sábado, 21 de setembro de 2013

Projeto II

10h04 da manhã de sexta-feira, 11/10.
Um garoto é visto andando por aí, agitado
e extremamente abatido.
Ele vai em direção à estação Pinheiros, de trem,
desembarca e vai até a linha de metrô.

10h16, já está na Consolação, esperando o próximo.
Foi visto andando sobre a faixa-limite entre trilho e plataforma
e assim ficou, por um longo período, dando voltas por toda esta,
rindo e sorrindo, parecendo muito feliz.

10h43 e o metrô chegou. A plataforma se esvaziou e o garoto
se encostou num pilar.
Quieto, sozinho, sem nada nas mãos ou bolsos. Apenas suas calças jeans,
camiseta e casaco preto, apesar do dia de sol.

10h47, rapidamente, ao ver o metrô seguinte se aproximando, sai correndo e pula.
Solta um papel com um poema-carta escrito e, sem mais, é estraçalhado pelo primeiro vagão,
fazendo com que seu corpo seja lançado metros a frente; seu sangue, incolor, esguichado
para todos os sentidos e direções.

10h48...

11h...

12h...

"... era só mais um, afinal. E, diga-se de passagem, nada original.
Mas... quem limpará essa sujeira?! 
Tem um cesto para reciclagem de papel bem ali! 

Malditos adolescentes."


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