sábado, 14 de setembro de 2013

Quem sabe um dia

Queria escrever um poema
ao casal que carregou seu bebê no colo
e passou fome para que comesse
e tivesse a vida digna que não tiveram;

para a família que sai de casa
todo primeiro sábado do mês para comprar
frutas, legumes e verduras - de trem,
longe de seu lar - pois os preços diminuem
conforme nos distanciamos;

para o bêbado que bebe para não ser;
para o mochileiro que saiu de casa por sofrer;
para os sem-teto que se unem para criar um lar comum;
para os poetas frios e insensíveis, de poema nenhum.

Queria escrever um poema
poético, que tocasse o coração das pessoas
para que vissem na miséria de sua vida,
a alegria da outra...

e que se comovessem, e ajudassem, e escrevessem,
mas jamais sentissem pena,
para que fossem puras as palavras
de sua poesia solidária.

Queria escrever, sem letras, mas amor,
aos pobres e oprimidos...
que jamais lerão o que minha mente
os dedicou.

Queria escrever, queria muito...

quem sabe um dia.

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