domingo, 15 de junho de 2014

Vingança

Passei o dia inquieto, em mim mesmo imerso,
como quem busca vida em matéria morta,
como quem bate, esperançoso, à sua porta,
como quem se refugia na poesia sem versos.

E o passei sozinho, indignado e agonizante,
sujo, melancólico, mal-amado e agoniante,
e o passei em mim mesmo, imerso e aflito
com as peripécias e mendicâncias de meu triste grito.

Mas tu não vieste ver minha desgraça!
Não vieste ver como eu estava.
Apenas saíste, retiraste-te de minha carcaça.

E agora perambulo sem juízo e esperança,
pois me chamaste de "morto-que-andava"...
- não reclames, pois, de minha ardente e sangrenta vingança.





Nenhum comentário:

Postar um comentário