terça-feira, 5 de março de 2013

Agonia

A agonia que de mim desperta
É parte da parte remota e inquieta
Que jaz em meu corpo
Andrófago e putrefato
- Escondido nos becos, calabouços
E portas trancadas
Que guardo na deplorável mente poética
Que escreve sem pensar ou mover-se.

Os demônios que libero,
Por meio das palavras que leem com tanto gosto,
São apenas fragmentos da fragilidade, ansiedade
E solidão - também inquietas,
Também mortas e esquecidas
Dentro de algo, dentro de algo vazio.

Mas a agonia que a mim interessa
É o que provém da loucura que criei:
Imutável, irreconhecível e inegavelmente fria
Para um poeta tão vivo
(E deveras sofrido e sequelado
Por tanta dor e melancolia acumuladas).

A insanidade que me enlouquece cada vez mais,
Talvez precise de tratamento:
Intensivo, retardado, extensivo e entregado,
Respectivamente, em seu próprio tempo,
Pois as lembranças de meu último alento
Ainda estão vivas dentro de mim...
E são um último alento para as mesmas,
Acabando com qualquer iminência de restauração.

Estou perdido e sufocado,
Temendo morrer de novo....

Porém, assim sigo todos os dias:
Morrendo desesperado;
Sonhando ter sonhos lúgubres
Nos quais minha carniça se renove...
E volte pelo menos uma vez mais...
Renascendo em novas mortes
Que para mim, não significam algo...
Já não são nada demais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário