domingo, 29 de junho de 2014

O narcisismo é um polo adverso à razão e ao amor.

I

Num estado primário, existe a satisfação dos prazeres e necessidades
através do próprio corpo, mas sem a identificação
do ego, da individualidade, ou uma distinção real do mundo,
que só existe para satisfazer os prazeres e necessidades
do indivíduo - não como algo ou alguém realista ou reconhecido.

Isso é um processo natural, entretanto, e é ultrapassado
pela diferenciação entre "eu" e "tu" através do plano sensorial,
primeiramente, e, logo depois, no plano da linguagem,
já que as coisas passam a ser percebidas
como seres diferentes e independentes.

Porém, emocionalmente, é ultrapassado somente anos mais tarde.
Até certa idade as outras coisas e seres ainda são tidas como objetos
de satisfação de suas próprias necessidades.
Logo começamos a amar, ao perceber que tais necessidades
nem sempre são mais importantes para nós do que as dos outros.

II

Se não desenvolvemos satisfatoriamente, ou se perdemos a capacidade de amar,
nos tornamos narcisistas secundários, imersos em nosso próprio universo
de pensamento, sentimentos e necessidades.
O mundo exterior passa a não ser sentido ou percebido objetivamente.
E, então, nasce a loucura - a partir da qual o indivíduo perde o contato com o mundo;
retira-se para dentro de si mesmo, e não percebe a realidade como ela é,
mas como seus processos interiores e mentais a identificam.

O narcisismo é um polo adverso à razão e ao amor.

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