxergo além de meus olhos
E não interpreto além de minha cognição.

Tudo que sinto e presencio é pouco,
Tudo que considero complexo é vago
E vaga é a complexidade da imensidão.

O mundo é pouco em mim e muito no mundo,
O mundo não é ao acaso, nem projetado,
Mas é projeto e fruto de minha limitação.

Multilateralidade

O meu não é o do outro,
Que não é de outro
E também não é seu.

O seu é único,
Assim como o do outro,
E, de outro, outro, meu.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Orgulho de Ser Brasileiro

Não existe amor ao Brasil
- Exceto em jogos esportivos... e naquelas.

Concordo. O brasileiro é um vagabundo que senta em seu sofá e vê o mundo girar para si mesmo.
O brasileiro é um fanático ignorante e, além de tudo, BRASILEIRO! (pleonasmo triplo).
Não se pode vestir uma camisa diferente,
Não se pode deixar de crer em algo comum.

Concordo com os dois primeiros versos.
O pobre brasileiro é burguês de pensamento!
Conforma-se, pois não há com que se preocupar - aos olhos tampados por sua alienação
Ou então, cerrados por sua nacionalidade, simplesmente.

Concordo que há muitas coisas belas em nosso país,
Mas são ofuscadas por tanta sujeira.
Já está na hora de MUDARMOS, não de esperarmos alguém mudar e limpar
As lentes com as quais vemos nosso mundo.

Concordo também que nem todos são assim,
Mas juntos somos Brasil e juntos somos convictos de nosso fanatismo.
Sou brasileiro, um subordinado!
Assim como os que compõem o que chamamos de país.

Não existe amor ao Brasil
- Exceto em jogos esportivos
- Exceto em sonhos
- Exceto na ilusão de quem vive a mentira que é ser brasileiro.

Somos filhos do caos, da corrupção, das ofensas por nada, da violência e da podridão.
Mas tudo isso existe, porque, além de filhos, somos seus pais,
Perpetuando esses problemas em nossa sociedade
De forma que qualquer tentativa de restauração é imediatamente bombardeada.

Uma das maiores economias do mundo e uma das menores cabeças, sem dúvida...
Espere! Ordem e Progresso! Olhe! VEJA!
Ah não, era apenas mais uma bandeira, uma brincadeira de criança talvez...
Nada muito sério.