segunda-feira, 9 de junho de 2014

Proletcult

mergulhamos de soslaio
e olhamos de través
através
de seu raio
de eloquência visual.

renomados sejam
os nomes das coisas
lúgubres e mórbidas
que ardem em sua
vívida e trabalhadora
Proletcult:
quietude, nós.
quietude, nossos filhos.

mergulhamos, ainda,
de soslaio através
dos travéres travados,
e, fingidos, olhamos
de longe,
mas muito perto,
a chuva que cai
sobre nossas cabeças
pensantes - varrendo
ideias e pensamentos
para fora do alcance de
nossos olhares desatentos.

cospem palavras em nós,
"somem ou sumam!", dizem-nos
e vamos nos sumindo para eles
à medida que somam os lucros
de nossa existência.

ouvimos o gemido e agonia
de nossos filhos.
mas nada a fazer.
somente proletariar nossas vidas
miseráveis e descabidas
enquanto trabalhamos
para ver os frutos nas mãos de outro.

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