terça-feira, 3 de junho de 2014

Morto

Quando, da torpeza da terra, a lua surgiu,
minh'alma, que encerra a si própria, ruiu.
O garoto que fui, aquele dos passos sutis,
caminha só, buscando diversos e mórbidos perfis.

Quando, da torpeza da terra, a noite calou
os beijos que dávamos uns nos outros
em meio a tanto ódio, em meio a tantos poucos,
minha morte o Céu negou.

Já havia caminhado. Já havia mergulhado
nas árvores que sustentavam meu corpo
morto, noturno e cansado,

mas o garoto que antes sonhava,
que antes imaginava um futuro diferente,
se entregou à morte que o rondava

desde seu fúnebre nascimento ineloquente.

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