sábado, 8 de março de 2014

Eidolon

É um vulto necromântico que paira no ar
a contemplar os que passam, cabisbaixos,
pelo portal que é guardado por suas sombras
e por seus próprios demônios ocultos.

Eidolon... é um eidolon - sem densidade, altura,
mesura, massa ou reflexo. é, apenas, e é apenas
a face humana num corpo vão e opaco,
num corpo gasoso e sem ruídos.

Além de seu trono, ereto, guardado por anjos caídos,
sobre as cabeças dos que se foram há muito,
em agonia, angústia, medo e aflição,

sua forma, forma-se e disforma-se em rostos conhecidos da desilusão,
sem que seja vista, sem que seja escrita ou descrita...
sendo somente mais uma assombração.

E não é neste mundo que habita,
nem mesmo neste universo ou em sua realidade,
mas nos sonhos mais tenros e verdadeiros,
mais reais e derradeiros, que jaz sua face:

aquela mesma que não está aqui, nem ali,
nem mesmo lá, cá ou em outro lugar, lugar nenhum,
ainda lugar algum, porém presente no agora,
em sua mente doente e eternamente assombrada.

Não corra! Não durma! Eidolon encontrará seus olhos
e fará com que a miséria de sua vida seja somente mais uma perdição
escrita no poema negro do poeta imprevisível.

E, se sua alma esbraveja coragem, saiba que não há como escapar de seus enigmas.
Saiba que todo ego é nosso inimigo, para bem e para o mal.
Mas, se você acha que ainda pode lutar, torço para que não seja tão ruim seu agoniante final.


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