quinta-feira, 13 de março de 2014

Uma torre de ébano em meio aos martírios de marfim

certa vez acreditei ter lido tal frase, mas, na verdade,
era apenas mais uma mentira inventada pela mentirosa
mente que escreve aqui neste papel amassado
e cuidadosa, e vagarosa, e morbidamente devastado
pelas sombras de minha melancolia expressa
na solidão que deveras sinto, e na sofreguidão que tanto minto.

espreitando por livros guardados em caixas
guardadas em meu quarto escuro e anuviado,
li que somos a interpretação do que somos
- mesmo que não interpretemos a interpretação.

diria que sentimos o que somos, por apenas sentir,
e não interpretar, pois isto requer muita reflexão
- e mirabolantes ideias que somente um poeta compreendido 
poderia sonhar atingir.

mas não sou um sonhador.

sou o poeta lúgubre, o poeta da tristeza.

sou uma torre de ébano em meio aos martírios de marfim
que ressoam em minha cabeça dizendo que morro lentamente.
- "e morrerás também!" diz outro, e outro, e outro...
sem que consiga proferir palavra explícita ou eloquente
em meio a tantas vozes que aqui ecoam.

e na quietude das palavras melancólicas que lia,
atribuindo psicologia e um pouco da psicanálise 
que li na escola quando era mais novo,
jazia uma mensagem enigmática e estrondosa:

somos a interpretação do que somos.
somos a sensação do que somos.
somos o que sentimos ser.
somos o que interpretamos.

é...
somos nada.

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