terça-feira, 11 de março de 2014

A Cortesã

aparte de todos os desvios dissolutos, dissimulados e dúbios
que tinha a cortesã, 
seus olhos diziam o mundo,
seu corpo era uma gama de prazeres
e seu intelecto, um antro de desnecessidades.

caminhava como quem não queria nada,
manipulava, sem manipular,
e julgava-se, sem julgar,
como toda mulher da vida, como toda mulher de vaidade.

aparte de seus olhos ferinos, cheios de palavras,
seu dócil coração enganava os homens que achavam-se espertos em demasia
para uma sirigaita qualquer, exposta a olhos machistas,
e singelos, e sutis, e repletos de poesia.

caminhava sozinha por vielas e becos escuros
com uma mochila e mãos vazias,
estudava seus passos
e calculava seus bolsos - enquanto observavam-na passar, sem dizer uma palavra.

e era um prazer inenarrável encontrá-la nua,
em meus braços, por um ou dois trocados;
e era uma escuridão inimaginável...
os dias tornavam-se noites de prazeres.

e lá se ia a cortesã... 
aparte de todos os desvios dissolutos, dissimulados e dúbios
que tinha,
seus olhos diziam o mundo,
seu imaginário era dono de tantos sonhos,
e seu intelecto... um antro de desnecessidades.


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