sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Poética ao Poeta

Torno-me menos frequente e mais poeta
e, por isso, não escrevo em versos
tudo o que meu coração vê,
tudo o que sente ou repudia.

Os autorretratos que pintei com palavras
viraram páginas em branco para o povo,
para as pessoas que abandonei,
para os que deixei por aí

vivendo por si próprios,
com um sorriso, o meu, a menos,
com um vazio inerente a seus egos,
causado pela ausência do meu, agora.

A escuridão e monotonia que observo em tudo
vem do mal-estar que perfura minhas entranhas,
que me enoja e amedronta,
que desiste de mim e me faz desistir de tudo.

E tudo que preciso está a quilômetros de distância,
precisando de mim também,
precisando de meus poemas,
precisando de mim ali...

É por isso que ainda vale a pena ser algo
- apesar de todo o resto ser nada,
ser vão, fútil e desnecessário,
a meus singelos e dispersos olhos.

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