quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Clínica

Visitamos a casa dos loucos
e me identifiquei com alguns deles
embora não fosse a mesma coisa
que estivesse sentindo ou que fosse.

Andamos pela portaria até um jardim maior
em companhia de uma guia que pouco falava
e muito respondia perguntas que sempre faziam
com respostas com as quais sempre respondia.

Um dos loucos me encarou e pude sentir
sua esquizofrenia me consumindo,
apesar de não ter, de fato, tido grande
impacto em mim - exceto a memória.

Ele estava sentado. A camiseta vermelha desbotando
em sentimentos incompreendidos e em olhares
adversos e temerosos... já não havia muito para ele
somente o tratamento medicamentoso e uma vida de ansiedade.

Demos a volta e entramos num quarto para dois.
Metade bagunçada, metade uma bagunça.
Uma TV, duas camas e um dito banheiro para
dois loucos e meus grandes aforismos egocêntricos.

Todos nos olhavam e já me sentia desconfortável,
então, fomos embora, embora nada ali houvesse...
somente esperança e tratamento... alimentando
a sede de vida que todos ali tinham.

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