quinta-feira, 12 de junho de 2014

O coração inventado

Um triste coração, solitário e desapegado ao mundo,
fabrico com meus recursos rarefeitos.
Um tanto de melancolia para estrear os vagos
e vazios discursos de minha mente - oculta em sua
profundeza mentirosa; gotas de madeira para este coração
acamado, e deveras profundo, e calado, e imundo, e inundado
de amor; um pouco de ilusões e fracassos e toda a desconfiança
do mundo e, do mundo, todo seu ardor.
Um triste coração invento para amar, e só amar,
e sofrer de tanto amar,
amar e esquecer,
amar e bendizer
o amor que já não há.
Um triste coração, adornado, e inventado, reduz a poesia
à matéria de puro divertimento, puro hobbie, puro contentamento.
Amar já se faz imprescindível. Amar já se faz banal.
Mas ainda amo, com um coração irrevogável
Mas ainda amo, com um amor carnal.
Um triste coração, solitário e desapegado ao mundo,
fabrico com meus recursos rarefeitos.
Meu amor morre, todavia. E renasce, e morre novamente,
fazendo decadente meu coração.
Fazendo com que todo sentimento seja uma simples e bela e nobre ilusão.

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