sexta-feira, 9 de maio de 2014

a você VII

na fonte onde pousam teus olhos,
perco-me afogado, perco-me sufocado,
perco-me de tanto amar a agonia
e a loucura de amar.

dali extraio o que preciso,
o que a mim é necessário,
o que disfarço e minto -
o ópio de minha existência.

ali permaneço, ali existo
e deixo de existir,
pois meus próprios olhos
perdem a cor, o tino, a vida,
ao passo em que os seus se erguem,
os seus me extraem, os seus vivem
às custas minhas.

na fonte onde pousam teus olhos,
jazo em silêncio, jazo acordado,
porém morto... morto de tanto amar.
Morto por amar um amor verdadeiro.

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