quinta-feira, 24 de julho de 2014

A arte da conversação

Minha existência não se resume mais em busca pela sabedoria da vida, dos livros, das conversas e dos amores. Agora, todavia, se resume ao ócio, ao tédio, ao silêncio, à sincronia com as diacronias de meus versos, à melancolia, à dramaticidade, à morte e à própria vida. Tenho um corpo que não comporta todos meus sonhos, e, por ser inválido, deixo de realizar todo o onirismo que me cerca. Tenho uma mente que não comporta toda a minha imaginação, e, por ser deveras imaginativo e reflexivo, não penso, não imagino, deixo de refletir. E por que faço isso comigo mesmo? Por qual motivo me cerco de impedimentos, de barreiras, de desculpas e preguiça? Talvez seja apenas uma longa fase. Um processo sobre o qual evito comentar, escrever, relatar. Minha existência se resume à poesia, à música, às artes em geral, além do que já foi citado. Mas a histeria que se desempenha de minhas obrigações já se torna estridente, contundente, radiante, dissidente... e minha. E o amor se esvai. Foge de minhas mãos e não tenho interesse em correr para alcançá-lo. Não tenho vontade de correr atrás de alguém. É preciso ter alguém? A solidão me parece tão atraente vista frente a frente. Autoestima se eleva de outras formas. E a minha... Bom, a morte também me parece atraente. Viver é superestimado. Ninguém sabe como é morrer para que haja tantos pontos negativos a acrescentar em sua vida. Acho o silêncio a arte da conversação e a maior forma de aprendizado que se tem numa relação. Aprende-se a ouvir, a falar, a se conter, a sentir e refletir. A morte é repleta de silêncio.

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