quinta-feira, 13 de junho de 2013

Nefasto

Escutava I Dreamed I Dream
enquanto caminhava sobre um corredor mal iluminado
de uma enorme casa, cheia de salas e portas fechadas.

Ouvia sussurros e conversas abafadas pelo silêncio...
ouvia minha histeria saindo de minha boca

e se perdendo na     t r e v a        q   u   e      a   d   e   n   t   r   a   v   a.


Eu ali,                     sozinho,                     caminhava.


Eu ali,                     sozinho,                     perecia.


Enquanto andava, a agonia crescia
e sombras, e vultos, e visões me apareciam,
me possuíam... me degustavam... me enlouqueciam.

Mas não parei uma vez sequer.
Nem mesmo olhei para trás
para ver o que me seguia.

Nefasto.

Tornei-me lúgubre, mórbido, irreverente.
Tornei-me pesadelo disfarçado,
o caos, solidão, morte, desesperado, doente.

Ainda caminhava!

E apertava o passo, quase correndo,
e engolia  saliva já seca,
e ouvia as vozes gritando meu nome
pedindo que parasse logo!

Mas não parava! Estava fora de controle!

Seguia pelo corredor já avistando o fim...
muito distante de mim mesmo
e sentindo o frenesi que anunciava minha loucura.

Quando cheguei ao final,

ninguém me esperava.


                                              O pesadelo se passava em mim.

O pesadelo era eu.

O pesadelo acabou-se enfim.

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