terça-feira, 20 de maio de 2014

O mensageiro

encontrei um mensageiro que a mim dizia:
"acorda-te, deixa-te ser quem és",
e caminhou ao perigo, sozinho, ao viés
enquanto eu, silencioso, solitário dormia.

e num dia qualquer, do mês de janeiro,
encontrei novamente o homem,
o mesmo das palavras que agora a mim somem,
o famoso e vagabundo, o solitário mensageiro.

e disse a mim, novamente, que acordasse
e deixasse que fosse quem sou...
sem que minh'alma desfalecesse ou deixasse

que caminhasse solitariamente por onde vou
ou que esquecesse de onde vim, caso sonhasse
com a amada, cuja morte a mim matou.

2 comentários:

  1. Bela escrita, Paulo. Adorei todos os seus sonetos, principalmente esse.

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    1. Muito obrigado, Jonas! Fico feliz que tenha gostado!

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