domingo, 29 de setembro de 2013

Soneto alternativo

Essa mania de fazer sonetos
com metalinguagem exagerada,
de forma rebelde (quase Rimbaudiana)
e deveras irônica,

só me traz angústias, apesar do alívio.

O que importa é o número final
de versos soltos acumulados

e o conteúdo - que, por vezes, nega como foi escrito.

Mas, se o poeta digride em um poema mediano,
o leitor se agride para tentar entender um verso sequer.

Porém, na verdade... não quer...
porque sou só influência
para alguma autoconclusão
a ser tirada por quem digeriu este soneto.

Soneto a um dia incomum

Escreveria um soneto imperfeito
para todos os que por mim
passassem em um único dia...
sem poesia, sem verso, sem rima.

Escreveria sem escrever
em redondilhos maiores
as palavras que a mim
dissessem seus lábios

e os tornaria parte de mim
ao passá-los ao papel
em branco, levemente desbotado.

E então, no final do dia,
ao ler tudo que fiz,
começaria de novo.

Outro Soneto

O tempo passará para nós e assim para o resto,
mas viverei com as manias suas que tanto detesto
como com suas outras... que tanto amo e alimento
e que tanto me fazem bem - sem fôlego, desalento.

O tempo passará e surgirão novas brigas
por novos e mesmos motivos e intrigas
como as que vivemos hoje e nos fazem sofrer;
e as que passaram sem que desistíssemos a morrer.

E, apesar de tudo, continuaremos unidos
por sermos o que de melhor fez o amor,
em seus diversos nomes e apelidos...

E, apesar de tudo, continuaremos amantes,
por termos o maior amor do mundo
em nossos olhares, gestos e desejos semelhantes.

How?

Dreams are clouds
of an empty sky
which fills and kills emotions
with and in my starry 
and dark
blue eyes.

And all I see is misunderstood...
all I love runs from me.

How can I be happy
if there's nothing to be?
If all I see 
is sadness, oldness
and oddness - from me
to the world?


sábado, 28 de setembro de 2013

Poema ao Prático

Ninguém entende versos rebuscados
por preguiça de procurar no dicionário,
não por não serem poesia,
não por serem difíceis.

Somos rápidos, estamos rápidos...
não queremos trabalho,
não queremos erudição.

O prático é o preciso,
o simples, estilo de vida.

Se concordo ou não,

deixo para outro verso.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Limite

Tudo que é belo esconde-se em seus olhos
e só você não percebe que ainda esconde-se
em si mesma por um motivo que talvez
nem você mesma entenda.

As mais belas flores e fragrâncias,
as mais belas imagens e memórias...
tudo está aí, é só procurar.

E, apesar da tristeza, do tédio
e não identificação consigo mesma,
eu vejo... para mim está...
você percebe?

Você é, para mim, meu coração eloquente,
que ama a todo instante, apesar de brigarmos
e vivermos próximos, distantemente.

E os sorrisos que ganho, e sua voz,
que suavemente soa dentro de mim,
são como poesia a um romântico,

são o conforto que agora tenho
e as palavras que agora recebo;
são os versos que quis escrever
para o amor que tanto amo...

Tudo está aí.
Confie.
Tudo está bem aí,
em seus olhos encolhidos.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mais

Quero falar do tempo
                                 e do mundo
                                 das pessoas
                da rotina
do amor
da vida
em um poema melhor do que este.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ensimesmado

sou um poema incompleto
de palavras findas
que se odeiam
e discordam
      entre 
     si

domingo, 22 de setembro de 2013

Para mim, o amor

Amor é a arte de amar sem dizê-lo,
é o altruísmo em toda ação,
é o sonho na realidade,
é desejar a eternidade
e pelo futuro incerto,
amar em toda estação.

Amor é a arte dos poetas,
é a memória de um conjunto passado,
é a entrega e carinho
traçados por um longo caminho
jamais esquecido,
jamais totalmente cruzado.

Amor é a arte de amar por fazê-lo,
é o romantismo sobre a dor,
é a vontade de ver,
é pontada no peito, e ser
para o outro ansioso
e feliz por assim dizê-lo: amor.

Sonho

Um prédio caiu ao andar pela rua,
sozinho, acompanhado, pelo calor gelado
que provinha da amarelada e gorda lua,
e, em efeito dominó, derrubou seu gêmeo
causando o sofrimento de inúmeras pessoas.

Serviam banquetes, apesar de tudo
e meus documentos se perderam nos destroços
do primogênito.

Entre o onirismo de minha mente e as palavras no papel semi-esbranquiçado,
há um eco que soa em meu ouvido ao dormir.
Eco de preocupação, que vem da angústia e termina na agonia...

como se vivesse nos prédios de meus sonhos;
como se tivesse tal vida imaginada.

Movimento

Sou um irrealista insensível romântico,
que simboliza versos tristes em ideias apagadas.

Soneto Imperfeito

Na inquieta hora de minha agonia,
não gritei meus puros versos de dor
nem mesmo os românticos cantos de amor,
mas sim à sofreguidão da própria melancolia.

E os boêmios que dançavam eroticamente
enquanto comiam e bebiam do sangue de seus pais
choravam por dentro uma alma medrosa... e mais
astuta que o poeta que os descreve, somente.

Nunca vi suas mortes, tampouco vidas,
e, mesmo que tentasse, seria, por sua ganância, impedido
de ver as curvas - tão, por eles, queridas.

Jamais serei algo para meus colegas, desentendido
dos assuntos que os interessam ao conseguidas
as calígulas que os revestem com putrefato libido.


Ler

Tanto prazer em ler
que as prateleiras transbordam,
a mente não acompanha
e a vontade decresce.

Haja tino para tantas palavras,
poemas, versos e rimas,
poetas, capítulos, memórias...
e devaneios... nostálgicos devaneios
movidos pela futuração
de algo que jamais será vivido.

Isso é ler.

Meia-noite

Meia noite, bate o relógio à meia-noite
e diz que não haverá horas
para contemplar a mordomia que é
não ter o que fazer...
mas, em outras palavras ou ponteiros,
bate o relógio só por bater, mecanicamente,
como batem nossos corações, insensíveis...

porém, se somos sensíveis, não somos cardíacos
e sim mentais; se somos mentais, sentimos o mundo,
e o mundo nos sente... como sentimos o relógio,
que bate por bater, agora, à calada meia-noite e dois.

sábado, 21 de setembro de 2013

Projeto II

10h04 da manhã de sexta-feira, 11/10.
Um garoto é visto andando por aí, agitado
e extremamente abatido.
Ele vai em direção à estação Pinheiros, de trem,
desembarca e vai até a linha de metrô.

10h16, já está na Consolação, esperando o próximo.
Foi visto andando sobre a faixa-limite entre trilho e plataforma
e assim ficou, por um longo período, dando voltas por toda esta,
rindo e sorrindo, parecendo muito feliz.

10h43 e o metrô chegou. A plataforma se esvaziou e o garoto
se encostou num pilar.
Quieto, sozinho, sem nada nas mãos ou bolsos. Apenas suas calças jeans,
camiseta e casaco preto, apesar do dia de sol.

10h47, rapidamente, ao ver o metrô seguinte se aproximando, sai correndo e pula.
Solta um papel com um poema-carta escrito e, sem mais, é estraçalhado pelo primeiro vagão,
fazendo com que seu corpo seja lançado metros a frente; seu sangue, incolor, esguichado
para todos os sentidos e direções.

10h48...

11h...

12h...

"... era só mais um, afinal. E, diga-se de passagem, nada original.
Mas... quem limpará essa sujeira?! 
Tem um cesto para reciclagem de papel bem ali! 

Malditos adolescentes."


Um dia qualquer

Andei por aí
dormi no sofá
assisti uma aula
dormi de novo
liguei um amigo
deitei outra vez
escutei meu cão
e nada de novo.

Andei por aí
ouvi Guns 'n' Roses
abriram a porta
não tinha ninguém
assim como eu

não digeri as pessoas
não sobrevivo como elas

Andei por aí
pessoas cansadas
olhos caindo
trem parou
fui a pé
cheguei em casa
comi
ouvi
sonhei
dormi.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Soneto à quarta-feira

Tanta preguiça numa manhã de quarta-feira
que não dá gosto varrer meus versos
de minha mente ineloquente
ao prazer do papel em branco.

Faço aviões de papel,
faço pelotas e os arremesso num cesto vazio.
Mas são tantos e tão pouca a vontade...
que erro tudo e volto ao cansaço de poeta matinal.

Tanta preguiça numa manhã de quarta-feira
que todo dia parece segunda...
e ainda é a terceira segunda da semana...

Tanta preguiça num dia frio, de céu encoberto
que não planejo, não penso, não vivo.
Apenas me deixo ser levado pelo ócio.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

nesta noite escura

sozinho, nesta noite escura,
sem teto, com medo,
debaixo da chuva
que escorre em valas sujas,
pergunto-me onde me encontro
e se realmente estou.

sozinho, nesta noite escura,
vago distante em pensamentos
ocultos a mim mesmo

e já nem sei para onde ir
ou o que ser, se sou...
se sei saber...

pois sozinho divago e converso,
sem jamais falar;
com medo, sem teto,
debaixo da chuva, que me pune
por meus inúmeros erros;

debaixo da chuva,
que me molha com suas lágrimas
por todo sofrimento que causei.

Junta Militar

Haja burocracia imposta
pelos impostos atrás do balcão.
E haja miséria, haja demora,
sem vida, sem tino, só solidão!

Haja papéis e ponteiros frenéticos
dispersos no citoplasma de cada um.
E haja memória, ó tempo bom,
de quando éramos livres, sem dever algum.

Haja burocracia sem versos
e pessoas sem poesia
ocultas por bonés e óculos,
casacos e mentiras.

Haja burocracia... haja Brasil...
para tanta mediocridade e demora
para haver o que não há.

Sente-se aí por mais uma hora!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Desculpas serão pouco

Chegue mais perto.
Há muito não nos aproximamos.
Nem mesmo nos vemos
em nossos espelhos trincados.

O tempo passou sem nós,
nossos ponteiros caíram!,
e deixamos de ser o que éramos antes,
porque brigas vieram,
bate-bocas desnecessários nos separaram...
e ainda estamos juntos.

Até quando?

Chegue mais perto, encoste-se em mim.

Vamos resolver tudo isso,
vamos conversar,
vamos amar...
vamos voltar a ser como no começo.

Só preciso de você aqui
e eu aí...
para sermos o casal mais bonito;

para fazer o tempo parar para nós dois.

domingo, 15 de setembro de 2013

Interpretação


d                             e


p


e n d e
de







c o m o   v e m o s  a s  c o i s a s

e

s
e
u
s

d i v e r s o s  â n g u l o s

v
i
s
í
v
e
i
s

a o s  p o e t a s

 a p e n a s.

Sonhando em silêncio

Ficarei bem, sozinho,
e não há razão para se preocupar.
Se me deixarem - e cá estou
- não precisarão me confortar.

Ficarei bem, pois assim já estou,
no meu canto, a espera de alguém
que queira se divertir comigo,
que queira deixar de ser ninguém.

Ficarei bem, podem ir se divertir.
Estarei lendo, escrevendo
e sonhando em silêncio.

Sonhando ter a companhia de alguém.

The way she is

I have seen her in every shape or size,
in every color or smell.
I have seen her in every angle and every feeling.

I have seen her...

and will never stop seeing the way I do...
for my eyes can only love the way she is.

sábado, 14 de setembro de 2013

Quem sabe um dia

Queria escrever um poema
ao casal que carregou seu bebê no colo
e passou fome para que comesse
e tivesse a vida digna que não tiveram;

para a família que sai de casa
todo primeiro sábado do mês para comprar
frutas, legumes e verduras - de trem,
longe de seu lar - pois os preços diminuem
conforme nos distanciamos;

para o bêbado que bebe para não ser;
para o mochileiro que saiu de casa por sofrer;
para os sem-teto que se unem para criar um lar comum;
para os poetas frios e insensíveis, de poema nenhum.

Queria escrever um poema
poético, que tocasse o coração das pessoas
para que vissem na miséria de sua vida,
a alegria da outra...

e que se comovessem, e ajudassem, e escrevessem,
mas jamais sentissem pena,
para que fossem puras as palavras
de sua poesia solidária.

Queria escrever, sem letras, mas amor,
aos pobres e oprimidos...
que jamais lerão o que minha mente
os dedicou.

Queria escrever, queria muito...

quem sabe um dia.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O apagar das luzes

As luzes trêmulas de meu quarto
suicidam com o rugido de meus dedos
inquietos e plácidos.
E não entendem
[ora, por qual motivo?!]
que o acender e apagar é apenas
o gesto favorito da vida:
acendendo e apagando lâmpadas,
fazendo com que tenham que trocá-las
e jogando-nas em latas de lixo específicas,
para que não oxidem sua memória.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Do What You Do

(to John Tischer)


Do what you
and be who you are.
Everyone is alone
but walk through others path.

From the day,
empty stanzas and lonely places
with gentle people
screaming blaming faces.

From the night,
my verses and I...
sitting here writting
demons away.

Do what you do
and be who you are
everyone is alone
but you can have you so far.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Por um breve momento

Se pudesse, daria um beijo de boa noite
todos os dias.
E acordaria de manhã a seu lado
só para acordar com um abraço apertado,
e dizer que o dia seria maravilhoso.
E, se isso não ocorresse,
o faria em minha mente
para que todos os sonhos 
que viesse a sonhar
fossem eternos e concretos
como o amor que sinto,
como um poema de madrugada
que lhe faria feliz por um breve momento.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Am I

Watching people coming around us.
They can't see.
Just pass by
like a sad breeze of a boring sunday.

Talking to their shadows and to their souls,
                                   they still don't notice,
                                       they still don't live.
How can I when everything passes me by?

Watching people coming around us.
They can't see.
Just pass by
like a sad breeze trying to find its way
                                 through a lonely
                                    and desperate
body.

I can't see it.
I can feel it.
                       
                                      Am I?

Poemeto a meu amor

Mesmo que a visse todo dia, cada momento distante me traria saudade.

E amaria... ah, eu amaria,

mesmo que nunca mais a visse;
mesmo que nosso amor, aos outros, fosse mera superficialidade.

Mas não.

Mesmo que a visse todo dia, não haveria palavras
para que mostrasse o amor que arde em meu peito...

não haveria... não haveria...

mas ainda escreveria os poemas que escrevo
somente para arrancar um seu sorriso
e sentir em mim o prazer de sua felicidade.

domingo, 8 de setembro de 2013

Digressão II

Sempre considerei parte de mim a solidão e tristeza. E, aos poucos, passei a viver mais daquela, me apegando ao isolamento como se apegam ao dinheiro: com paixão extrema e inconsciente. E tudo que criei, criei sozinho, a meu contagiante e, por vezes, mentiroso ver. Dias lendo livros diversos, escrevendo poemas dispersos e alimentando a independência enganosa que sonhava ter passavam com lentidão admirável - coisa impossível hoje em dia, pelo fato do homem ter alterado e acabado até mesmo com o próprio tempo. Mas não me importa, porque, sendo de hoje, quero mais que o tempo passe - para que viva depressa e me arrependa no futuro. Mas tudo bem, realmente, porque esse futuro é distante e possivelmente não haverá tempo para ser vivido.

Se alguém me convidasse para alguma atividade ou quisesse apenas ter minha presença e companhia, frequentemente diria que estava ocupado ou que queria estar sozinho. Jamais quis. Só achava que precisava de um pouco de tempo para mim, comigo. E é por isso que hoje sou quem sou: um desconhecido para todos, até mesmo minha família. E é por isso que me desapeguei de tudo e quase todos, levando uma vida de monge tibetano num corpo e alma de brasileiro, ansiando contato social. Mas nem sempre sou assim. Como sempre digo, sou dúbio. Se a solidão é um problema, insisto em me isolar... e isso não é algo controlável ou impulsivo. Apenas é.

E dos poemas que surgiram aos contos que fiz surgir, tudo foi vago ou desinteressante, e só gostaram por serem assim (assim como só escrevi por ser assim também). Tudo é desinteressante quando se é realista. Sou romântico, mas tudo me enche. Tudo me incomoda. Outro dia, por exemplo, um garoto começou a gritar na sala de cinema... no meio do filme! Obviamente, meu senso de monge ficou como monge: na dele, mas o brasileiro ignorante foi despertado. Digamos que falei muito, ouvi um monte e um outro tanto de pipoca voou no moleque gritalhão. Perdi a paciência, mas, como disse, tudo bem.

E, falando em balançar a cabeça e concordar com tudo - ou com tudo que está em voga (como, neste momento, este texto - a quem lê), ser brasileiro não é uma coisa tão ruim. A maior preocupação é malhar, ou comprar um eletrodoméstico em cinco vezes sem juros, ou assistir futebol, ou pagar uma ou outra conta. Em geral, não é muita coisa. Mas o que seria, afinal? Vida mansa, apesar de difícil.

Mas difícil mesmo é não ser quem se é. Não pro dissimulado, claro, mas pra quem convive. Em contrapartida, também não me importo. Não mais, pois a falsidade já tomou conta de meus olhos e os obrigaram a se acostumar com sua presença corriqueira. De qualquer forma, um poema não pode ser falso. Fernando Pessoa disse que o poeta era um fingidor. Mentiu ao dizer isso, ou se autorretratou numa generalização descabida. Falacioso... prestígio não é estar certo. Entre outros poetas que esbanjam talento, mas odeiam seus dotes literários - apesar de não ser grandioso - me encaixo no quesito "criatividade", já que digredi até agora sem que perdessem o fio da meada. E se perderam o fio, em algum momento o recuperaram.

Voltando à solidão, sou como um poema

                                                         c o n c r e t o

                                                                     deixando espaços solitários em mim mesmo para que seja algo no todo.

                               

                                 E não são mais necessárias palavras para prolongar este escrito.

sábado, 7 de setembro de 2013

My Sense

The heart is a full box
of lonely feelings.
Together just for the whole.

Clever I'm not

My words are clever though clever I'm not
and from loneliness to silence,
from the heartless to the poets,
all I have is all I got.

Nothing could be as pathetic or poetic
as the verses I'm used to write.
Nothing can be as empty as them
and they can't be as obscure as a cloudless night.

All I have is all I got.
Look at them! Scattered people,
tired faces accompanied to nowhere places.
But don't trust me,

For my words are clever though clever I'm not!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Poema de um quarto vazio

No frio de meu quarto escuro,
de luzes apagadas,
o brilho da tela de meu computador,
em estado de espera,
ilumina meu rosto cansado.

Minhas mãos apoiadas,
meu casaco pendendo para os lados
da cadeira inclinada...

ninguém aqui.

A cortina balança pelo vento
que espira de fora para dentro
neste quarto vazio...

Esperei-a por muito tempo,
deitado, em silêncio,
de portas fechadas,
e as de minha mente, abertas
para todas as possibilidades.

Esperei, angustiado, mas calado,
seu sorriso vindo ao meu,
levemente, suavemente...
como uma cena de um filme barato
que nós mesmos encenamos um dia.

Se disser que estou infeliz, mentirei.
Se disser que estou triste, blefarei.

São apenas mágoas que inundam
meu poço sem fim.
São apenas mágoas que alimentam
meu ser.

Mas ninguém se dá conta...
nem mesmo eu me importo.

Tudo bem sempre ficar em segundo plano.

Fatos

Você não precisa de mim
e quanto antes perceber isso,
melhor será.

Na verdade, ninguém precisa.
Apenas estão acostumados.
Aposto que você nem mesmo quer que esteja.

Você não precisa de mim
e quanto antes perceber isso,
mais rápido será o iminente desapego.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

John Tischer

A few words
for you, the Old poet,
would never be
as wise as your
day-by-day
poetry.

While letters and verses
come to my eyes and mind,
it seems we've been friends
for a long time.

It seems I've lived in the US
or Tepoztlan...
as old as you,
as vivid as you.

But I'm not.

Though sometimes I can teach you,
I'm still the Young one,
raising my distant hand to ask
my life teacher a question.

Desformatando

s
e
m a i s
        e
        m e n o s
                    e  
                    m
                 e
              s                          
            c  
          l        
       a          
     r a p i d a m e n t e              
                                    m i s e r a v e l m e n t e

            p a l a
            s a r v


                          a meu eu
                          emrofsid

j u n t o
o t n a j

                     c o m i g o     m e s mo

                                               e m  v e r s o s

                i n ú t e i s

Mau agouro

Se eu fosse,
quem perceberia?
Quem se arrependeria
ou deixaria de sorrir?

Se eu fosse,
aos poucos esqueceriam,
aos poucos voltariam à rotina,
aos poucos se cansariam de lembrar.

Quando eu for,
lembrem-se que virão comigo
- talvez não hoje ou amanhã,
mas no futuro, com certeza.

Não acho que demorará tanto assim.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Tempo

Estou a horas esperando
para olhar meu relógio.
Seus ponteiros, intensos,
pararam e agora não
consigo olhá-los
sem pensar que
tempo já não há.
E aqui, em pé,
sem saber o que fazer,
aguardo o tempo entristecido,
pois, somente com ele,
sei que tenho pouco tempo
para viver.
Estou a horas esperando
para olhar meu relógio...


e depois de muito tempo
vejo a mim mesmo refletido
em seu espelhinho de vidro fino
e detalhes coloridos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Amor de alterações

Das alterações, às confusões,
um longo caminho de palavras
e versos soltos, elogios,
detalhes, ansiedade e paciência,
se espreita em si mesmo
à espera de viajantes
que trilhem-no sorrateiramente
e unicamente nele.

E neste silêncio eloquente
de palavras que nada dizem,
caminhamos de mãos dadas
e cabeça erguida
sem esperar, sem nos orgulhar,
sem nos preocupar ou olhar para trás

E apenas amamos... quietos...
para que não percamos
um ao outro em meio a nossas
palavras atravessadas;
para que possamos enxergar um ao outro
em nossos olhos apaixonados
e não em letras e versos soltos,
de palavras insignificadas.

Eu-disdermo

o eu é seu
de ninguém
pois

e se eu
não é meu
dois

um para eu
dois eu e seu.

e eu sou eu
eu sou seu
seu eu meu

o eu é seu
de ninguém
pois

pois
quando
o eu é seu

não é meu
e eu sou seu:
sois.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Da fábrica

Mundo generalizado,
de cores turvas e foscas,
de almas idênticas e folgadas,
de marcas e roupas peladas.

Mundo igual,
de pessoas não pessoais,
de máquinas e objetos humanos,
de linguajar e modos semelhantes,
de hipocrisia e falsidade tidos como diamantes!

Mundo-vergonha,
de laconismo e erros gramaticais,
de gostos e formas redundantes,
de cunho miscível, porém ignorante,
de muitas palavras e poucos significados,
de amores superficiais e amores descartados.

Mundo mundo vasto mundo...

Tanto mundo
pra tamanha pouca coisa?!

domingo, 1 de setembro de 2013

Solidão

Solidão é tema dos poetas
e poesia dos dispersos.
Abrange corpos desentendidos
e almas destiladas,
ansiando o momento certo
de dizer adeus.

Solidão é tema dos eternos
e poesia, seus mistérios.
Sozinhos e sempre sozinhos,
caminham procurando facetas
insignificantes e findas
em meio ao meio que os engloba.

Solidão é a miséria humana.

Estar sozinho, uma dádiva.