quinta-feira, 10 de julho de 2014

Iluminação

Por entre estas retinas cansadas, o mundo interior é visto e descrito. Elas, porém, não memorizam, não armazenam e não codificam a realidade vigente em seu próprio mundo. Apenas interpretam e resplendem o que desenvolve-se a partir de tal experiência: o olhar. Por entre as loiras e eslavas melenas deste ídolo, pelos olhos negros que aqui escrevem, por toda estirpe, cortejo e desatino, sou eu quem se retém; quem se entrega; quem se aproxima; a quem se atém quem desagrega o império nebuloso e catastrófico de minha mente. Por aqui, quem passa é docemente infeliz: somente com um ou outro espasmo de felicidade. E a chuva de cera permanece estática. Não molha entre minhas gotas cristalinas de lágrimas. Não cega em meio à escuridão que à luz revela. Não está presente em minhas lutuosas flores de sonho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário