domingo, 12 de maio de 2013

Poema Para Mim

Desconstrua meus versos e me encontrará em seus insignificados.

Sou bom na arte,

                   mesmo que a minha não seja tão boa,

mas, com isso, ainda vivo

uma vida desvivida e vazia.

                                                               Não se apaixone com minhas palavras
não reflita e não se assuste. Não se entristeça, não sorria, não chore e não cante,

porque nada vale a pena.


                                                      Não se sinta destinado à solidão, como o faço,
e não deixe de sentir a vida que sente muito por ter-me ausente em minha presença.


Desconstrua este poeta para achar o que ele mesmo acha que o aflige.

Um poema ou dois caminhando ao lado da razão serão suficientes
para conhecerem o enigma que sempre fui.


                                                                                   Mas, apesar disso, tudo é vazio.


Olhe através da janela, se for noite agora.
                                     
                                                                 O que você vê?


Os prédios e casas? O céu laranja-negro e suas luzes dispersas?
A vizinhança calada e seus olhos ainda atentos, esperando algo que não virá a acontecer?
O silencioso frenesi que sobe sobre seu corpo por estar escuro e sua alma, iluminada?
As sombras que vagam na rua, dilacerando os corpos de frio e medo, que se escondem
na mente de sua calçada?
Os rastros de morte que surgem de suas pegadas? A luz que entra pela janela, e sai pela mesma,
deixando-lhe sozinho, perdido na imaginação que precisa usar para se ver livre do que pensa...
Ou que faz com que você veja e pense tudo, mesmo que tudo seja nada?


Tenho alma de poeta, mesmo que alma não exista.
Olhos de poeta, mesmo que palavras tenham sido postas no limbo - sem que fossem memoradas,

                                                                                                            por serem desimportantes.


Desconstrua-me sem que eu o faça.

Amo muito e muito facilmente, mas hoje só amo alguém.
E, apesar de amar todo o amor do mundo, não sei se me ama.
Não sei se me olha realmente... não a vejo, de vez em quando.

Minha mente também mente...


                                                                              Mas, da loucura se fazem gênios.

E meu passivo pedantismo que me perdoe,
Todavia, lágrimas ainda chorarão as dores do poeta que aqui escreve versos mundanos.

Mundanos, porque um idiota ou dois se identificará com o que escrevi

e isso por pura falta de personalidade.


Eu, por exemplo, não sou um poeta convencional
- pelo fato de não ser poético.

É claro que, às vezes, digo algo que convenha à tradição de se fazer versos,
Mas isso não importa...

Prefiro manter minha personalidade e status de Poetinha,
portanto, faço algo popular e (dito) cult e revoltado, ao mesmo tempo.

Agrado a mim e ao público com isso
e seu porquê é simples:

Sou vazio e escrevo vagamente, logo, um auto-retrato...
Sou deveras egocêntrico, apesar de não ser, portanto, gosto disso.
E, pelo fato da sociedade ser, assim como nós, vaga, ela adora meu jeito.

Salvo exceções,
Um salve para mim.

Desconstrua-me para construir-me.
Mas não se engane. Suas interpretações podem fugir do poema que fiz de mim.

2 comentários: