quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Aos poetas

olhos de enigma
são labirintos para 
os meus, perdidos.
sua boca, cerrada,
como duas portas,
escondem poemas
e versos esparsos
que deveriam ser
ditos sem medo e
acalorados pela
tentação de dizer
o mundo com 
poucas palavras.
seu corpo ferve
de tanto sofrer
com tantas e
tamanhas memórias,
vivas, presentes
e histórias, apenas
para os outros.
seu coração arde
em chamas de paixão
não compreendida,
e paixão pela dor,
e paixão pelo calor
do próprio coração.
mas somos doentes.
somos sozinhos
mesmo acompanhados.
seu coração pulsa
sem força e com medo.
medo de dizer o mundo.
medo de ser o mundo.
medo de ser alguém.
seu coração descarrila
e volta aos trilhos,
e anda
e solta sua fumaça
para os outros.
mas trens só olham
 para frente,
para onde vão,
jamais para onde ficam.
e a fumaça fica,
e os vagões ficam.
e tudo que resta
é o toque aos outros.
o seu, o meu, de todos.



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