segunda-feira, 23 de junho de 2014

Viveria de arrependimentos se dissesse que sei e que sabia ser e viver, sabia? Uma perda de tempo, é claro, pois, de fato, já são vários os adornos que a vida me rejeita por, supostamente, estar apaixonada pela morte. Sim, eu já sei. Parece loucura da parte de um poeta simples, amador e anuviado alegar que a vida morre de amores pela própria morte. Mas veja bem: se uma não existisse, a outra seria banal, e, provavelmente, também não existiria. Ou existiria sendo outra coisa; ou existiria sem existir. Por isso, talvez, e, é claro, eu deva ser um tanto suicida, melancólico e saudosista. Sinto falta dos tempos em que não precisava escrever sobre as paixões alheias; sinto falta de ser eu mesmo. Mas, voltando à vida morta e morte viva: viva à morte! Viva a vida! Porque, sem uma, você não teria a outra. Uma perda de tempo, bem sei, e, é claro, pois, de fato, já são vários os amores que narrei, enquanto lamentava a perda dos meus,
ou a própria inexistência do amor.

Não sei, na verdade sobre o que estou falando, mas, se você leu ou me ouviu até aqui, vou continuar.

Viveria de arrependimentos se dissesse que sei e que sabia ser e viver, sabia? Seria falta de tino, uma decepção tremenda desistir agora. Mas seria para quem? E por quem? Só posso dizer que existe apenas uma pessoa que me traz felicidade verdadeira, todavia, não é preciso nomeá-la. Ela sabe que é a única... ela mesma, a dos olhos esmeráldicos. E, eu também, morro de amores por ela, mas ninguém sabe... ou sabia, até então. Viveria de arrependimentos se não lhe dissesse.

Já não posso chorar ou sorrir, jamais gargalhei... e minhas risadas são surdas. Quem sou eu? Já não posso existir, cantar desafinadas e tristes melodias de Rachmaninoff ou Chopin, expor meu ego egocêntrico (tão egocêntrico, que optou por não fazer parte deste corpo - e agora jaz aparte em algum lugar em meio à sociedade materialista e corpulenta que vejo com estes olhos secos).

Cerúleo. Seu céu é cerúleo. E lá pousam e repousam aves migratórias. Talvez esperando a morte, ou a vida passar... assim como eu, você... A rapsódia que mais me encanta é seu coro desafinado, como minhas melodias, como meu amor, como minha vida. E ainda continuo. Com este coração acamado e partido, continuo. Lutando por mais dias, lutando por amores, lutando contra mim mesmo - até que a morte dê um fora na vida... até que a morte caminhe sozinha por esta carcaça pálida e azeda. Até lá, um poema ou dois serão feitos; com um verso ou dois, imerso em quietude; com um livro ou outro, publicado; por uma paixão ou outra, frustrado e atento às questões do mundo - dos sofrimentos do mundo... aqui mesmo, no poeta que lhe escreve.

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