quinta-feira, 17 de julho de 2014

Os anos passam feito vento

os anos passam feito vento,
a vida confunde-se em garoa,
uma mancha de tinta chora 
em minhas roupas surradas:

meu coração acamado respinga
lágrimas de solidão e devaneios
enquanto os versos que escrevo
tornam-se minha dura realidade.

a morte, que desce às sombras
de minha leviana e vã existência
acossando e cercando os meus
singelos e imutáveis sentimentos,

está cada vez mais próxima, amor,
está cada vez mais próxima.
está cada vez mais
mais próxima.

os anos passam feito chuva,
a vida confunde-se em garoa,
uma mancha de tinta chora
em minhas roupas surradas:

poemas declaram meu amor
por ti e por teus sentimentos,
somos iguais e, por isso, nos 
amamos como ninguém.

o narcisismo peca por ser
perfeito para nossos espelhos;
o siso, o tino, a reverência...
todos são produtos da perfeição...

os anos passam feito vento,
a vida confunde-se em garoa,
uma mancha de tinta chora
em minhas roupas surradas:

só há teu amor para calar a solitude
que resvala em meu ego ardente;
só há teus olhos para cegar as sombras
e vazios que encontro em minha mente.

poemas declaram meu amor
por ti e por teus sentimentos;
mas já estou envelhecido...
a morte a mim aguarda.

porém, quero que sigas amando
a poesia que amamos, o silêncio
que desfrutamos e a beleza que 
tanto admiramos juntos.

quero que vivas enquanto eu a espero,
enquanto teu amor floresce, enquanto
teus olhos vêem e descobrem o mundo
que há além de nosso imaginário.

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