domingo, 21 de abril de 2013

Fraternidade

A mim parece que o sujeito se vê satisfeito
Em viver do barulho e da podridão que o assola.
Seu cheiro de mijo característico
Seu mau hálito de dente corroído
E sua antipatia só me fazem achar que sou louco.

Sim.
Eu é que sou louco.

Como alguém pode conviver com alguém assim?
Como alguém pode passar a vida ao lado dessa sujeira toda?

Como eu, poeta do eu, posso dividir meu espaço
Com tamanho ódio e inafeição por tudo que vem daquele?

Como eu, que nada tenha a ganhar ou perder,
Sujeito-me ao sujeito das sarjetas,
Ao sujeito do escuro,
Ao sujeito do imundo...

mundo que temos que compartilhar juntos?


E o ódio que me consome...
E o ódio que me destrói...

Quando me vingarei por toda minha ira?
Quando deceparei suas esperanças
E tornarei minha tímida grandeza
Motivo de sua humilhação?

Quando? Quando!?

Quando me superarei
E mostrarei meu lado demoníaco?


Não sei...
Não quero saber...


Só quero que sua hora chegue e minhas mãos sejam as cobertas por sangue.

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