terça-feira, 1 de julho de 2014

Dévotion

Por toda sua nobre carcaça, polida, progressiva e idílica,
cerúleos olhos repousam olhares e afetos;
nas escumilhas que nascem e renascem desnudas em seus campos
rochosos de lânguidas palavras e versos de amor,
enquanto os meus, inquietos, intranquilos e discretos,
reduzem-se à lírica que ecoa de minha voz.

É tarde nas vielas de minha cidade.
E não estou em qualquer cidade,
pois sonho um sonho num sonho,
(por imaginar, logo, distorcer,
logo, não me encontrar na realidade)
o qual se torna introspectivo
e se nega a expor seus próprios detalhes
ao simples e imaginativo sonhador.

Porém, por toda sua nobre carcaça, polida, cheia de adornos
e deveras idílica, ainda escumilhas de todas as cores
nascem e renascem desnudas em campos rochosos
que alvoroçam depreciativos e intranquilos momentos
de solidão.

Nas janelas, riso e vastos olhares esmeráldicos
- também esperançosos, também sonhadores.
Mas o que tanto sonhamos?
Nem mesmo nós sabemos o motivo de tanto desatino
gotejando em lágrimas e sorrisos;
nem mesmo nós sabemos o motivo de tanto amor
estratificado nas badaladas de um coração acamado e pensativo.

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