quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Protótipo

Paredes remendadas em azulejos,
a porta que range ao ser aberta,
o ventilador em meu bolso, desligado,
os talheres sobre a mesa suja,
a fruteira vazia e coberta de aranhas,
lágrimas escorrendo pelas valas e velas acesas,
bebo um pouco, fumo um cigarro,
as pessoas passam por mim e não me vêem.

Se sou já não sei o que é ser.

Ouço uma voz de ninguém me chamar,
tenho medo, as luzes se apagam,
mãos trêmulas escrevem um poema
em um guardanapo rasgado.

Pedaços de mim desvanecendo.

De Chopin a Sinatra,
de Tchaikovsky a Fitzgerald...
minha mente divaga e sonha em extrair algo além de mim
para um papel repleto de vazio.
A música ecoa em minhas orelhas caladas.
Já é meia-noite.
As gavetas sem nada,
o sentimento de culpa...

ainda não estou pronto.

Viver é muito difícil.

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