domingo, 27 de julho de 2014

Minha Boêmia

Caminhava com as mãos soltas tateando bolsos rasgados,
e igualmente meu casaco se tornara virtual.
Oh! Como amara meu sonho ideal;
Oh! Como sonhara com a época em que não havia estado.

Em minhas calças encontrei um enorme buraco,
pelo qual avistava minha ébria perna desajeitada
cantar os passos de minha face trejeitada
e do imenso odor, do intenso frescor, das pernas tortas do tabaco.

Ficava a ouvir as rimas que eu mesmo recitava
para o amor que, até então, minha secreta e simples sedução
mentia que vivia; mentia que sorria; mentia que sonhava.

E as sombras fantásticas que rimavam decassílabos com oração
se dissolviam à medida que minha poesia se desintegrava
- enquanto badaladas surtiam efeito em meu triste coração.

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