terça-feira, 9 de julho de 2013

Observação #14

Sempre vaguei por aí sozinho
(ou sempre achei que assim estivesse).
Escolhi por mim meus caminhos
e descaminhei, quando achei que para mim
nada realmente houvesse.

Aos poucos a solidão tornou-se opção
e me distanciei pensando que se sentiriam abandonados
(ou que a mim fariam menção,
ou que necessitassem meu eu a eles aproximado).

Nada disso adiantou e minha depressão me consumiu,
minhas lágrimas silenciosas e ocultas não cessaram
e a dor e tristeza que deveras senti quando meu mundo ruiu
apenas pausavam para um descanso enquanto a mim suicidavam.

Em meio a acessos de raiva e cada vez mais presentes cicatrizes,
vacilei na corda bamba que sustentava meu ego sem diretrizes
e perdi amigos, perdi emprego, auto confiança e personalidade
em mim  presentes, reais e distantes da superficialidade.

Já não havia esperança para os outros em relação a mim
e o que todos tanto temiam - não eu,
era ver um ardiloso e desnecessário "pôr fim", enfim,
na mente que criei para entreter o próprio mundo meu.

A imaginação misturava-se com a realidade,
o sangue ralo escorria nos papéis manchados
e eu limpava, e eu cortava, e já não sentia aliviado
- o braço sujo e envergonhado por tamanha atrocidade.

O silêncio, meu companheiro - me traiu.
Os amigos que considerei - eram falsos
- e os poucos que restaram andam descalços
sem preocupação com o que para eles sempre sorriu.

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