sábado, 24 de maio de 2014

Meus olhos

meus olhos, devorados pela cólera,
caminham pela sombra de tua alma
e voam aos do dia, aos do amor,
aos dos que um dia desejaram a cegueira.

tuas mãos tocam sílabas e versos,
estrofes e poemas completos, imersos,
em plenitude e vastidão,

enquanto os meus, esvoaçantes
e um tanto refratantes, diurnos
e tilintantes dançam à luz da confusão.

meus olhos, devorados pela cólera,
caminham pela sombra de tua alma
e desejam que um dia possa chamar-te
de minha, de nossa, de mulher, de amor.

desejam solitários, ainda, 
por não conhecer-te ao certo
ou até certo ponto.

e desejam ao homem em que habitam:
um pouco de tua cápsula celeste,
da esmeralda de teus próprios olhos,

dos fios de ouro que marulham e movimentam
as embarcações de minhas mãos, 
da imersão na profundeza de tua mente,
quieta e vasta, sigilosa e enigmática.

meus olhos, devorados pela cólera,
caminham pela sombra de tua alma,
e, ao fim, voam detendo-se,
esperando a hora certa de te chamar de amor.

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