sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dúbio

Extraio a poesia da janela semiaberta,
da luz amarela de meu quarto e da pequena TV que sustenta o videogame ligado.

Mas nada parece poético,
porque meus olhos não estão.

Em um dia daqueles...

faço um poema.
Escrevo sobre meu amor e meu sofrimento.
Sobre minha esperança e desfalecimento.

Faço um problema da solução e a solução de meu dilema.
Mas lá fora já é noite
e minhas palavras já se foram.

Por isso,
extraio a poesia da parede branca e de suas prateleiras;
dos livros empoeirados e dos pequenos quadrinhos de artesanato,
que nem sei de onde vieram;
das velas que sozinhas se acenderam
e dos remédios que suicidaram
num dia como este, como aquele ou aqueles ainda, mais distantes e frios.


Extraio a poesia das piscinas de lágrimas e das músicas que hão de se tocar.
Extraio letras, jamais significados, das histórias de alguém,
com o orgulho e desgosto, que despertam e a mim vêm encontrar.

Sou dúbio.

Por isso,
o que sou?
O que fazer se nem a mim conheço, apesar de divagar sozinho em mim mesmo?

Percorro um caminho sem mapa em meio a minhas palavras...
Já percebeu que divago até não haver mais saída?
Tudo o que nos resta é o final.

Por isso,
com algumas palavras faço um poema.
Em outras,
Não.

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