quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Isquemia

Agora que, por minha culpa, estou sozinho novamente,
não cantarei os versos de amor que tanto escrevi
nem mesmo verificarei os coágulos que causei na mente
que deveras sofre e que sozinha morre de tanto que sofri.

O sangue, que antes escorria por meu corpo livremente,
agora jaz num amor disforme e perdido no frenesi
do poeta frio e ansiosa e impulsivamente irreverente
que olha para o espelho e vê que há muito já morri.

E ri! o desgraçado... ri de si mesmo!
por ter morrido calado, sem palavras
e ter vivido a esmo!

E ri! o maldito... ri de sua isquemia!
Ri tanto que nem já sou eu mesmo,
perdido, só, na poesia!

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