quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Aos poetas

olhos de enigma
são labirintos para 
os meus, perdidos.
sua boca, cerrada,
como duas portas,
escondem poemas
e versos esparsos
que deveriam ser
ditos sem medo e
acalorados pela
tentação de dizer
o mundo com 
poucas palavras.
seu corpo ferve
de tanto sofrer
com tantas e
tamanhas memórias,
vivas, presentes
e histórias, apenas
para os outros.
seu coração arde
em chamas de paixão
não compreendida,
e paixão pela dor,
e paixão pelo calor
do próprio coração.
mas somos doentes.
somos sozinhos
mesmo acompanhados.
seu coração pulsa
sem força e com medo.
medo de dizer o mundo.
medo de ser o mundo.
medo de ser alguém.
seu coração descarrila
e volta aos trilhos,
e anda
e solta sua fumaça
para os outros.
mas trens só olham
 para frente,
para onde vão,
jamais para onde ficam.
e a fumaça fica,
e os vagões ficam.
e tudo que resta
é o toque aos outros.
o seu, o meu, de todos.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desfaleço, hipocondríaco, em minha mórbida mente,
que não me toca ou comove
como, eloquentemente, faz com que me transforme
num simples poeta de cunho doente.

E a miséria que a mim proporciono
só pertence a mim, sozinho,
pois nela melancolicamente estaciono
e jazo sem amor e amor ao carinho.

Triste, minha depressão me consome,
submissa a meu lado demoníaco,
que tanto fez para adquirir renome.

Desesperado, desfaleço hipocondríaco...
e, se já nem tenho ânsia ou fome,
que adormeça na presença de amoníaco.


O garoto

quero ser o garoto
que dedilha grades
ao andar na rua
discursando em sua mente
a seus amigos imaginários.

quero ser o garoto
que fala onomatopeias
e brinca, e corre, e pula
e nem mesmo sai de sua cabeça.

quero ser o garoto sem nome,
que todos conhecem e adoram;
que apaixona e encoraja
que inspira e poetiza
sua solidão inerente.

Soteriophobia

Não quero que dependa de mim
assim como não quero depender.
Temo a distância e abandono;
Temo a aproximação e carência.

Quero mas não quero ter alguém
preciso mas não quero,
e quero... não quero.

Preciso estar no controle de qualquer relação
e de mim mesmo e nem sei a causa disso.

Preciso preciso impreciso imperfeito

somos todos iguais e desiguais ao mesmo tempo.

Mas e daí? Jamais me acostumarei.

Não quero ajuda!
Não quero companhia!

Estou bem nesta solidão aguda

Estou bem, obrigado.
Não preciso de algo mais.

Estou bem na condição de sozinho.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

One for Celeste

to Celeste Mae

Sometimes, walking and crossing streets, we meet someone.
Sometimes someone shouts something interesting
and the will to meet each other starts developing.
Sometimes we make friends. Sometimes we don't.
Who knows what future plans for us?
Who knows how long it will last?
Sometimes we don't have to cross the streets
nor even walk.
Sometimes we don't have to shout or say something.
Sometimes we only need some time
to learn and teach
in both virtual languages.
Sometimes we make friends.
But only sometimes.
Hope it is mine.
Hope my poetry touches
and teaches... sometimes.

Linguagem

Despalavro palavras para apalavrar meu paladar ansioso por palavras para abocanhar.

Olhos

Olhos destreinados
somente enxergam
sem movimento.
Eles estão perdidos na inércia;
eles não têm percepção;
e jamais escreverão
um poema pequeno
despalavrado.

domingo, 27 de outubro de 2013

sábado, 26 de outubro de 2013

Introspectivo

durante este tempo de insanidade,
tudo que me resta é tentar pensar
em algo que faça clarear a chama
da fosca, turva e sinuosa realidade
que está deveras longe de meu eu
introspectivo e demais desesperado.

durante este tempo de insanidade,
tudo que me resta é tentar sonhar
em algo que me faça realçar uma
faísca de poesia nesta mente
fragilizada e heroicamente nua.

é a aura da loucura num corpo
pobre de poeta mal compreendido
e amado.

é a tristeza por existir
numa morte próxima de final
desconsertado.

é a lágrima que escorre em reta,
mas descarrila enfim.

é a dor que exala e escorre sobre mim.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Eu

no porão,
com uma vela
acesa
num pequeno
prato
de cerâmica
branca,
sentei-me sozinho
à espera de algo.

somente os quadros
protegidos
por panos claros
e gaiolas
de pássaros
que se foram havia muito,
e o vento que batia
na janela com
armadura de madeira,
e as memórias de tempos
que nunca vivi

me acompanharam
enquanto lia um livro
de mistérios
e onirismo
cheio de reviravoltas
e digressões.

um livro sem páginas
um livro sem capa...
um livro pessoal
e de ordem introspectiva.

Concretamente esperançoso


     noramente
                        norte
                                  morte
                                            some
                                            ao
                                            som
                                     do
                           'este
                     
                             norte
                                    leste
                                           sul
                                                    da
                                          fac'
                                                    e  
                                                           mente
                                               
                                                       céu
                                                                  azul

Por dias melhores

Há uma nuvem de esperança
que ronda a cabeça
dos desesperados
- pelados por dentro
e mentalmente danificados.

Ela se ergue por cima das vias
de suas mentes
e inconscientemente faíscam
uma veia de lucidez.

O mal irá embora.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Who Am I?

Who was she
and who was me?

What have we been doing to each other
since our love started fading away?

I suffer.
She suffers.

Who is she?
Who do I love?
Who am I?
Who does she love?

What did I turned into?
Why so many questions?

So much pain...
so much stress
and sadness
all around...

Where is my mind going?
Where is my love going?

I feel so alone...
something inside of me is dying...

something is going away.

Who was she?
Who is she?

Who am I?
Who was me?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mentira

mentes são feitas por outras...

e mentem!

mentem como se fossem mentes
genuínas!

ao som de Led Zeppelin

ela veio falar comigo
disse que eu estava com fome
assenti
e fui escrever um poema
"Bonzo's Montreux"
tocando no rádio de pilha
e já nem aguentava tantas batidas
inovação era a palavra
escrita no prato
quando fui comer
alguma coisa que me agradou.

"Hey Hey What Can I Do"
senão comer?

ela voltou e disse algo
não ouvi
pois estava pensando em outrem
e outrem pensava em mim
sem pensar
ou fazer questão de pensar.

Escrevi outro poema num poema
e a palavra inovação não estava ali
era um poema problemático-problema
que parecia aparição de algo que comi.

ela voltou e disse que deveria sair
porque já não aguentava Led Zeppelin
tocando a tarde toda
sem Coda ou Chorus 
somente o agudinho do Bob Planta.

Escrevi outro poema
dez num dia
fenômeno!
e a palavra inovação me escapou
desliguei o radinho
e dormi um sono inquieto.



domingo, 20 de outubro de 2013

Simbolismo

Nasci no auge de uma ardente e fria primavera
da qual somente extrai a tristeza de um morto inverno
e a melancolia do atual fragilizado estado interno
do poeta que sofre em sua mente deveras.

E, no simbolismo que crio para deletar e delegar
as palavras astutas e eloquentes que escrevo,
fujo do significado para citar o que apenas descrevo
quando tento a mim mesmo desistir ou entregar.

A poesia sou eu, apesar de ser um nada vazio.
O tudo sou eu, apesar de nada ser e em mim
ser o mais sincero e repentino desvario.

Já não há palavras e o final se aproxima
e as flores do mal que cresceram no sinuoso jardim
escrevem o que descrevi sem escrever o que está acima.

Culpa

desculpo falhas com arrependimentos e culpa,
mas não perdoo o culpado.

Carolina in my mind

Carolina
moves gently
so calm and quiet
through the rooms
and squares in my mind.

She walks, she is searching
something
to make her feel in love
in one more moment
of freedom and passion.

Sometimes
I go to Carolina,
but I know
I have to let her go.

She is like someone
without a map
that finds his way
to the desired place.

I can't stop.
I shouldn't stop her.

But I do.
To love,
to kiss
and try to understand
her own
rooms and squares...
in her own and silent
mind.

And I still know:
no one will ever love
like I do love that girl.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Mar

mar luze raios de sol
só o sol
refletido em sua face
branca
e branda azul
mar luze minha face
refletida
em face do maior desespero
que luze
do âmago disperso
de meu eu ardente.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

To John

John "Tisch", the "mentor"
tea
ches
me
eve
ry
sin
gle
day


we
ta
lk
abo
ut
any
thing.


just throwing 
wor             
ds                
   away or discus
                      sing  
                      im
portant stuff,

              
            the mentor rides        
 me                
 with               
wor              
ds                 
thr               
          ough this life we      


    are            stuc
   ked            in.
  All               I
         can say is with     
    his              sim
      ple           words
        I            change 


and start thinking in a deeper and complex way.

domingo, 13 de outubro de 2013

Depressão

Acordar no meio da noite
olhar para os lados e ver o vazio
escutar o silêncio
ter, mas não ter alguém

não estar, mas estar sozinho
sentir-se vão e ofuscado
agredir a si mesmo sem arrependimento
sair de casa e trancar-se em sua mente

ser escravo da felicidade de momento
fingir o que sente e sentir nada
ser bom em tudo, mas não achar
ser amado e a se foder o amor mandar

Acordar no meio da noite
chorar cicatrizes e sangue
escutar o silêncio
desfalecer sem alguém para lhe socorrer

ter medo do futuro e temer o novo
preferir o isolamento e chorar de novo
viver às escuras e caminhar pela sombra
desejar a mudança; desejar o vazio; desejar morrer.


Poéticas

os caminhos dos quais duvidaram
seguir
ou que a si olvidaram
sem mim
são afrontas
ao desejo poético e pueril
que se estende por quase toda face
de um poema sem nexo e tino.

são rotas alternativas
aos que não compreendem a arte
e que desejam de coração
terem visto alguma coisa
nas palavras e versos
do poeta incompreendido.

o caminho é a vida,
os caminhos, poesia.

sábado, 12 de outubro de 2013

Evangelismo

Em face do bem, Deus soergue;
em face do mal, Deus resigna e
constrói-se novamente
na forma de algo bom.

O Evangelismo ruge no mundo
nesta jesuscracia que se desenvolve...
e os não adeptos são olhados de soslaio,
com desdém e indiferença
aos que se opõem à ordem justa.

Filhos do preconceito mascarado
e da fome de poder - a eles sempre negado,
apenas confirmam o quão fácil
é crer nesse Deus da esperança...

que só é Deus por dar remoto conforto
e vago bem estar aos fiéis enganados.

E viva o proselitismo!
Quem não crê deve crer!
Quem não crê TEM que crer!
Se não, no futuro,
num suposto "outro lugar",
toda ruindade nos consumirá.

Para escapar do mal do mundo criaram Deus,
porém, ainda não enxergam o mal que isso pode gerar.

Problemático

Nos preocupamos demais
em resolver consequências
para a problemática
de alguma coisa.
Entretanto, a solução
dos problemas
reside apenas
na condição de problema.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Incomum?

Quando algo torna-se incomum,
a tendência é se tornar comum
com o passar dos anos.

Depois, quando algo surge,
incomum também,
essa segunda tem a tendência
de se tornar comum,

ao passo que a primeira,
que já tinha se tornado comum,
pode se tornar incomum de novo.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

só poesia

poeira estrela
poeira céu
poeira povo
poeira poeira
poeira poesia
poeira poema
poesia pó
poeira poria
poria poeira
poesia poeira
poesia só.

domingo, 6 de outubro de 2013

Mote

I

não pertenço ao corpo que aqui desfalece
e se enterra - como fazem poetas
mórbidos e desesperançosos.

nem mesmo tenho versos.
e o que são? apenas linhas após linhas, soltas?
linhas de palavras com variadas figuras de linguagem
e de variada linguagem e assuntos?

versos são a prosa poética e a prosa da poesia.

não pertenço a isso.

II

olhe as casas através de sua janela.
podem ser pequenas ou grandes;
próximas ou distantes...
de pessoas ou não.

sempre há alguma casa.
sempre destruímo-nas
com nosso olhar
- humano demais
para apenas contemplar.

III

não sou poeta das palavras,
sou poeta da visão.

escrevo por acaso
ou por escrever...

por isso produzo.

sou a terceira revolução industrial...
numa jovem cabeça voltada à Arte.

IV

o que fazem as pessoas?
quem são elas?

V

não preciso ser reverente,
apenas educado.
ser reverente é ter olhos inferiores.
ser educado é tratar dignamente
o indigno - homem.

VI

não respeitam a Arte.
não é apenas exorcizar demônios;
não é fazer dinheiro;
não é embelezar a vida;
não é arte, apenas.

é a alma de alguém em uma ação.

VII

olhe através da janela.
o que você vê agora?

VIII

existia um garoto
chamado Sem Nome
e só se chamava assim
porque não se chamou
antes e depois
de ter sido chamado
por quem não merecia nome...

existia um garoto
que não sabia sentir
e só sabia o que era real.
ele não amava, não sorria,
não se entristecia ou enraivecia-se.
somente era.
somente estava ali.

existia um garoto
chamado Sem Nome
e só se chamava assim
por ter sede e fome
de chamar-se assim:
nominalmente Sem Nome.

mas, se se chamasse,
seria ele nomeado?
e o que mudaria?
continuaria sendo
sem nome, apesar do nome.

IX

não me considero um bom escritor
por escrever o que as mentes ainda não compreendem.

ainda não sei se meu ego influi em minha escrita
ou se a incompreensão dita o que a si confunde.

foda-se a sociedade atrasada.

X

não pertenço a este corpo de poeta
que só vê a destruição, com estes olhos
poéticos e verdadeiros.

o que vejo ainda não sei...
não sei o que produzo
e o que quero produzir.

torno-me irreverentemente
sociável e desassocio
da poesia que transcrevo
mentalmente em versos.

o garoto sou eu...
a poesia sou eu.

jamais serei Estado,
por ser profundo e válido...

jamais serei lembrado por ser homem.

jamais serei por tentar ser alguém...

apenas deixo a Arte me guiar
e aguardo ansiosamente
o futuro incerto
que um dia haverá de se apagar.

WTF

Saí e vi famílias iguais.
Se vestiam da mesma forma,
andavam do mesmo jeito
e ostentavam desejos comuns.

O que eram, de fato?

Protótipos, projetos... clones...
vestidos conforme a moda e sociedade?



ao ego

Se acontecesse,
talvez desligasse;
e, se ainda amasse,
talvez anoitecesse
os olhos que escrevem poema
para todo e qualquer problema
que a si instaurasse
em palavras agudas e de cunho
apoético.

Se escurecesse,
talvez mergulhasse;
talvez me amasse
o ego que a si entristece
em águas internas
de hedionda alma eterna.

sábado, 5 de outubro de 2013

Desabafo

Não posso falar,
não posso zombar
ou criticar.

Se exagero, sou chato;
se alivio, não me preocupo.

Quisera eu viver sem existir para sair desta bolha.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Memória de um passado filosófico

memórias que deixamos
para trás
são partes de nós
esquecidas pelo tempo
num autodesfalecimento
mental.

são metalinguagens em si mesmas;
nostalgia de um passado futurístico...
parte que parte à parte do todo.
ficamos soltos sem memórias
e aflitos, e frios, e cálidos.

são fragmentos de nossa experiência.
Para onde são levados?

a questão é questionar.


Gotas

Chuva rasa cai
poeticamente
sobre minha face:
somente em verso,

- estou encharcado!

Noite cheia

Andar pelas ruas
sem pés e braços;
ver cores
em esquinas baldias
e prédios distantes.

É noite cheia de luz;
o mendigo sorri,
o garçom acena.

Todos tão felizes
sem ser algo.

E sou nada,
existindo apenas num poema.

My Blue Brown Eyes

I don't want to look at a mirror
and see nothing
starring at my blue brown eyes...

all the memories I dreamt to have;
all the dreams I dreamt to dream...
have all been vanished...
have been misgiven.

I don't want to look at the mirror
and see myself
seeing nothing.
Nothing at all.

I want to be asleep,
waking up in my head,
alone,
in my little and vast world.

I want to be there,
where I can lie
and see the sky...
see the beauty
with my blue brown eyes.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Clímax

Um garoto sem nome (pois não se chamava) passeava em suas livrarias preferidas com seus fones de ouvido. Assim, não era incomodado pelos ruídos que faziam outras pessoas e coisas a sua volta. Divertia-se nas seções romântica e simbolista com seus grandes mestres: Byron e Rimbaud, e cuidadosamente sentava-se no carpete colorido para ler alguma poesia que o atraísse. De Bocage a Poe; de Goethe a Neruda ; de Stravinsky a Tchaikovsky; de Led Zeppelin a Nirvana, sua mente vagava em si mesma à espera da inspiração que se escondia em suas diversas portas e corredores vazios, pois o garoto era sozinho, afinal... seus amigos escassos e dispersos, bem como ele próprio.

Certa vez, num encontro de sua classe, na casa de um de seus colegas, ficou fazendo uma resenha para um livro qualquer de Nietzsche, deitado no sofá da sala, enquanto todos se divertiam comendo churrasco e jogando futebol, no quintal. Era um rapaz raro, sem dúvida - como seus ídolos e influências, porém, não se preocupava quando o repreendiam, ou quando o zombavam por ser quem e como era. Apenas era e isso já bastava para ele, porque não precisava se preocupar com o que pensavam a respeito de sua identidade, pois já era abstratamente concreta a imagem que criou de si para si mesmo.

Ainda assim, as portas que acenavam em sua mente, para o garoto, estavam, em sua maioria, trancadas e jamais seriam encontradas, pois nenhum "eu" é capaz de conhecer-se inteiramente. Apesar disso, é improvável que venha a desistir de tentar encontrar-se em alguma de suas esquinas mentais. Por isso há sofrimento. Se não fosse por isso, conheceríamos a nós mesmos e saberíamos como lidar com nossos problemas e soluções; com nosso ego e nosso pesar.

Isso tudo se passava na livraria, enquanto o menino refletia sobre si mesmo, ouvindo algum concerto melancólico de algum compositor contemporâneo ou pós-romântico, remoendo pensamentos distantes que, conectados, o levariam a uma possível descoberta inovadora sobre a filosofia do "eu" - ou então, ao mero nada que o consumia internamente havia algum tempo.

E sempre andava com um caderno para fazer anotações. Era um poeta, apesar de não fazer poemas. Observava tudo com olhos atentos e perceptivos... abraçando todos os detalhes através do cristalino - o que poucos sabem ou querem fazer. E depois, refletia acerca dos assuntos que mais o interessavam.

Mas, conforme pensava, maior sua angústia se tornava... e, cada vez mais hesitante, desfalecia superficialmente, sem se dar conta.

Como um poema específico, o garoto-verso também acabava em si mesmo no clímax de sua existência.

Mais a si

A produção aumenta, a luz diminui.
Somente a escuridão salienta
a alma que a si dilui.
Já que meu ego a si orienta,
a si mesmo influi
e já nem mesmo contradiz
o que a mim contribui.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ainda a si se afronta

Não posso dizer se sou alegre ou triste,
pois aponto os olhos a mim mesmo num espelho em riste
e de um lado vejo angústia, mas também um sorriso;
de um lado a loucura, de outro o siso.
E nesse espelho trincado em minha face
tudo que faço é marginal e sem classe
para o trinco que ali se encontra
e para mim mesmo, que a si se afronta

sem arrependimentos ou desculpas.

Da cabeça

aquela dor
de cabeça
que bate
bate
de todo
e em
todo
lugar
e não há
remédio
placebo
ou
pensamento
que façam
com que pare
de bater
de todo
e em
todo
lugar
de minha
cabeça
nua
e gélida.

na próxima
saio de gorro
e não pego
friagem.