segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Novo Ano Novo

É carnaval em todas as conversas
Que se tornaram inteiras numa toada
Para as pessoas diversas
Que, partindo delas, se tornaram amadas.

É Natal e ano novo em todos os lugares
Que se dizem inteiros ou vulgares.
É Páscoa e dia da bandeira
É tudo uma imensa zona de suave brincadeira.

Anos vão e vem, mas continuamos os mesmos,
E, ainda assim, nos fazemos diferentes a cada dia.
Não há destino, não há valor a esmo
A vida é toda planejada, a vida é uma sorte fria.

Mas o que é que tanto nos perturba?
Quais são nossos sonhos escondidos
Que nem virão a ser sonhos
Muito menos inimigos
                                 - de nossa própria sorte?

                                                             Onde foram depositados?
               
Resposta não há
Ano velho não há
                              E neste ano novo que agora vem até mim,
                              Que se crie compaixão e amizade.
                              Que o amor se valha enfim
                              Sem qualquer anomalia de ordem,
                              Sem medo e crueldade.

Que o amor domine a todos nós
Para que possamos conviver com pobres e ricos;
Para que sejamos únicos em meio a multidão sem voz,
Em meio às diferenças indiferentes de nossa incrível sociedade.
                       
                                                                                            Que o homem não seja aleto
                                                                     Mas que pense em segredo
                                                    Em um dia secreto
                                                                    (Para nós ainda)
                                                                                No qual o que surge do imediato decreto
                                                                                                  Seja um breve e eterno fazer.
                                                                                               
E se todas as coisas que desejamos não derem certo,
Que venha um próximo ano de esperanças
Para nos fazer crescer
- Não do sucesso,
Mas de nossa momentânea queda,
            nosso extenso aprender.

                                                                    Hoje os relógios pararão por um segundo
                                                                    E o tempo que já não é
                                                                    Verá um novo ano passar.

                          Hoje a harmonia contempla o mundo
                          E o - dito - mundo que nada quer
                          Espera ansiosamente por algo que realmente
                                                                               O faça querer mudar.
                                                                         

sábado, 29 de dezembro de 2012

Vazio

Não sinto mais o mesmo de outrora.
O tempo passou e todos os meus sentidos foram afetados.
Pode ser o começo de um bloqueio,
Pode ser a morte criativa que um dia viria para me tornar Rimbaud,
O jovem poeta
Que foi poeta até falar tudo o que o vinha à mente.

Não sinto mais o amor que vinha me alegrar em todos os sonhos:
Dos menores - aqueles que sonhei por sonhar,
Como alguns poemas que fiz;
Aos maiores - como todas aquelas utopias que vivi...
Fossem políticas - como o jovem que iria mudar o mundo!
Fossem amorosas - como o maior amante, o Poetinha mais amoroso que qualquer um;
Fossem poéticas... fossem algo.

Caí no declínio por falta de imaginação,
O que significa que estou crescendo...
Ficando mais maduro e perdendo
Toda aquela criatividade infantil - perpétua! - até hoje.

Não sinto mais a morte ou a vida que sempre se opuseram a mim,
Fazendo um ziguezague, variando melancolia alegre e minha triste alegria.

Não sinto mais e jamais sinto desde que nada senti
Ao ver meu amor passar,
Ao ver minhas memórias no passado,
Ao ver meus amigos morrerem ao meu lado...

E agora escrevo novamente,
Mas escrevo por escrever...

Para ver se o vazio que me preenche
Vem o papel preencher.

Analepsia

O que está fazendo aí?
Vamos, desça!
Venha me encontrar,
Até que meu amor desapareça
De nossa simples existência.

É fácil perceber tudo o que vemos,
Então esqueça,
Venha dançar
Para que meu amor anoiteça
O que pousa em outro breve amar.

Distrações

As gotas de chuva que lhe trazem até mim
São distrações para nos perdermos
Nos espaços ocultos em nossas mentes,
Os quais chamamos de jardins,
Onde as flores que nascem
São sonhos não vividos;
São borboletas que voam em paz
Batendo de porta em porta
Tentando encontrar algum lugar tranquilo
Para contar as estrelas que caem
Enquanto fazemos o céu sobre nós.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bandeirada

A humanidade não é minha.
A humanidade não é        
A humanidade não            
A humanidade                  
A humana                      O ego    
idade                        Toma conta
não.                         Do que conta
A humana                  Com o ego
A humanidade                            
A humanidade não                      
A humanidade não é                    A humanidade não é
A humanidade não é uma.                           A humanidade não é sua.

Praia do Casco

Nas conchas que revestem o solo dourado
Da praia do Casco,
Um bichinho patina em sua giganteza
Todo dentro de si,
Preenchido pelo asco
                  para se proteger dos perigos que assolam o solo da praia.

Nas conchas que revestem o solo dourado não há nada significante
Para quem não sabe o que significa explorar,
Mas até o bichinho com suas seis patas e sua pequena imensidão
Se aventura no desconhecido...
                                        É claro,
                                        não é homem para temer o que não conhece...

É bicho como todo bicho
                       Que se esconde em seu abrigo...

                                        Em sua concha, em seus cascos,
                                                                                       seus casacos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

IV

Amo um amor dourado,
Que é para o meu
Como um outro palpitado,
Um outro sonho, um outro coração.

E é também a eterna poesia
De um dia sem fim,
Que é por ser apenas,
Sem motivo ou circunstância,
Para um amor livre de razão.

Surpresa Natalina

O vigia ali da frente comeu mais do que todos.

O cidadão passava por aqui,
Dava uma olhada...
Voltava,
Espiava a casa ao lado...

Mas não tinha nada de errado!
Era noite de Natal!

                                      Lá pela 1h da manhã do dia 25 de dezembro,
                                      Seu Léo atravessava a rua enquanto todos festejavam.
                                      Tinha um ritmo acelerado
(de mais ou menos duas travessias por minuto),
                                      Indo de uma casa a outra e voltando carregado.

Passou por aqui, levou um pratinho cheio e um copo de Guaraná...


Ainda não me conformo
Dele ter comido mais do que todos nós...

Ano que vem serei segurança!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ecce Ecce Homo

I

As fraquezas dos outros são motivo de minha grandeza,
Mas não se engane, posso não ser o melhor hoje, muito menos amanhã,
- Gigante é o que faz da miséria de sua existência
Um deleite para os outros.
Portanto, arrisco dizer que sou o que sou, pois me fiz assim,
Sem ajuda, solitário, sem precisar de qualquer apoio, até o momento,
E me criei como poucos o fizeram,
Como obra inigualável, um centro do universo,
Uma gama de talentos.

II

Desafio os grandes como eu, apenas, ou maiores,
Caso contrário, meu esforço não valeria a pena
E me cansaria por culpa dos menores.

Entrar em guerra e saber que já ganhou é a pior das vitórias.
Não suporto vanglória de quem vence o derrotado.

Desafio a me criticarem! E os ouvirei com prazer,
Para que, depois, possa acabar com seus argumentos
De forma a humilhá-los,
Mas não intencionalmente... minhas palavras os atordoariam
Por serem deveras poderosas e de suma relevância.

III

E não há mortal ou divino que se atreva a me espantar do arranha-céu de meu ego,
De minha intensa inteligência e lembrança
E também de minha perseverança e genialidade para tudo que me for requisitado.

Minhas fraquezas, muito poucas, são motivo de orgulho,
Pois são o que me mantém humano
Em meio à natureza divina que me foi dada
- Talvez por algum santo ou arcanjo que me venerasse.

Todavia,
Meu ego me abala algumas vezes.
Não entendo como não entendem que me enalteço, porque sou bom.
De forma alguma quero diminuir alguém,

Se não há maldade, não vejo razão para me privar do valor o qual mereço.

Fulano se diz melhor que eu,
Problema é dele.
Eu sou eu,
Sou poderoso, orgulhoso e firme
Como um monumento ou qualquer outra coisa
Que faça alusão a mim...


IV

E Ecce Homo!

                 O homem intrínseco ao homem,
                                 O homem ao avesso!
O homem associal, em seu mundo,
Em sua ampla bolha de profunda vaidade


- Homem que é melhor do que o homem em si.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Conversa Entre Amigos

No bar da Duque com a Sebastião
Sentei-me à mesa disposta na horizontal,
De frente para o mar,
Com meu amigo Jesus.

- O que cê vai bebê, Jesus?

- Ah, me vê uma cerveja, seu garçom.
- Não tem não, senhor.
- Jesus, você tá dirigindo! E beber faz mal. Me vê duas águas, por favor.
- Água. Tudo bem, sem gelo.

O garçom foi buscar.
E o mesmo voltou.

- Aqui. Duas águas, né?
-Isso mesmo.
                      Foi-se novamente.

- Já volto, vou ao banheiro, Jesus.
-Ok.

Fiquei ali um tempo, fazendo hora,
Pois Jesus não era de bom papo,
Mas voltei depois de alguns  minutos.

Quando cheguei o desespero tomou conta de mim!
Jesus caído!
Um ser sem qualquer noção de ética e tino!

Cheguei e avistei quinze garrafas de água jogadas no chão,
Ao lado do meu amigo, estirado,
Todo sujo e molhado...
Com cheiro de uvas...
Cheiro de vinho!

Jesus, safado tinha poderes,
Jesus divino!

Agora é só uma lembrança daquele ser, ex-amigo,
Que jaz em paz,
Assim como a conta em cima da mesa,
A water bill que agora tenho que pagar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Alameda Dionísio Bentes, 33

Antes descansava
                  Ao cair da noite
Em nossos olhinhos pesados.

                                              Hoje não,
                                              A rua é deserta,
                                                                       A certeza é incerta
                                              E muitos dos que agora são memórias,              
                                              Deixaram de existir para nós
                                                                                - em nossas realidades infantis.

     Fico imaginando se a rua já era vazia
                              E se nossa presença a encheu com a mais profunda
                                                                                                            e sincera alegria...

As senhoras se sentavam à porta,
Os seguranças passavam de bicicleta,
                       E carros passavam desviando de todos...
Em um ziguezague, quase brincadeira.

E tudo acontecia ali...
Tudo que era importante para todos (sem que ninguém se desse conta...),
Em todos aqueles ordinários dias de singela e enorme diversão..
Com risos e felicidade inocentes
 
                              Que agora são passado,
                              Um lindo passado que carregarei comigo
                              Até minha vida passar
                                                                 - E se tornar mais uma rua
                                                                    Em outro país de memórias.

Perda Mórbida

E se eu morresse agora?
                           - Pergunto-me ao escrever este poema.
Em alguma parte alguma
O pesar de minha existência
Tornaria alegria tudo que foi ódio
E, para minha felicidade,
Todos que alegrei - a grande maioria, suponho,
                              Me amaria mais,
Apesar e por ter morrido.

É claro que seria bom para mim,
Mas desconheço tudo que acaba em fim
Por isso tenho pena...
Pena de saber que só os mortos aproveitam a morte
                             - Mesmo sem aproveitar, de fato
E de saber que os que ficam é que morrem,
                             - Momentaneamente,
Pela dor de se dar conta de que os que se vão,
Ao contrário do que pensamos em vida,
São insubstituíveis.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cidadezinhas Quaisquer

Em uma cidadezinha qualquer,
Onde nunca estive,
Toda imagem é herança,
Passado, presente
E também futuro.
Não o meu,
Mas o de muita gente
Que talvez nunca exista
Em minha por vezes altaneira,
Por vezes humilde e sutil lembrança.

Em uma cidadezinha qualquer,
Um lindo povo se esconde,
Mas não é lindo de beleza, não.
Muito menos de coração...
É lindo de cultura, simplesmente.
Uma pena se nunca for encontrado...
Se se perder por aí...
Como as riscas no chão se perdem no verão chuvoso,
Como as montanhas se perdem num mapa artístico-rugoso
E o tempo que se vai,
Perdendo-se em si mesmo e em outros tempos,
Levando consigo outros povos
De outras cidadezinhas quaisquer.

Sono Celeste

Viajando descubro um mar de nuvens
Que não sobe nem desce
Quer termine ou comece
A pensar no que pensar
Enquanto minha mente adormece.

E nesse mar divago sonhando
Em um dia sonhar tamanha grandeza,
A ser estudada e comprada
Por duques de asas,
Diversa celeste nobreza.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dispersão de Pontos

Dependendo do ponto de vista,
             Dependendo do ponto,
                            Dependendo dos olhos, é claro...

                                                  Telhados são tapetes,
                                     Carros são pedras,
                                                       Pessoas formigas
                                                                         E nós gigantes.
            Mas e o olho?
                             E os olhos?
                                            Quem são?
                                                       Onde estão


                                                                    Na dispersa dispersão
                                                                                             que o mundo cria
                                                                                                                  com diversos pontos?

Algumas coisas não importam,
              mas que coisas?

E o que fazer com o que importa se só importa depois de tudo?

                                                Um pouco de ar talvez seja a resposta...

                      Mas, no dia em que nada importou,
As coisas se tornaram minhas e suas
E de ninguém ao mesmo tempo.
               
                      Se tornaram distantes e irritantes, inquietantes e, veja só, diamantes!
                                                                          - apenas para os que já se foram,

Pois tudo que importa já foi,
Como as formigas pessoas,
Pedras carros,
Tapetes telhados
E a poesia construtiva do poema...

Bem como nós e ninguém
                                             
                      Que se preze ou que reze para ser alguém.


E as coisa que faço para chamar atenção
São apenas objetos de minha transformação
Em algo que quero ser
                              Mas se não conseguir, o que será de mim?
Não terei rosto
Não terei casa e família

Muito menos dinheiro pra viver.

                                         Mas um dia o sol vem até nós e tudo dá certo
                   Até morrer,

Até que não haja certeza em cima do incerto
Muito menos terreno para tantos pontos,
Muito menos poemas e máscaras.


Talvez exista ópio apenas,
Mas não se sabe,
Não se sabe nem o que se sabe, afinal.

Hallelujah

Quisera eu que Deus me ouvisse e viesse me encontrar.
E que Ele existisse em meus sonhos
Ou num pós-vida agora distante,
Para que, mesmo depois de tudo, tivesse histórias pra contar.


domingo, 16 de dezembro de 2012

Brandemburgo

Temos dificuldade em ver o fim das coisas.
Se imaginamos um suposto final,
É para que algo seja construído depois,
Mas não um vazio, um nada,
Um fim realmente...

Temos dificuldade em medir coisas muito grandes ou pequenas,
De enxergar através do que vemos
E de criarmos sem material visível.
Temos dificuldades,
Que deixam de ser dificuldades
Para se tornarem orgulho,
Aos olhos humanos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Análise

Vejo pessoas
Que deixam de ser pessoas
Por serem tão carentes...

Mas não de relógios ou bancos,
Não de educação ou emoções,
Mas de pessoas
Simplesmente.

The Night Tonight

It's a cold night tonight.
The wind is blowing,
The rain is falling...

I can't hear them,
I'm paralysed:
Stuck on your eyes




(2011)

Dama dos Sonhos

A dama de meus sonhos sonha em me amar de verdade

A dama de meus sonhos sonha em me amar novamente.


Mas ela não existe, muito menos eu,

Portanto,

Sonharei até a noite acabar,

Para cessar o sofrimento de amar o impossível .


Rotina de Um Dia

Numa sala pública esperando o tempo passar,
Tirei meus sapatos e os deixei de lado.
A secretária reclamou, disse que aquilo não era lugar,
Nem hora,
Mas hora exata não há.

Garotas de camisa branca,
De calça jeans e cabelos dourados me olhavam,
Mas eram vazias,
Assim como minhas meias,
Carentes de um abraço apertado.

Cacos de vidro espalhados pela rua,
Talvez alguém tivesse tentado roubar um rádio,
Ou um bêbado quebrara uma de suas garrafas preferidas
Em meio a um descontrole emocional.
Não sei, nada sei a respeito.

O semáforo fechou e pude atravessar,
Junto com homens de terno e um rapaz audaz,
Que ouvia suas músicas em total silêncio, mas sua mente divagava
Enquanto a minha, inquieta e vibrante, o observava.

Passeando pelo parque, meu caminho até minha casa,
Vi cães brigando, ou brincando, não se sabe.
Os dois se olhavam e partiam um para cima do outro,
Assim como um casal, sentado num banco, ali ao lado,
Mas não prestei muita atenção,
Pois estava sozinho e o tempo era curto.

Sentei no sofá e assisti um programa monótono,
Colorido e superficial, como a maioria.
Não estava a fim de divertimento,
Minha cabeça estava em outro lugar:
Decapitado pelas lembranças de um longo dia.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ciclo do Mas Que Nada!

                                                 IMCOMPLETO          o
                                               Pleto      Pleto            o   o
                                                      Pleto      Pleto   o        o
                                                Pleto      Pleto o   o              o
                                                      Pleto      Pleto                 Iariá Iaiô o o o
                                                                                                            b b b
                                                      Mas Que Nada!                            á  á á
                                                                    o o o              o o o    o o
                                                                    b b b    Iariá Iaiô      o            
                                                                    á á á
                                                                   

      Discreto, decreto.
                                                                                   

Reflexão do Poeta Morto

Nada é importante.
Deixei tudo de lado para ser estátua
E agora, me perco em meu gélido coração.

Não tenho sentimentos
E meus tormentos
São minha miséria e inexorável imensidão.

Mas o que me resta?
Se disser que o que escrevo é desabafo,
Serei mais um poeta coitado,

Se pedir ajuda de uma vez
E escrever todos os versos
De minha mais pura agonia...

Será arte,
Não poema, nem problema...

Arte apenas e nada mais.

Reflexão Longínqua

Excluo as margens de paredes quebradas,
De imagens curtas
E da névoa pintada
Das relações artísticas que promovo...

Estratifico a arte em poesia
E a poesia nos poemas mais chegados,
Como os oriundos do modernismo
Ou os complexos (mas nem tanto) surrealistas,
Criados
E tidos como...
Como...
O que vemos ali, naquele instante.

O que é?
O que é
                    Inquietante?

Navios partem dos portos que construí em meu paraíso
E onde estão agora?
Só Deus sabe, se é que sabe onde e se ele mesmo está.

Os peixes marinhos se entregam à fuligem dos marinheiros,
Queimados pelo sol exaustivo,
Pela lua do dia em que parti para nunca mais.

Dali o encontrei
E o guiei no onirismo mental,
Um exercício que fizemos para nos entreter.
Mas quem? Quem poderia nos interromper?

A melancolia tomou conta da poesia
Quando os pescadores tiveram que deixar aquele lugar por causa do porto.
Lembranças daquela área anos antes,
Quando o pai pescava com o filho com uma paciência e amor veneráveis.
E tudo acabou, mas ninguém percebeu,
Porque eu não disse.

A poesia não é subentendida,
Ou melhor, é até certo ponto
E, nas camadas de minha arte,
A explicação e reflexão abrangem os lugares mais altos,
O topo do topo, em relação ao primeiro.

Ilusão. Vivemos da ilusão de que tudo é o que vemos,
Mas não.
Talvez não.
Ninguém sabe,
Mas é bom abrir os olhos para a nova  poesia.

E se o poeta deixar tudo confuso?
É péssimo escritor?
Sou um lixo, então, mas não por isso.
Sou por acreditar que meu tempo ao viver
Será tempo outro dia.

Fugas em Noites Quaisquer

Para escapar das multidões que me atormentam,
Refugio-me nas esferas que me orientam.
Esferas quaisquer, como pedras ou vidro,
Como as decorações na sala de uma mulher, compradas pelo marido,
Mas, para mim, não são esquecidas como simples adorno,
São parte de minha existência,
Que se alterna com a morte por pura carência.

Durante a fuga passo por campos de alecrim,
Todos acenam para a mística forma de um imenso jardim.
Mas nada o rodeia.
Nada o desafia e nada o norteia.
A vastidão do vazio que se estende por seus arredores é descomunal,
Assim como minhas esferas, as esferas da vida e das flores,
De tom cinzento, melancólico... e triunfal.

Sou um sonhador como outro qualquer,
Sozinho na escuridão que cala o próprio silêncio,
Sonho em acabar com a miséria e com todo o lamento
Que retira as bolinhas de meu corpo sem deixar uma sequer.

E o que são as esferas/bolas?!

São os sonhos.

Meus sonhos fogem comigo e são meu maior tesouro.
Valem mais que toda a prata do mais genuíno mouro,
Mas não são inteiramente meus, todavia.
São criados a partir do que vejo e escuto, do que presencio e muto.
Meus sonhos são a esperança construída por vários
E também sua perdição.
Portanto, meus sonhos são enigma, são imprevisíveis
E, ainda assim, são meus mais valiosos abrigos em meio à destruição.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Destino Sem Tino

                                                         Destino
                                  Afeta o ser por inteiro
                                                                    e fica desatino.
                                                         Destino,
                                   Deleite do leite no copo de vidro
                       Quando o chocolate o transforma
                                                                    E ninguém percebe
                                           Que aquele era seu destino.
                                      Assim como o meu e seu,
                                                       No nosso querido mistério da vida,
                                           Pelo nosso sangue alcalino
                             Nossa matéria perdida.
                                                                     Destino,
                                                   O ser desatino
                                                                          Afeta-lhe os neurônios
                                                         E ciclones de possibilidades rondam sua cabeça abstrata.
                                             Destino,
                                   Uma forma inexata,
                                                   Profecia dos loucos, de lembrança em cascata,
                                    Ilhas de amores e poesia'crobata.
                                                                       O sol descente no oceano quente
                                                          Que tece a noite (alopata)
                                  Também é destino!
                                                           E desatino,

                                                                 Sem tino,
                                                                       Sentido?
                                           

Natação

Rei nada
Nado no nada
E nada nada no nado do rei.
O rei é nada
E nada é nada no instante
Em que nada se torna
                          O todo de tudo.

Bloqueio Criativo

Quando sou proibido de escrever fico com raiva.
As idéias não vêm,
Minha mente não pensa
E devo me orientar pelo
                                          "simples escrever"!

Onde foram todos os pensamentos
E criatividade que me foram dados?

Para onde todos os poemas que viria a escrever
Se meu bloqueio não tivesse me deserdado
Pararam?!

Que droga.

Nessas horas o vazio me preenche.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ecce Homo

O homem repousa em si mesmo
E encontra tudo que precisa
Para viver de si,
Para encontrar-se em todos os meios.

Ecce Homo:
Fidelidade ao ser em todas as circunstâncias.

O homem enxerga um espelho em todos os lugares
Para ver a si próprio
E negar o restante,
Para esvaziar-se do mundo e prender-se a seus pares.

Ecce Homo
Ecce Homo

O homem tem dificuldade em se entender,
Mas nem mesmo tenta,
Não pensa no que é ser
Nem ao menos no que o orienta.

Seu ego é tão forte que homem algum é capaz de suavizá-lo
E a natureza disso é a nossa,
A qual desconheço, pois sou homem,
De mente humana demais

Para questões extra-ser.

Distância-Instância

Distância                                                                   é o que determina
             
                                  o que termina

E o que começa.


                                                       Mas o que me anima

É o que é distante,
                                                                             o que é gritante,

                                           estonteante

           e importante

                           para mim.

Para mim apenas.


                                                             Distância é o que alucina

É a droga mais pesada num poema hesitante

É a gota d'água movida por calcinação.

                                                                               Calcina, anima o que termina
E o calor se desprende dos corpos

                                                                     
                                                               Como tudo que provém da criação.

                  Tudo se distancia!
                                                         Das notas do começo às do final da sinfonia;

Das pessoas que vêm e vão,

Que se amam ou não;
                               
                                                     Dos reflexos, das memórias...


                                                         O tempo se distancia, do presente ao passado,
                 Do passado ao futuro


                                         (e quando tudo está prestes a se unir,

A guerra surge, a distância consome o mundo

                                 


                                                                             E a aldeia deixa de existir).

                                                                                             

Defeito é Imperfeito

Se um defeito é perfeitamente perfeito
Ao ser defeito,
Então não é defeito,
É uma normalidade pouco compreendida,
Uma existência comprometida,
Por ser vista como defeito.

Por isso,
O mesmo é imperfeito.

Não existem defeitos,
Existem imperfeitos,
Que, na verdade, são apenas características
Tidas com efeito de depreciação,
Uma visão mutilada da pessoa,
Capaz de distinguir
Defeito imperfeito
Do perfeito imperfeito,
Que norteiam tudo que vemos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Poemeto do Pragmático

A sociedade sempre foi pragmática,
Mas não havia recursos,
Não havia meios
Para que isso fosse demonstrado.

Hoje, na era da informação,
Na dinâmica do tempo,
Na construção do movimento
Curvo e inconstante,
A sociedade é declarada veloz!

Mas, visto que a poesia sempre foi chata,
Para a maioria,
Será que ela era chata por ser complexa,
Por ser trabalhada e parnasiana demais?

Será que, após o modernismo,
Excluindo-se os estudos sobre a mesma,
E atraindo leitores voluntários,
A poesia se torna legal?

A sociedade sempre foi pragmática,
Mas em pequena escala!
Tanto que ninguém percebeu,
Até que o tempo passou...

Falando nisso, agora passa rápido demais.

Lembrança

Lembro-me de fatos que me marcaram até pouco tempo;
Que me tiraram noites de sono e me tornaram lento
Para o amor, para a alegria e para a  vida em si,
Sem qualquer motivação e poética que descrevesse
O sofrimento que senti sozinho.

Lembro-me das coisas que disseram, mesmo que pequenas,
Mesmo que fossem passageiras ou momentâneas,
Mesmo que fossem brincadeiras...
E incorporei tudo na tristeza e melancolia
Para que minha vida fosse o inferno
E o inferno minha realidade e sinfonia.

Como se os demônios do passado vivessem por mim,
Entreguei-me ao choro e descrença,
Entreguei-me às mágoas de uma vida sozinha
E infeliz, uma vida esquecida e culta,
Que não vale a pena,
Não vale, não.

Sinto toda a dor que me acompanhou
Em meus mais tênues sonhos,
Sinto das mais variadas formas
Sinto meu coração parando
E minha infância rondando
Todos os instantes em que, hesitante,
Larguei de mim...

Larguei de mim para lembrar
E somente lembro,
Somente lembro, sozinho,
Tudo que passou em minha mente ausente do corpo,
Minha mente doente e gritante,
Mente de morto,
Mente de morte,

Um profundo poço de lágrimas e ilusões,
Um profundo poço de melancolia e mágoas
Em meio a doces canções
Que cantei no onirismo cotidiano,
Que cantei para fugir
Das coisas que ainda lembro,

Ainda lembro,
Ainda lembro
Sem jamais conseguir sorrir.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Haikai

Num perfeito haikai
A natureza se perde;
Quase um não-sei-não.

Curiosidade do Ventilador-Espelho

Espelho minha imagem no espelho
Para ver meu reflexo no reflexo do reflexo,
Mas não há nada,
Não estou ali.
Já até saí e o refletor não percebeu.

Assim como, quando terminei de olhar a imagem,
Ainda não tinha olhado
Ou será que tinha?
Tudo tem um adiantamento...
Quem processou já viu o processado,
Mas quem é processado não viu o antecessor.
Tudo tem um atraso...
Demora pra chegar até meu olho,
Até fazer aquela vitamina...

Se o tempo fosse inglês seria pontual,
Mas e se o inglês fosse o tempo?
Não haveria inglês?
Não haveria pontualidade ou gentlemen qualquer pra botar ordem?
Que estranho...
Ou não...
Todos têm um lado inglês,
Por outro lado, todos somos tempo.

Espelho o tempo no tempo do espelho
E é atemporal!
Sei lá...
O tempo do tempo existe?
Que tempo é esse?
Qual é o reflexo do espelho na imagem do tempo
E o vento, o que é?

Poética da Poética

Sempre odiei minha poética até que uma chamou minha atenção.
Era algo simples,
Talvez uma cópia,
Quiça uma paráfrase de algum autor ou compositor famoso.
Não sei.
Só sei que gostei bastante e passei a escrever mais e mais,
Todos os dias para que não perdesse um verso sequer...
Mas perdi...
Ganhei o sentimento de "era inevitável",
Ganhei experiência,
Ganhei novas palavras,
Mas o poeta é o mesmo.

A velocidade da produção aumentou,
A qualidade idem
E o reconhecimento igualmente.

Mas nada é suficiente.

Anseio mais, não quero ficar com isso, apenas.
Não quero parar para revisar o que escrevo e perder o fio da meada no dia seguinte!
Não!
Não é pra mim.

O poema que chamou minha atenção já foi esquecido por todos,
Mas está guardado comigo ainda,
Assim como os outros,
Até os que já esqueci.

Um dia os lerei novamente,
Chorarei, amarei
E sentirei o que senti quando estava escrevendo,
Quando estava sofrendo e amando,
Chorando,
Cantando,
Sendo,
Existindo
E vivendo.

Enquanto Escrevo

Dois amigos,
Dois amores,
Duas distâncias:
De lá pra cá
E de lá pra algum outro lugar
Onde não estive presente.

Dois abrigos,
Duas dores,
Duas fragrâncias:
A dele e a minha juntas,
Mais a tua, que me treme a espinha
E faz de mim perdido e cego,
Sem qualquer esperança.

Dois trajetos,
Duas lembranças,
Dois rios de memórias vivas,
Tempestuosos,
Sem qualquer semelhança
Com o vazio que deixei
Nas bocas que beijei
Durante as viagens à minha terra,

Sem confiança

Sem qualquer alívio,

Apenas a solidão angustiante
De ser poeta,
De ser só eu
E ser o mundo ao mesmo tempo
Enquanto a chuva bate na janela,
Enquanto versos deixam meus dedos
Para se tornarem duas palavras apenas...
E nada mais...
E nada mais,
Enquanto escrevo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer

Curvo-me à morte e à vida
Do arquiteto Niê, Niemeyer.

À vida:
Por seu trabalho, suas obras, humildade e caráter,
Além de pormenores que não convém em minha poesia.

À morte, curvo-me para chorar,
Chorar sem chorar,
Chorar sem lágrimas, mas chorar
E lamentar mais um gênio que se vai.

Curvo-me a Niemeyer.


Que as curvas do céu,
                     se é que é divino,
                                          o tenham

E que ele se torne mais uma
Na amplidão de sua grandeza.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rede Social

Fico no facebook à tarde
E não sei com quem falar.
Vou à lista da direita,
Procuro as pessoas mais chegadas,
Mas não tem ninguém!

Dou mais uma olhada,
Vou pra cima e pra baixo
E encontro o vazio.

Ou estão offline
Ou estão ausentes,
Ou no maldito celular!

Não sei se essas pessoas têm computador!
Não sei se puxo assunto, se mando links,
Se tento alguma coisa...

Acabo ficando ali... ouvindo música e esperando.

Aí um indivíduo X vem conversar...
Um mobile-guy da vida...
E eu vou na maior alegria ali bater um papo.

Mas o fulano sai...
Me deixa esperando mais um pouco.

Enfim, tô cansado...
Vou dormir...

Ah não.. voltou!
Vou falar com ele mais uma meia hora
Nesse entra e sai quase erótico.
                              (só que não)

Aí, se reclamo, o cidadão vem curtir minhas coisas...
Me cutuca ou passa a mandar links...
Mas não sei se existe!
Cadê a bolinha verde?!
Tem um robô do outro lado?

Que droga...
Compra um PC, Fulano...

Ameno Mascarado

Vesti todas as máscaras que o sujeito me sugeriu,
Mas ainda não compreendi sua música...
Um som apocalíptico,
Um Ameno mais pesado...
Um som estranho...                                       

                   não combinava com o poema...

Mas o sujeito continuava a falar,
Com seus gestos e poses,
Com seus ritmos e versos alegres...
                             versos filosóficos demais
                             para aquela humilde diversão.

A noite estava clara,
Banhada pela Avenida Paulista
E suas velas elétricas,
                  frenéticas,
                                   
Que não param, não param, não param
Assim como a poesia!

                          Assim como aquela noite...


Encontros, poéticas
E pessoas diferentes com um propósito único!

Todas tão abertas, todas tão espertas...

Mas ninguém se deu conta, afinal, do que se passava ali:                                                                                                      

- Não existe Cristo em São Paulo!

Não existe!
Não existe assim como o nexo em colocar um Ameno num poema filosófico,
Assim como o tino e sanidade no cidadão ao nosso lado,.
(aposto que encheu a cara,
ou será que estava interpretando?
- quem sou eu para julgar?)
                                       
             Mesmo assim, eram poesia!
                                                      Tudo que ali estava era poético de alguma forma
                                                      Ou inspiração...
                                                      Ou simples pessoas...
                                                      Sei lá...
                                                      Não sei, não sou eu quem determina....

Eles que sejam o que quiserem.

Mas, quando acabar o mundo ou minha coleção de máscaras,
Que esteja tocando Ameno...
Ou o Ameno Metal do sujeito (um pouco mais profundo),
Para que ele tenha razão e fuja das críticas com glória.

- ou não, que se dane,

                                          ele que escolhesse algo melhor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amargura

Não me deixe agora,
                      Agora que sinto toda a amargura da vida
Na poesia de meu corpo.

                       Não me deixe,
                       Não agora.

Leve-me para sair,
Leve-me para algum lugar onde estarei a salvo...
Livre-me de meus tormentos e inúteis pensamentos,
Sobre os quais não aguento mais refletir.

                               Não me deixe agora
                               Na cidade vazia,
                               Na noite fria...
                               No escurecer da zero hora.
                         
Arraste-me do inferno!
Exorcize meus demônios!
Afaste os vultos que vejo toda noite!
                                                                     
                                                                    Mas não me deixe!
Não agora...
Não na hora de minha possessão
Na hora de minha imersão
Nas trevas que expilo de mim
Para sua diversão...

E, enquanto sofro,
Enquanto choro a todo instante,
Seus olhos me fuzilam,
Seus olhos me exterminam
Guiam-me às memórias distantes

                             E riem!
                             E riem!


                                                                    Trazem meus pesadelos
                                                                    Trazem o ódio e repulsa!
                                                                    Trazem toda raiva que sinto
                                                                    Para as palavras que minto em versos!

Só que ainda vivo...
Ainda vivo...

                                                          Por isso, não me deixe
                                                          Não me deixe agora...
 

Não me deixe...

Não me deixe agora...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Espanto

O espanto,
Fenômeno
Que pousa no pranto
E faz o canto
Do poeta falador,
Dos versos vividos,
De vida abstrata,
De poemas
Das ruas,
Do mundo,
Da dor.

O espanto
De alguém ninguém,

Ninguém para alguém,
Por enquanto.
De ninguém para ninguém, portanto,
De alguém para alguém,
Desconhecido,
Poeta e amigo,
Feito do espanto.

A Rosa


A rosa na chuva
Tão rosa,
Tão quieta
Tão solitária em meio às faladeiras flores,
Que a interrompem sem parar.

A rosa,
A chuva,
As bocas caladas
Debaixo do guarda-chuva
Revelam o mundo poético
Que existe em todo lugar.

A rosa na chuva,
Tão rosa e desnuda,
Tão quieta,
Tão flor,
Tão fria...
Tão linda,
Tão propriamente
Vestida
Para ser rosa...

Mas de rosa não tem nada...

É apenas um símbolo para decretar meu amor,
Com o qual inundo
Tudo que nada foi
Antes de ser tudo para mim,
Antes de ser mais uma rosa
Em teu quieto
E simplório jardim.