domingo, 9 de junho de 2013

às vezes não escrevo

às vezes quero desaparecer.
quero sumir da vida das pessoas.
quero deixar minha casa, família e amigos.
quero estar sozinho, vivendo em meu mundo, apenas.
quero ouvir o silêncio e tentar fazer com que este me toque.

às vezes não suporto a realidade.
às vezes não suporto ser forte.
às vezes me rendo e admiro minha autodestruição.
às vezes fico mudo, mas nunca deixo de observar.

às vezes não quero crescer.
quero apenas viver de pequenos encontros.
quero apenas viver com minha namorada.
quero deixar de ser ou ser qualquer coisa.
às vezes quero adoecer e ver quem cuida de mim.

quero sumir.
quero dizer adeus.
quero dar um abraço duradouro.
quero passar reto sem peso na mente.

às vezes quero passar sem memórias.
quero esquecer tudo o que disseram.
quero inventar ponteiros para meu próprio tempo.
quero ser compreendido.

às vezes quero ser deixado de lado.
às vezes quero odiar.
às vezes amo, num corpo que só sabe amar.
às vezes sou algo, mas nunca serei eu mesmo.

quero olhar pela janela e ver a piscina e o prédio.
quero não pensar nos tempos em que ali brincávamos.
quero deixar tudo de lado.
sumir, silenciar-me, distanciar-me.

mas, apesar de tudo que quero e faço,
talvez seja melhor conter-me.
talvez seja melhor olhar as flores,
ouvir uma música animada
e voltar a viver de verdade.

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