domingo, 20 de janeiro de 2013

Poética da Entrega

Cada vez mais acho que escrevo melhor,
Ainda que esteja muito longe do ideal
Que propus a mim para meu próprio desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, porém, minha fraca poesia
Se torna menos e menos sentimental,
Fazendo com que o conteúdo de um poema
Ou de outro seja irrelevante
Ou até mesmo igual

                                     à miséria que crio em palavras.

Cada vez mais caio no declínio.
Estou morrendo poeticamente...
Estou morrendo com a poesia...
Estou morrendo,
Enfim, estou morrendo.

Chegou a hora de anunciar o final de meus versos
Para meu próprio fim...
Sem que este seja mais importante
Do que qualquer coisa aleatória
Que encontramos por aí.

Não sei o que virá depois,
Não sei se há deuses,
Paraísos, almas ou espíritos,
Mas, se existirem,
Virarei um deus:

                                     O deus da melancolia

E minha alma vagará sozinha por toda a eternidade;
Em uma lata de lixo,
Em um beco,
Em uma cidade,
Em um país
qualquer...

Onde um pouco mais de poluição não será problema.

Cada vez mais penso mais
E sinto menos.

Sempre tive medo da morte,
Mas agora temo que ela chegue
E passe por mim sem que eu sinta nada...
Sem que interfira em minha vida...

Minha vida de estátua,
Minha vida de monumento,

Monumento às lágrimas que despejo em mim
Em um irreconhecível e desimportante silêncio.

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