domingo, 22 de junho de 2014

Com tudo em seu devido lugar,
movimento-me estaticamente
como o coração que costumava amar
um outro, eloquente.

A escuridão de minh'alma deslumbrante
peca por tomar parte da luz
para ser si própria, nevoada, estonteante,
cheia de vazios e ausente, flux.

Começo a detestar os dias;
o sepulcro já se ilumina em minha mente,
e as doces melodias que cantei melancolicamente
se tornaram velhas, doentes e frias.

E por que devo sangrar minha vida
aos que nunca fizeram algo por alguém?
Por que devo ser parte querida
nos corações partidos de outrem?

Com tudo em seu devido lugar,
movimento-me estaticamente
como o coração que costumava amar
um outro, eloquente.

A noite perdura sobre os dias tristes
que, longevos, permanecem distantes
- como os eus de mim mesmo. Existes
ainda em mim como antes, gritante?

Nunca conversamos muito;
nunca paramos para mirar nossos olhos;
nunca amamos tanto;
nunca fomos reais.

E, então, por que deveria sangrar minha vida
aos que nunca amaram outro sequer,
ou alguém específico...
um outro qualquer?

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